Vamos falar sobre anorgasmia?

Olá, mores, tudo bem com vocês? Hoje trago mais um tema relacionado a disfunções sexuais femininas: anorgasmia, transtorno que impede que as mulheres  e homens em vivenciar o orgasmo no ato sexual, masturbação ou até mesmo em sonho (isso mesmo, a gente goza até sonhando). Vamos entender mais sobre esse troço?

Antes de nos aprofundarmos sobre anorgasmia, vamos começar pelo orgasmo. Ele é a conclusão do ciclo de resposta sexual que corresponde ao momento de maior prazer sexual. É uma descarga muscular intensa, trazendo em seguida sensação de conforto e bem estar.  Vocês devem estar se perguntando: Tá, mas como eu posso saber se eu tive um?

Pois é,  mocinhas, o orgasmo é algo tão intimo e tão particular de cada pessoa que fica difícil apontar quem teve ou não. Ele se manifesta de diferentes formas, durações, sensações… O problema é que nós somos ensinadas que nós temos que ter orgasmo. Acreditamos que sexo sem orgasmo é sexo ruim. Além disso, em minha própria vivência clínica e participando de diferentes grupos de sexualidade, vejo que os orgasmos múltiplos se transformaram em uma obrigação de todas mulheres. Não basta ter um único orgasmo, tem que ter vários – de preferência, em todas as vezes que fizer sexo.

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Não me leve a mal: eu sei que orgasmos são ótimos e que é frustrante não ter um (inclusive já ajudei uma mocinha que não conseguia chegar lá), mas não podemos encarar isso como uma obrigação. Ele vai acontecer se a mulher estiver segura, tranquila e relaxada – e não é pensando “tenho que gozar a qualquer custo” que o orgasmo vai acontecer.

Agora sim vamos falar sobre a anorgasmia. Como eu disse ali em cima, é um transtorno que pode ser responsável pela dificuldade ou incapacidade de chegar ao orgasmo. Esse problema atinge principalmente nós, mulheres, e esse impedimento do orgasmo, além da frustração, pode causar desconforto e dor.

Tipos de anorgasmia

  • Primária: O paciente nunca teve a experiência de sentir um orgasmo;
  • Secundária: O paciente costumava sentir orgasmos, mas passou a ter dificuldades;
  • Situacional: O orgasmo só não é obtido em algumas situações, como o sexo vaginal ou com um determinado parceiro, mas o prazer ocorre normalmente durante a masturbação ou sexo oral, por exemplo;
  • Generalizado: Incapacidade de sentir orgasmo em qualquer situação.

Causas da anorgasmia

Uma pesquisa realizada em 2003 pela Carmita Abdo, coordenadora do Prosex (Projeto Sexualidade) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, apontou que 1/3 das mulheres sexualmente ativas nunca tiveram orgasmo – seja ele via penetração ou pelo estímulo do clitóris.  Esse mesmo estudo observou que muitas das mulheres que sofriam de anorgasmia não se masturbavam. Os motivos mais listados foram:

  • Educação castradora: Elas entendiam que se masturbar era “sujo” e consideravam o ato um pecado.
  • Prazer como responsabilidade do outro: Acreditam que é o parceiro/parceira que deve proporcionar o prazer.
  • Educação rígida.
  • Pensamentos de controle: Não conseguem se “concentrar” porque estão pensando nas obrigações do dia a dia.
  • Inexistência da fantasia.
  • Abuso sexual.
  • Ejaculação precoce ou disfunção erétil do parceiro.

Tratamento

Sim, é possível se curar! Lembrem-se: todas as mulheres merecem vivenciar sua sexualidade de modo pleno e satisfatório. Para isso, o tratamento deve ser pensado como um todo: emocional e físico. Sempre bom ressaltar que nossas emoções desencadeiam processos físicos pela liberação de neurotransmissores. Logo, a participação de diversos profissionais, tais como ginecologista, psicólogo/sexólogo e fisioterapeuta, é importantíssima para atingir os melhores resultados possíveis.

Fisioterapia sexual:  Melhora seus movimentos pélvicos e sua consciência corporal.

Ginecologista: Acompanhamento é sempre necessário, principalmente quando tem questões que envolve a disfunção sexual.

Terapeuta sexual: Ajuda a avaliar problemas de infância ou fatos na vida que afetam a percepção do prazer no sexo, como repressão dos pais, crenças religiosas ou traumas causados por abusos sexuais. Atua também como educadora sexual explicando a importância da masturbação, incentivo a fantasias, bem como controlar pensamentos de controle diante do ato sexual.

É super importante falar que as disfunções sexuais não são de total responsabilidade da mulher. O parceiro ou parceira devem participar ativamente do tratamento para melhor eficácia. Às vezes, são eles que contribuem com a dificuldade: já vi casos que a mulher não tinha anorgasmia de fato, ela não tinha tempo suficiente para vivenciar o orgasmo. Seu parceiro tinha ejaculação precoce e gozava em menos de 2 minutos .

Bom meninas, espero ter ajudado vocês! Se tiverem maiores dúvidas sobre esse ou qualquer outro tema mandem aqui nos comentários ou no e- mail: erika@quenemmocinha.com

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