Um mês sem a pílula anticoncepcional

Há um mês, eu decidi parar de tomar a pílula anticoncepcional – o que me rendeu muitos olhares arregalados e frases como “você não tem medo de engravidar?”. Engraçado que, em um mundo com tantos métodos contraceptivos, apenas dois podem ser utilizados ou foram feitos para o homem (a camisinha e a vasectomia) e ninguém os julga caso eles não queiram usar nem um, nem outro. Porém, quando a mulher decide parar de se prevenir (pelo motivo que seja), ela passa ser a única responsável pela gravidez. Além do mais, as pessoas acham que o anticoncepcional só serve para fins contraceptivos. Bem, uma coisa é certa: um mês depois de jogar a cartela no lixo, descobri um corpo totalmente novo. Claro que não é algo fácil largar a pílula, ainda mais com uma sociedade nos dizendo que é dever da mulher (e só dela) evitar a gravidez. As pessoas ignoram que nenhum método contraceptivo é 100% eficaz e que, para fazer um filho, são necessárias duas pessoas. Eu comecei a tomar a pílula antes mesmo de começar a fazer sexo, não só porque eu já queria me prevenir, mas também por questões hormonais. Eu tinha muita cólica e meu fluxo era muito grande, o que me incomodava bastante, mesmo sendo algo natural. Mas, conforme crescemos, também fomos ensinadas que nosso corpo é nojento: nossos pêlos são grosseiros, nosso odor não é agradável, nosso gosto é ruim… Eu parei com o anticoncepcional há mais de 30 dias, pouco tempo se comparado os quase 1825 dias que eu colocava para dentro do meu corpo doses extras de hormônio. Mesmo assim eu já notei uma grande diferença. A primeira vez que eu menstruei depois de parar com a pílula foi como se eu tivesse 12 anos de novo. Outra coisa que mudou muito durante esse período foi minha libido, que aumentou absurdamente. Foram cinco anos com ela lá embaixo, mas eu achava que era normal, já que muitas outras mulheres relatavam que sentiram a mesma coisa depois que começaram a tomar o anticoncepcional. Eu ainda tinha a vontade de transar, mas, tirando poucas ocasiões, não era aquele fogo. Agora, meu corpo está muito mais sensível, o que é uma resposta a falta dos hormônios. Para entender melhor essa e outras mudanças, eu fiz algo importantíssimo e obrigatório caso você queira parar com a pílula: eu fui ao ginecologista.  Ele não tentou me convencer a voltar para o anticoncepcional, mas eu percebi que ele achava que a pílula era a salvação feminina. Quando eu expliquei meus motivos, ele disse algo muito importante: não é comum a libido cair quando você começa a tomar o anticoncepcional. Então, se você sofre disso, vá ao seu médico e converse com ele sobre trocar por uma pílula com menor dosagem de hormônios, ou até mesmo para a mini pílula. Outra coisa importante: a partir do momento que você para de tomar o remédio, você já corre o risco de engravidar. Não importa por quanto tempo você tomou a pílula, ela não cria um “escudo” no seu útero. Então, se você não usava camisinha porque tomava o AC, lembre-se: parou com o anticoncepcional, use camisinha. Na verdade, a camisinha é para ser usada não importa qual outro método contraceptivo você escolher. É o único meio de evitar as DSTs. Mas só a camisinha não era o suficiente para mim, porque eu morro de medo de que ela estoure ou coisa pior. Então, ele me indicou o DIU. Para quem não sabe, o dispositivo intrauterino (DIU) é inserido no útero pelo ginecologista e dura entre 5 e 10 anos. Ele deixou de ser usado porque, nas décadas de 80 e 90, eram comuns os casos em que as mulheres engravidaram mesmo usando o esse método. Porém, ele voltou a ser bastante usado de uns anos para cá, por ser um método contraceptivo livre do risco de trombose e de longa duração.  Existem dois tipos principais de DIU: o de cobre, que não possui hormônio nenhum, e o de hormônio. Como eu parei com a pílula justamente porque eu queria evitar as doses extras de hormônios, optei pelo DIU de cobre, que é 99,2% eficaz contra a gravidez (o de hormônio é 99,8%). Mas não é só escolher e acabou: é necessário fazer um ultrassom para saber se a mulher tem pólipos e miomas uterinos – nesses casos, o implante pode não ficar bem adaptado. Depois, se estiver tudo ok, tenho que marcar uma consulta para ele colocar o implante. Só um médico pode colocar o DIU, ok? E é recomendado que ele seja colocado enquanto a mulher estiver menstruada para causar menos desconforto. Ele custa, em média, 300 reais, mas está disponível no SUS. Eu resolvi comprar na farmácia e depois ir no médico por questão de confiança, mas mesmo assim achei um preço justo – ainda mais se for levado em conta que eu gastava mais de 200 reais por ano com AC, e o DIU você muda entre 5 e 10 anos. Até lá… Eu vou voltar com a pílula. Na verdade, vou tomar a mini pílula, que não tem estrogênio. Tomei essa decisão por dois motivos: 1) assim eu vou saber certinho quando estarei menstruada para poder marcar a consulta e 2) medo. Não me sinto totalmente confortável transando só com camisinha e se sentir confortável é essencial nessas horas. No fim, tudo se resume a fazer aquilo que te deixa mais confortável e tranquila com o próprio corpo. Então, se você quiser parar com o anticoncepcional, pesquise, leia e fale com seu médico. E, é claro, lembre-se: seu corpo, suas regras. 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