A tal ditadura do orgasmo

Quando escrevemos sobre determinados assuntos, temos sempre que ler muito sobre. Analisar pontos de vista, entender novas teorias, estudos e achismos de diversos meios. Por isso, o texto de hoje vem de encontro com um outro texto muito bacana que li essa semana, sobre a ditadura do orgasmo.

O que isso quer dizer? Vamos explicar! Sabe aquela famosa frase, “nem 8 nem 80”? Então, a ditadura do orgasmo é quando a mulher acha que precisa gozar para estar satisfeita no sexo, quando muitas vezes ela já teve outras inúmeras estimulações sexuais durante o ato e o gozo em si não é uma necessidade. Afinal de contas, de acordo com o texto, diferentes sexólogas explicam que mulheres e homens possuem respostas diferentes ao estimulo sexual. Por exemplo, o tempo de reação, a frequência do gozo e até mesmo o desempenho pós.

Lado A

Li, reli o texto e concordo com muitos pontos. Não devemos ficar paranoicas durante o sexo, pensando que temos que gozar, que só assim teremos um sexo bom, que precisamos ter esse momento do orgasmo para que o homem saiba que estamos gostando. Até porque todas nós sabemos que se pensar muito e ficar buscando o orgasmo a todo custo, ele não vem, demora e ficamos frustradas.  Então, pensando por esse lado, devemos dizer “não” obrigatoriedade do orgasmo. Todas as mocinhas aqui já devem ter tido sexos bacanas, gostosos, sem aquele orgasmo absurdo.

Toda mulher já se sentiu estimulada o suficiente, chegou no quase, mas por algum motivo não foi. Que atire a primeira pedra quem na hora não pensou “droga!”. Normal! Mesmo conhecendo muito o nosso corpo, às vezes o orgasmo não chega. É disso que o texto sobre o fim da ditadura do orgasmo fala. Tá ok não gozar, mesmo sentindo muito prazer. O sexo envolve muito mais que um orgasmo! Sim e com certeza!

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Mas isso só pode ser visto como normal se o prazer do ato sexual for sentido por completo, se a mulher se sentir realizada mesmo sem o gozo. Concordo que não devemos buscar a linha de chegada sem curtir a corrida, mas até onde os textos como esse, que trazem normalidade a falta do orgasmo feminino podem novamente nos bitolar?

Lado B

Como nós adoramos fazer… Vamos trazer a outra face da moeda. A questão é: Será que em uma sociedade onde o prazer da mulher não é visto, não é buscado e muitas vezes é completamente esquecido, não cabe a nós buscarmos sim o nosso orgasmo a qualquer custo? A mulher não goza durante o ato porque não se conhece? A mulher não atinge o orgasmo porque se pressiona demais ou porque, como o texto defende, já teve outros tipos de estimulo e não precisa de mais?

O gozo sempre foi o auge do ato sexual, a liberação de um desejo, de um prazer. Vibradores que prometem orgasmos em segundos. Um mercado erótico preparado para fazer a mulher se conhecer e atingir o clímax. Então porque não vivê-lo?

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O orgasmo feminino era visto como algo raro, difícil. As mulheres achavam que não conseguiam gozar (muitas porque não se conheciam); os homens que se o ato estava bom, o gozo feminino era um “a mais”. Com todo esse momento de libertação feminina (que agradecemos todo dia!), as mulheres passaram a se tocar, se conhecer e a buscar o prazer na cama. Os homens começaram a querer que suas parceiras tenham orgasmos. E com isso o sexo passou de um prazer de um para um prazer a dois!

Sim, muitas mulheres tem orgasmos, mas mesmo assim se sentem insatisfeitas com a relação sexual. Acontece! Por isso, o texto trata muito de relacionamentos longos. Em que muitas vezes a mulher é estimulada de outras maneiras e não necessariamente chega ao orgasmo. Mas ai eu me pergunto e levo a pergunta a vocês: você estar com um parceiro que conhece seu corpo, suas preferências e suas vontades e mesmo assim você não atinge o orgasmo – será que isso realmente é normal? Será que não está na hora de vocês se entenderem melhor na cama?

E então? 

Não sou sexóloga, estudiosa e estou anos luz de querer discutir com alguém do meio sobre o assunto. Mas falo como mulher e como jornalista que está sempre se questionando. Será que ao invés de relaxarmos com essa não ditadura do orgasmo, não devemos buscar esse climax de uma maneira saudável? Como disse lá em cima, nem 8 nem 80, certo?

O que fica em ambos os textos é: vamos nos analisar, mocinhas! Conhecer o nosso corpo, saber que podemos sim ter orgasmos prazerosos e como chegar lá. E sim, ir para o sexo com a cabeça aberta e relaxada. Sem cobranças! Se o orgasmo chegar, ótimo! Se não, perceba se foi algo com você, com seu parceiro ou com o ato sexual em si. Não gozar é normal, mas não deve virar um hábito. Não se acostume com a falta de orgasmo, com o sexo em que o parceiro não se empenha para o seu gozo e que o prazer dos dois não é posto como meta.

Alguns homens tendem a achar que nós mulheres temos que reproduzir na cama o que os filmes pornôs mostram. E muitas vezes, nós mulheres criamos dentro de nós uma cobrança pelo sexo pornô, gritos, orgasmos, e ai a falta de orgasmo gera uma frustração enorme. Esse é um ponto levantado na matéria que faço questão de colocar no texto.

Mocinhas, não se sintam pressionadas a terem orgasmos múltiplos e se não tiverem orgasmos, tudo bem. Mas busquem sempre entender o seu corpo, suas vontades, Busque parceiros (as) que pensem no ato em si, curtam cada momento e que tenham como meta o orgasmo. Se rolar, ótimo! Se não, que tal tentar de novo outro dia? 😉

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