Um sábado à noite apimentado na casa de swing

Uma rua cheia de bares, em um dos bairros mais cools e boêmios do Rio de Janeiro. Sábado a noite e uma programação cheia de música, álcool, beijos na boca, toques, sexo e prazer. Uma noite como outra qualquer na vida de uma pessoa solteira, certo? Digamos que o nosso texto de hoje traz algo um pouco mais… Diferente. O texto de hoje é sobre a “2 a 2” – uma casa para adultos, ou casa de swing no dicionário popular, que fica em Botafogo.  Ou, como eles mesmo se chamam, uma “boate no Rio de Janeiro exclusiva para casais praticantes do swing e casais liberais”.

Se você vai ler o texto para saber um pouco mais dessa experiência, está curioso e quer entender como tudo funciona, com detalhes sórdidos, sinta-se à vontade. Então vamos seguir a linha da casa… Venha sem tabus e pré-conceitos… Aqui quase tudo é liberado e sem julgamento.😉

Preliminares

A casa, toda de pedra clara, possui um portão e dois seguranças uniformizados na porta. Para os passantes e despercebidos, uma casa com uma possível festa acontecendo. Ou até mesmo uma casa de festas mais chique e privê. Pensando bem, é algo desse gênero. Tudo parecia muito normal do lado de fora. E percebi que, sabendo o que você procura, o lado de dentro é bem democrático.

Logo na entrada fomos recebidos e o segurança perguntou se já conhecíamos a casa – digo no plural porque no sábado a noite, a casa recebe apenas casais e mulheres solteiras. Então dica nº1: vá e curta muito, mas escolha muito bem o seu parceiro. O swing  é algo muito íntimo e o julgamento deve fica do lado de fora. O que nos leva a dica nº 2: converse com o seu parceiro (a) antes de entrar. Veja o que os dois querem, o que pode ou não, para que a diversão seja a dois e não algo egoísta. Tudo conversando antes é mais seguro e prazeroso. #fikaadica

Falei para o segurança que não conhecia nada, afinal de contas era a minha primeira vez ali, naquele mundo – e sim, é algo completamente diferente. E ai está o primeiro elogio a casa – a staff é incrível, super delicada e atenciosa, na maior descrição e respeito. Palmas e cinco estrelas para eles! Fui conduzida para dentro daquelas paredes, que até então me pareciam um pouco tensas. Ou será que eu estava tensa demais? Na entrada descobri que não se pode entrar com nenhum pertence: bolsa, celular, carteira, tudo precisava ficar ali. Desliguei o celular e a partir daquele momento, tudo iria começar. Recomendo para alguns casais mais “travados” entrarem na brincadeira. Ali é o momento onde os fetiches podem ser feitos.

O ambiente

Segurança: essa foi uma das sensações que tive ao entrar naquele local, tão desconhecido até então e que ficaria na minha memória pelo resto da vida. O segundo andar eram os quartos, por isso, o casal deve subir e descer junto. A mulher manda no local, se você quiser se envolver com alguém, a mulher que precisa dar o primeiro passo, seja para conversar, olhar ou tocar. Verbos que logo depois eu descobriria que são muito usados. Ver e ser visto. Participar, tocar, olhar, falar. Tudo faz parte de um grande jogo sexual e erótico. Lembre-se sempre que a liberdade de escolha é um direito de todos, portanto, esteja preparado para recusar ou ser recusado, perder e ganhar, dizer sim e dizer não. Tudo isso faz parte do jogo.

No andar de baixo ficam o bar, sofás, pufs e uma pista de dança. Entrei, bebi um drink e comecei a olhar. A infraestrutura do local é incrível, tudo mega organizado, limpo e… Normal. O nosso preconceito faz com que imaginemos coisas loucas, mulheres peladas, gente se agarrando em qualquer lugar (pelo menos eu tava pensando isso, hahahah!). O primeiro andar me lembrou uma boate pequena. Casais se beijando, bebendo, conversando e olhando. Normal né?

Fomos para a pista, que é pequena pois possui um palco com pole dances. No plural porque eram mais de 3 e um canto com “grades”, em formato de gaiola. O show ia começar! Entraram então duas strips femininas. E não é strip à lá “Magic Mike” não. Strip total e absoluto. Depois das mulheres, um homem entra com uma vibe mais sadomasoquista, correntes, chicote e tudo mais.

Ali o clima era de música, erotismo e pegada. Sim, tem muita mão, muito toque e muito erotismo, mas no andar de baixo, nada de sexo explícito. Vi de tudo. De casais mais velhos, a casais novos. Baixos, magros, gordos, altos, bonitos, feios (segundo meus padrões)… O público era muito variado, o que é bacana se você pensar na proposta do local.

quenemmocinha- swing

Sim, conversa rola. O famoso “oi, tudo bom?”, “esse é o fulano, meu marido” “e vocês, são casados?” “Já vieram aqui ou em outra casa?”. Tá liberado fazer amizades, beber todas, dançar junto e falar da vida.

O tal do segundo andar

Depois do show, resolvi subir para ver o que realmente é a base das casas de swing. A 2 a 2 tem dois quartos escuros: um é mesmo totalmente dark, que você precisa ficar um tempo para se acostumar com a visão e entender o que está acontecendo. O outro é mais escuro que o nromal, com espelhos e lugares diversos – cama, poltrona, pole…. Cada quarto fica na ponta de um corredor. Algumas casas possuem quartos com buracos, os famosos glory holes. Para quem não conhece, essa “técnica” permite que você toque ou seja tocada sem ver quem é a outra pessoa do outro lado. E, sim, isso inclui fazer/receber sexo oral e até mesmo penetração. Não cheguei a ver isso na 2 a 2, posso ter “perdido” essa parte no meio da escuridão.

No corredor que liga os dois quartos escuros ficam os  quartos privados (básicos, com cama, espelho e tranca) e uma luz vermelha. Essa parte me irritou um pouco, acho que luz vermelha dá uma meio vibe prostíbulo. Mas, né, o importante no local era entrar no clima. Sabe quando você vai conhecer uma cultura nova e antes de julgar, tenta entender? Algo mais antropológico? Então, continuamos o texto com isso em mente – vivenciar uma antropologia sexual. Um momento único e muito diferente de tudo.

O quarto  escuro era como ser teletransportado para um filme pornô. Era uma cama com diversos casais, fazendo sexo. Ou um a um, ou menage, ou suruba. E ai que a brincadeira dos casais começa! Você pode apenas olhar e se relacionar com seu parceiro – a visão de outros casais é considerada um estimulante para muitos. Pode olhar e escolher mais uma solteira para participar do casal. Ou pode escolher um outro casal e fazer um swing em si. Ou, quem sabe, escolher mais que um casal para fazer uma orgia. Se você é um casal liberal e o seu parceiro ou parceira não se importa, e você quer, pode se relacionar com outros casais e o outro assistir.

Existem inúmeras formas de “encaixe” nessa brincadeira sexual. Cabe a imaginação e aos desejos de cada um, ou do casal. O que entra a dica º 3: Se estiver começando, vá em dois. É mais seguro e confortável. Não precisa ser com parceiro fixo, pode ir com aquele contatinho que você tem mais intimidade. Está liberado de tudo, claro que sempre com o consentimento do outro. Como a maioria do publico é de casais, o sexo pode ser algo 110% físico ou mais sensível. Digo isso, porque era muito claro quando os casais já se conheciam a muito tempo e sabiam exatamente o que o outro queria e o que o casal gostava. Assim, como diversos casais queriam apenas a troca de parceiro e a busca pelo novo.

Casa de swing não é bagunça

As casas de swing são lugares para casais e mulheres solteiras se relacionarem sexualmente, mas tudo é feito com muito respeito e consentimento. Um não será sempre um não. Só faça o que você sentir vontade e sem pressão nenhuma. Camisinha em todos os casos! Essa dica é do local e do blog, mocinhas. Sexo seguro e com proteção sempre. Não é porque o local tem muitos casais, mais velhos e casados há anos que você pode descuidar, ok? Vamos curtir e aloprar, mas dentro dos limites seguros de um sexo com desconhecido, por favor. Delicadeza na hora de falar e tocar (a menos que você goste de algo mais hard, mais uma vez, apenas com o consentimento do casal). Se quiser saber mais, leia esse post.

Caso você se interesse por um swing é só escolher um casal que agrade a você e seu parceiro. Cheguem perto, conversar, tocar e ai escolher um quarto privado e se divertir. Ou se não se importam, ou querem, fazer no dark room. Há muitos casais que vão para as casas de swing apenas para olhar e terminam se relacionando com os próprios parceiros. Sem problemas também. O quarto privado tem tranca e funciona como um mini quarto de motel. 😉

Quando fui para o segundo andar e passei pelos quartos privados, um casal estava transando de porta aberta. Outro fetiche: ser visto. Muitos casais sentem tesão em transar e ser assistido. Na hora, congelei. Pode olhar assim? A resposta é sim, eles não deixaram a porta aberta porque esqueceram. Você pode olhar, mas só pode entrar na brincadeira se for convidado.

Nunca, nunca, nunca, em hipótese alguma, entre para participar de um ato sem ser chamado, conversado e acordado antes. Até uma piscada de olho e um aceno na cabeça podem ser convites, mas você precisa ser convidado.

quenemmocinha- swing

No andar de baixo, não pode nada explícito – mas rola muita mão, beijo e pegação. A casa tem um carro, que você pode entrar com o parceiro. O segurança pergunta se vocês querem privacidade ou não. Se sim, fecha uma cortina, se não, todos que passam podem olhar.

Resumo da noite: A casa é um lugar incrível, super seguro, limpo e organizado. Se você tem curiosidade de visitar para ver como é, ou quer ver algum show erótico, pensa em trocar de casal ou quer achar uma mulher solteira para um menage. O lugar é perfeito. Mas a minha dica é: vá sem tabus e pré-conceitos estabelecidos. Todos ali querem algo além da “putaria”. O swing é uma proposta muito comum e usada por muitos casais para apimentar a relação e deve ser visto assim. Respeite a mulher ou o marido do outro casal como você gostaria de ser respeitada. Se você é ciumenta ou possessiva com seu parceiro (a), a dica é ir com cuidado.

Vale ver, ser vista, fazer sexo ou não. Participar de novas experiências, curtir uma noite diferente e apimentar as coisas. Lembre-se que ali é o local onde você pode realizar seus desejos, fantasias sexuais e fetiches. Tudo na segurança, com camisinha e combinado com seu parceiro. Divirta-se, se solte, solte sua imaginação e fique tranquila, ninguém vai estar te julgando ou recriminando. E se você acha que vai ficar travada ou tensa na primeira vez, relaxe, muita gente ali também está conhecendo a casa pela primeira vez e não vai julgar se você não quiser fazer nada e só olhar; ou ficar grudada no seu parceiro (a).

Como eu gosto de reforçar – trate o outro como gostaria de ser tratada – delicadeza, respeito e sem julgamentos nenhum. Simples assim! Ah, boa diversão! 😉

Deixe uma resposta