Um olhar por dentro da Sociedade Secreta do Sexo

“Preto e branco. P&B ou, na linguagem oral, pebê. Assim são chamadas, por quem acha que um casal é pouco quando se trata de sexo, as pessoas adeptas da monogamia convencional. Apenas os swingers e libertinos são coloridos. O resto da população reside numa zona repleta de tons de cinza, mas sem nenhum amarelo, azul ou vermelho. Os coloridos têm lá seu método para reconhecer os semelhantes. É como se, ao se iniciar no sexo liberal, o sujeito recebesse uma lente que o permitisse distinguir seus pares coloridos do resto do mundo – repentinamente esmaecido até ficar P&B”.

É assim que começa o livro Sociedade Secreta do Sexo, publicado em 2014 pelo jornalista Marcos Nogueira. Você está pronta para entrar nesse mundo? 

Como tudo começou

Sociedade Secreta do Sexo foi lançado só em 2014, mas a obra começou a ser produzida em 2009. Na época, Marcos Nogueira trabalhava na VIP e foi para a primeira festa organizada pela Madame O no Brasil. O resultado foi a matéria “A Melhor Orgia do Mundo“, que retratava uma orgia de luxo inspirada no filme “De Olhos Bem Fechados”. Para quem quiser ter um gostinho, é só apertar play:

Na festa paulistana, o uso de máscaras era obrigatório – as roupas, opcionais a partir da meia-noite. Na reportagem e no livro, o jornalista tenta pintar  como são os espaços reservados para essas orgias de luxo. Ainda bem: para nós, reles mortais que provavelmente nunca seremos convidados, não é fácil ter uma noção clara de como funciona esse tipo de festa. Pode ser mais tranquilo para quem já visitou uma casa de swing, sempre levando em conta que as proporções são menores e menos elitistas. Foi em um casarão na parte chique de São Paulo que Marcos Nogueira se iniciou nesse mundo recheado de luxo e perversão.

 Sobre o livro

Para escrever Sociedade Secreta do Sexo, Marcos participou de oito orgias particulares (mais uma depois da conclusão do livro) e visitou dez casas de swing. E quando eu digo “participou” não quero dizer que ele transou com ninguém nesses lugares. Como ele mesmo diz no livro, o voyeur (pessoa que apenas observa estímulos sexuais ou o próprio ato sexual praticado por outros) é parte fundamental do swing. É a figura que alimenta a fantasia do exibicionista (quem gosta de fazer sexo em público). Se você acha esses termos muito confusos, não se preocupe. Logo no início do livro tem a explicação das palavras mais usadas no meio.

Durante a pesquisa, o jornalista ganhou alguns carimbos no passaporte. Foram três dias em um resort para swingers no México e viagens pela Europa para acompanhar o “circo” da Madame O. A palavra “circo” não é à toa: ela é usada para representar a trupe de artistas que são contratados para “animar” as festas. Eles performam cenas eróticas, que vão desde um burlesco delicado até sadomasoquismo. O objetivo é estimular os convidados a deixarem de lado a social e partirem para a ação.

que nem mocinha - sociedade secreta do sexo - máscaras

Curiosas para entrar nesse mundo? Sinto informar que a entrada nessas orgias de luxo não é tão fácil assim. Só entram casais, selecionados pelo porte e aparência e dispostos a pagar uma grande quantia. Na época que o livro foi lançado, o ingresso de uma dessas festas podia custar até 500 euros por casal. Fora a hospedagem e passagem de avião para chegar até os lugares, divulgados poucos dias antes do evento para evitar curiosos. Nas casas de swing, a entrada é mais fácil (e menos pesada para o bolso). De modo geral, todos podem entrar – salvo homens solteiros, que são barrados dependendo do local e do dia. Uma vez dentro, a regra principal é fazer só o que foi consentido. Swing não é bagunça e você não pode fazer o que quiser. Saiba aceitar o “não” do outro, lição que vale para todos os aspectos da vida.

Considerações finais

Se você for comprar esse livro esperando cenas picantes à lá 50 Tons de Cinza, melhor nem abrir a carteira. A proposta não é essa, e sim mostrar como funciona esse mundo. Sim, você vai encontrar algumas descrições mais explícitas – afinal de contas, ele tem que explicar -, mas nada muito exagerado. Sociedade Secreta do Sexo tem o objetivo de abrir a cabeça das pessoas, explicar que swing não é bagunça e que as pessoas que gostam de trocar de parceiros são gente como a gente. Pode ser o seu vizinho, professora da faculdade ou algum membro da sua família. Leia sem preconceitos e eu te garanto que você terá uma visão muito mais colorida do mundo do sexo.

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