Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

Depois do nosso post sobre endometriose, algumas leitoras pediram para nós tratarmos de outras doenças que atingem nós, mulheres. A Erika já falou sobre o mioma, e agora chegou a minha vez de falar sobre a Síndrome do Ovário Policístico, mais conhecida como SOP. Para isso, eu tive ajuda da incrível Bel Saide, que já nos ajudou nos nossos posts sobre pílula do dia seguinte e como lavar sua vagina do jeito certo. Ela é especialista em ginecologia natural, que é um movimento que resgata conhecimentos tradicionais das mulheres em seus cuidados íntimos, convida ao profundo autoconhecimento e conexão com seus corpos, e leva à autonomia, transformação e libertação. Ficou curiosa? Entra lá no site: http://ginecologianatural.com.br/

Sobre a SOP

A SOP é uma síndrome metabólica (que muitas vezes aumentam o risco de problemas cardiovasculares), caracterizada principalmente pela resistência à insulina. Lembra dela das aulas de biologia? É um hormônio fundamental para a nossa existência, produzido pelo pâncreas e que participa do metabolismo da glicose. Ela atinge 10% das mulheres em idade reprodutiva e é considerada a causa mais frequente de infertilidade em mulheres com anovulação crônica, ou seja, que não ovulam adequadamente. A SOP não é uma doença específica dos ovários e pode provocar outras doenças, como:

  • Obesidade

  • Hirsutismo (crescimento de pelos no rosto e outros locais em que a mulher normalmente não tem pelos)

  • Acne
  • Irregularidade menstrual devido a ciclos anovulatórios (aquele no qual os ovários falham em liberar um oócito, células que dão origem ao óvulo). Dessa forma, a mulher não ovula regularmente e pode passar vários meses sem menstruar (processo chamado de “oligomenorreia”)

que nem mocinha - sop - imagem

São várias sintomas, mas a mulher não tem que apresentar todos eles para que seja a síndrome seja diagnosticada. Também é importante dizer que não é porque foram identificados microcistos na região dos ovários que a mulher tem SOP. 

Como diagnosticar

A Bel contou que recebe várias pacientes no seu consultório que receberam o diagnóstico da SOP sem ter essa doença. Pois é! “Só porque fizeram uma ultrassonografia transvaginal e lá veio as seguintes letrinhas que nos deixam com bastante medo: ‘Observam-se microcistos nos ovários'”. Em muitos casos, essas mulheres não apresentam nenhum dos sintomas que a gente falou ali em cima e menstrual normalmente.

Então como rola o diagnóstico? A paciente precisa ter pelo menos dois dos sintomas, e que seja excluída outra patologia. Além disso, o médico deve avaliar a história clínica, realizar o exame físico e pedir exame de sangue.

A SOP e a infertilidade

Uma das dúvidas mais comuns em relação a SOP é se ela causa infertilidade. Como eu disse lá em cima, a síndrome é mesmo a causa mais frequente de infertilidade em mulheres com anovulação crônica. Porém (!), se a SOP é a única causa da infertilidade, as chances de gravidez aumentam muito depois da correção desse distúrbio. Lembrando que o tratamento ideal varia de acordo com a paciente, ou seja, o que funciona para mim pode não funcionar para você. o caso da infertilidade, o especialista pode lhe indicar a indução da ovulação. Também tem uma nova técnica, que está sendo cada vez mais usada: a aplicação de dois hormônios diferentes antes do procedimento padrão de Reprodução Assistida, que aumenta as chances de mulheres com ovários policísticos obterem uma gestação.

Só anticoncepcional “cura”?

que nem mocinha - sop - anticoncepcional

Muitos médicos passam o anticoncepcional como “cura” para a SOP, fazendo muitas mulheres “reféns” da pílula. Para Bel, isso é pura enganação: “Basicamente, o AC não cura porque não é uma doença dos ovários e sim uma síndrome metabólica. Ele faz o ciclo regular de forma artificial e, se a mulher parar com a pílula, os sintomas voltam”.

De acordo com a Diretriz Brasileira sobre a SOP, dieta e exercícios físicos representam o tratamento de primeira linha, melhorando a resistência à insulina e retorno dos ciclos ovulatórios, mesmo na ausência de perda de peso. Com o tratamento medicamentoso adequado, cerca de 50% a 80% das pacientes apresentam ovulação e 40% a 50% engravidam.

Ou seja: não é o fim do mundo ter SOP e anticoncepcional não é a solução para todos os seus problemas. Converse com uma médica de confiança e veja outras possibilidades de tratamento, ou use o AC se você se sente confortável assim. Qualquer dúvida, é só deixar nos comentários ou enviar para thayanne@quenemmocinha.com 😉

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