Sexo entre mulheres também deve ter proteção

Alô, mocinhas que se relacionam com outras mocinhas! Quantas de vocês usam proteção? Imagino que poucas, infelizmente. Um estudo feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostrou que apenas 2% das lésbicas se previnem durante o sexo para evitar as DSTs. E eu entendo que é difícil; vivemos um um mundo em que o pênis é personagem central do sexo. Mas nós, mulheres, temos que nos proteger. Por isso, esse texto é para pessoas que têm vagina e que transam com outras pessoas que têm vagina. Isso inclui lésbicas e mulheres bi cisgêneras e homens trans. As DSTs atacam sem discriminação, independente da sua orientação sexual ou identidade de gênero.  Não é exagero, ok? É sério: pesquisas apontam que entre 40 a 60% das mulheres que fazem sexo com mulheres já tiveram pelo menos uma DST. Entre as doenças mais comuns estão as as infecções vulvares e vaginais por fungo (mais conhecida por candidíase), bactérias intestinais e as vaginoses causadas por uma bactéria chamada Gardnerella Vaginalis. Esse não é o único número que nos preocupa. Atualmente algumas doenças sexualmente transmissíveis apresentam comportamento de epidemia, como o HPV e a sífilis. E já que estamos nesse assunto, não custa nada lembrar que o Ministério da Saúde ampliou a vacinação contra o HPV. Agora homens e mulheres entre 15 e 26 anos podem ser vacinados gratuitamente. Procure o posto de saúde mais perto e se informe! Gravidez indesejada não é o único risco de sexo desprotegido Como no sexo entre mulheres não existe aquela neura de gravidez indesejada, costuma-se pensar que não é preciso utilizar nenhum método de proteção. Mas não é por aí que a banda toca! Existe risco de contaminação sim, devido ao contato com a mucosa vaginal. É aquela velha história: colocar a boca naquilo, aquilo na boca, aquilo naquilo… Isso tudo pode transmitir doenças. Lembrem-se que sempre há risco de contaminação no contato entre mucosas e entre sangue. Isso inclui sangue de menstruação e brinquedinhos sexuais, ok? Vou falar mais sobre esse último mais para frente. Como se proteger das DSTs Eu já falei sobre essa maravilha que é a camisinha feminina. Ela tem a mesma taxa de eficácia que a masculina na prevenção de gravidez (98%), mas é mais eficaz na prevenção contra DSTs. Por abranger uma área maior da genital, como os grandes lábios, a camisinha feminina também protege do HPV e da herpes, que podem ser transmitidas pelo contato com a pele. Essa é a melhor forma de se proteger, mas você pode usar algumas gambiarras na hora H. Lá nos Estados Unidos, por exemplo, usa-se bastante o “dental dam”, vendido em lojas especializadas de odontologia. Se você conhece alguém que vai para lá, pode pedir para trazer. Outra opção é transformar as camisinhas masculinas em “dental dam”. É só seguir esses passos: Outra opção é a ORALSEX, calcinha protetora que serve justamente para o cunilingua (sexo oral feito na mulher). Ela tem uma fina camada de látex que protege e deixa passar o calor e sensibilidade do toque da língua. Você também pode se jogar nas camisinhas de língua, encontradas em várias cores e com elementos que proporcionam prazer extra. Além de vir com um elástico para fixar melhor, muitos modelos possuem pontos estimuladores. E eu não quero nem ouvir vocês reclamando que “é a mesma coisa que chupar bala com embalagem”. Se os dados que eu disse ali em cima não te convenceram, aqui vai outro. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o hábito de fazer sexo oral sem camisinha está produzindo e espalhando uma forma perigosa de gonorreia. Já temos preservativos com sabor e camisinhas ultrafinas para ninguém reclamar de saber ou que “não consegue sentir nada”. Eu sei que o contado com a pele é bom demais, mas não podemos colocar o prazer acima da nossa saúde. Cuidado com as mãos Não é só com a língua que vocês devem tomar cuidado! Antes de colar velcro, vá até o banheiro e lave bem as mãos. E já que estamos nessa vibe, aqui vai outra dica: corte as unhas. Esqueça aquele clichê de pornô em que as mulheres tem unhas gigantescas! Na hora da penetração, elas podem machucar, ok? Além disso, quanto mais curtinha for a unha, menos bactérias ficam acumuladas na região. Se vocês forem brincar de penetração, precisam tomar bastante cuidado. Vocês podem usar luvas cirúrgicas (aquelas que vendem em qualquer farmácia) ou alguma dedeira, que também pode vir com estimuladores extras. A regra que vale para homem x mulher vale para mulher x mulher: nunca penetre a vagina e o ânus com o mesmo preservativo. Você pode levar as infecções de um orifício para outro. A proteção também vale para os brinquedos sexuais! Vocês sabem que nós somos super a favor de brinquedinhos sexuais, mas eles também podem transmitir doenças! Para se proteger é bem simples: quando for usá-los, lembrem-se de usar também a camisinha. Isso vale para vibradores e plugs anais, ou qualquer item que será usado para penetração. Depois, lave com água corrente e deixe secar naturalmente. Cuidados além do sexo: procure uma médica de confiança Uma das maiores reclamações de mocinhas que transam com outras mocinhas é achar uma ginecologista que as trate de modo digno. Não podemos negar que vivemos em um mundo que desconsidera relações sexuais que não envolvam um pênis. Quando você vai em uma consulta ginecológica, é praxe a profissional achar que você transa com homens, e já passa pílula para evitar gravidez. Eu sei que esse tipo de tratamento é uma merda. Mas você não pode simplesmente deixar de ir! Precisamos saber se estamos com algum problema. Se examinem, procurem uma médica de confiança e exija um atendimento não-preconceituoso. Todos os médicos são obrigados a tratar os pacientes de maneira igual, independente da orientação sexual, cor de pele, etc. Se a ginecologista não aceitar o fato que você sente prazer com outras mulheres, isso pode dar até processo. Não tenha vergonha de quem você ama. Todas as formas de amor são lindas e devem ser respeitadas. Porém, sabemos que esse lindo cenário está longe de ser alcançado. Por isso, recomendo que vocês procurem outras mocinhas que se relacionem com mocinhas e peçam indicações de médicas. Se não conhecer ninguém ou não se sentir confortável conversando sobre esse assunto com pessoas próximas, não se preocupem. Existem iniciativas que abordam esses assuntos, como o Grupo Arco-Íris (RJ). Um dos projetos da ONG, que defende as causas LGBTQIs, é chamado “Laços e Acasos”, que trata sobre educação sexual.  Mocinhas, não tenham medo de se expressarem e de se protegerem! Não importa com quem você transa: sexo seguro é direito de todas! Você também pode gostar de…Stealthing: A nova moda que precisa ser combatidaO que a gente pensa das desculpas para não usar camisinhaEspecial Dia dos Namorados: RelatosCamisinha: Mitos e verdades Leia também: