Sou virgem, mas quero transar: a primeira vez

Eu adoro quando vocês mandam perguntas! É sempre bom receber as dúvidas de vocês e tentar ajudá-las da melhor forma possível. O post de hoje é sobre algo que muitas de nós já passaram — e, se você ainda não passou, é provável que esse momento chegue: a temida primeira vez. Uma leitora nos mandou a seguinte pergunta:

Tenho 23 anos e sou virgem….
Parece bizarro, tão velha e nada….
Agora estou namorando e imaginem minha aflição….
Meu namorado quer transar e eu quero, mas tenho muito medo…

Chegou a hora de ajudá-la! Vem com a gente?

 Antes de tudo…

Desde pequenas,  somos quase esmagadas por cargas culturais — principalmente quando se trata do nosso corpo e sobre a forma como expressamos nossa sexualidade. Por isso, muitas mulheres acabam com uma série de neuras e inseguranças em relação ao modo como as pessoas nos veem. Atire a primeira pedra quem nunca se olhou no espelho e pensou “mas como vão se sentir atraído por isso?”. Por isso, é normal sentir medo nessa hora: medo de não agradar, de não saber o que fazer, de não excitar a outra pessoa… Vai ser muito difícil ficar totalmente livre dele, então só nos resta achar meios de driblar esse sentimento.

E outra coisa super importante de esclarecer: vamos cortar esse papo de “tão velha”, ok? Não existe idade correta para deixar de ser virgem — mas, é claro, é importante certa maturidade e desenvolvimento corporal. A primeira transa só tem que acontecer quando você estiver tranquila, preparada e segura do que está fazendo.

Preparativos

1. Conversem!

Comunicação é tudo em um relacionamento. Ele sabe que você é virgem? Se não, fale com ele; muitos homens se sentem “intimidados” em ser o primeiro de uma mulher. Conversem sobre como vai ser, possíveis lugares e questões que podem te deixar desconfortável. Se você não se sente confortável em falar com ele sobre isso, talvez seja sinal que você não está preparada. Intimidade é essencial na hora do sexo, tanto na primeira vez, quanto na segunda, terceira…

2. Ambiente

Spoiler alert: não existe “lugar perfeito” para transar, ainda mais quando se perde a virgindade. Varia muito do clima do casal, se foi combinado ou não. Se vocês preferirem e não se incomodarem com um “acordo prévio”, podem ir em um motel — que não é esse bicho de sete cabeças. A casa de um dos dois, se estiver disponível, pode ser uma boa opção, já que é mais aconchegante e mais pessoal do que um quarto qualquer. Mais uma vez: conversem sobre suas preferências, só assim vocês vão achar um lugar bacana. Só fiquem atentos, ok? Nada de pararem o carro em um acostamento qualquer no meio da madrugada, ou algo do tipo. Como é a sua primeira vez, o risco de ser pega pode atrapalhar em vez de contribuir para a excitação — fora que, se vocês forem pegos, podem ser presos, já que  sexo em público é crime.

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“Vocês vão querer tirar suas roupas e se tocarem”

3. Já falou com seu ginecologista hoje?

Você quer transar, ele também. Isso indica que tudo está praticamente certo para o grande momento. Só que, antes de pensar em qual lingerie usar, que tal marcar uma consulta com seu ginecologista? Ele ou ela podem tirar todas suas dúvidas e orientar sobre todos os métodos contraceptivos. Depois que você perde a virgindade, deve voltar ao consultório e realizar o preventivo, também conhecido papanicolau. Como você era virgem, não podia faze-lo antes, já que, no exame, é introduzido um espéculo (vulgo “bico de pato”) no canal vaginal para expor o colo uterino para inspeção. Parece ruim, e é um pouco incômodo, mas é super necessário para conferir se está tudo certo com seu corpinho sensual.

4. Relaxa e… 

Bem, vocês já sabem o resto da frase. Sei que é uma situação que, para muitas pessoas, é especial e que nós sentimos que temos que agradar. Mas, outro spoiler alert!, não vai ser perfeito. Tente apagar da sua memória os pornôs onde a mulher é a rainha do contorcionismo e que goza em três segundos. O sexo da vida real é diferente, cada um tem o seu tempo e, na primeira vez, tempo é uma das coisas que mais importam. Vão com calma, sem pressa. Acima de tudo, relaxe: a vagina é elástica e, em situações normais, não oferece resistência. Porém, quando estamos tensas, nossas “amiguinhas” enrijecem tanto a musculatura que o pênis encontra dificuldade na penetração, o que gera desconforto e até mesmo dor para ambas as partes.

Hora H

Vocês já conversam, decidiram o lugar, você conversou com seu médico e está segura de si. Chegou, então, o grande momento!

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1. Preliminares

Antes da penetração, vem as preliminares — bem, pelo menos deveriam vir, se não for uma rapidinha. Se o seu namorado mal tira a roupa e já coloca a camisinha, tá na hora de instalar o Tinder e trocar de boy. As preliminares são super importantes para “preparar” o corpo e deixar o casal na mesma sintômia. É nessa hora que vocês podem explorar o corpo um do outro, e eu sugiro curtir cada momento. Para nós, mulheres, é mais importante ainda, já que demoramos um pouco mais para “entrar no clima” do que os homens; e essas “brincadeiras” fazem com que nós ficamos excitadas e, assim, mais lubrificadas, o que ajuda na hora da penetração.

2. USEM A DROGA DA CAMISINHA!!!!

Não é porque você nunca transou que está livre de pegar alguma doença sexualmente transmissível ou de uma gravidez. E a camisinha é o único método contraceptivo que previne as DSTs, então nada de achar que, só porque você toma anticoncepcional, pode deixar o preservativo de lado. Ele deve estar presente desde o início da penetração e até mesmo do sexo oral — sim, você pode pegar alguma doença só usando a boca. Infelizmente, existem homens que vem com um papinho para não usarem camisinha, então cuidado! Sugiro sempre levar um preservativo na bolsa e, se ele se recusar a usar, se recuse a dar, simples assim. Nenhuma transa vale o risco de pegar alguma doença ou de uma gravidez indesejada.

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3. Posição

Mesma regra do lugar: não tem posição perfeita para a primeira vez. Porém, eu sugiro o bom e velho papai e mamãe: ela é simples, não requer grandes esforços e é bem gostosa, porque tem muito contato e é possível beijar e olhar o seu namorado durante o ato. Deixem para tentar as trocentas posições do Kama Sutra mais para frente.

4. Sangra? 

Eis o grande medo.

Sim, você pode sangrar — mas isso não significa que o hímen se rompeu. Ao contrário do que muitos pensam, o hímem é pouco vascularizado (ou seja, tem poucos casos sanguíneos, mal podendo sangrar) e não tem terminações nervosas. O seu rompimento mal causa dor — na verdade, você nem percebe.

O sangramento, que não ocorre com todas as mulheres, está relacionamento ao não relaxamento do assoalho pélvico e ao “colamento” natural das paredes do canal vaginal da virgem: antes da primeira penetração, o canal vaginal é quase colado. Fatores como ansiedade e medo também podem ajudar. De qualquer maneira, é pouco sangue, bem diferente da menstruação, e não sai em jatos. No máximo, é uma pequena mancha no lençol. Se você achar que está sangrando mais do que deveria, pare o ato na hora e marque uma consulta no ginecologista o mais rápido possível.

E depois?

Depois, vida que segue. As pessoas não vão te olhar estranho, nem vai ter um sinal na sua cabeça que diz “não sou mais virgem!”. Talvez você mude a visão que você tem de si mesma, o que é normal. O importante é frisar que perder a virgindade não é um fator decisivo. E você também não pode pensar que o resto da sua vida sexual será igual à primeira vez: o mais comum é que a mulher não tenha orgasmos na primeira transa. Isso porque, para chegar lá, você precisa estar super de boas e relaxada, o que é difícil na primeira transa. E sem neuras sobre o seu “desempenho”: você não precisa saber tudo de cara — se ele espera isso de você, ele é um babaca. Ninguém nasce sabendo, ainda mais sobre um assunto que 1) requer prática e 2) ainda é super carregado de tabus.

2 comments

    • Thayanne Porto
      Thayanne Porto says:

      Oi, Polyanna.

      Gardnerella é uma DST sim. O médico não te passou nenhuma informação? Você deve procurar um ginecologista o mais rápido possível. A infecção é de fácil cura, então pode ficar tranquila.

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