Sobre Carnaval, folia e pegação

Fevereiro é mês do Carnaval — e tem quem ame e odeie tudo o que esses dias representam. Esse texto é mais para os foliões, para o pessoal que pula de bloco em bloco, jogando confete e arrasando nas fantasias. Como essa época também é conhecida pela pegação (inclusive, é um dos atrativos da data), pessoal aproveita o clima no ar para trocar olhares, beijos e muito mais. Só que sempre tem aqueles que acham que, por ser Carnaval, todo mundo que tá na rua tá “para jogo” e já chega agarrando – sem contar as cantadas, objetificação sexual e por aí vai. Apesar desse texto ser focado em quem curte essa época, todo mundo deveria ler, já que eu vou falar sobre algo que importa o ano inteiro: consentimento.

Quase toda mulher que já foi para bloco passou pela seguinte situação: o cara puxa pelo braço, já coloca a mão na cintura e, em alguns casos, até mesmo agarram e já saem beijando sem mesmo saber se a garota está interessada. Afinal, para eles, mulher que curte Carnaval é “fácil”, “ta ali pra isso”. Acha exagero? Uma pesquisa de 2016 mostrou que quase metade dos homens acreditava que  mulheres que dispõem a desfilar em blocos de carnaval não podem ser consideradas mulheres “direitas”.

que nem mocinha - sobre carnaval, folia e pegação

Também tem aqueles que não conseguem ouvir um não, acreditam que a menina está fazendo “charminho”. Então, o que ele faz? Insiste. E não faz isso sozinho, já que macho escroto costuma andar em bando. No ano passado, eu estava em um bloco aqui no Rio. Como eu estava acompanhada de dois amigos, os dois homens, ninguém chegou em mim – porque se você está com outro cara, eles respeitam. Mas eles não te respeitam, eles respeitam o outro homem. Enfim. Eu estava no bloco quando uma cena chamou minha atenção. Uma menina estava conversando com um rapaz, e os amigos dele estavam ao redor, colocando uma pressão na garota, que estava visivelmente sem graça. Eles chegaram ao ponto de berrar “beija! beija”. A menina foi e ficou com o cara. Mas até que ponto ela realmente quis aquilo?

Se você tá curtindo o Carnaval, vê alguém que te interessa e vocês acabam se beijando, ótimo, beleza. Quero mais é que vocês sejam felizes – e usem camisinha, claro. Só que quando rola uma pressão, seja com um corinho escroto ou uma insistência que beira ao assédio, o cenário é outro. A palavra consentimento deve ser mega reforçada nessa época, quando acontecem vários tipos de abuso que nós, enquanto sociedade, consideramos normal. Afinal, é Carnaval. Só que não é bem assim, e todo e qualquer cara (ou mina) que não aceitar o seu não ou ficar enchendo o seu saco esperando que você “ceda” é um babaca. Babaca de marca maior, daqueles que você deveria deletar da sua vida. “Não” é “não” e isso deve ser respeitado.

que nem mocinha - carnaval - não

No ano passado, eu fiz um texto muito legal do qual eu tenho bastante orgulho: Você não tem que transar só porque ele é seu namorado – e essa regra vale para sempre. Para resumir ainda mais: você não é obrigada a nada, ainda mais em assuntos relacionados a outras pessoas. Isso significa que você não tem que ficar com alguém só porque está na balada, nem porque a pessoa está insistindo. Se você gostou de alguém, flertou, começou a beijar e depois não quis mais, você não tem que ir até o fim. Você tem todo o direito de interromper seja lá o que estão fazendo e dizer que não está mais afim. Isso não faz de você uma provocadora nem significa que você atiçou seu par. Significa, apenas, que você mudou de ideia. E não tem nada de errado nisso.

Então, meninas, aproveitem esse Carnaval sem medo de serem felizes. Saiam com as suas amigas, divirtam-se e, se quiserem, beijem muito na boca. É uma época muito divertida, até mesmo para quem gosta de ficar em casa, no bloco do Netflix. Vale tudo, só não vale fazer coisas contra sua vontade nem forçar ninguém a fazer nada que eles não queiram. Combinado?

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