50 de nós

Desde que tive a primeira informação sobre o ocorrido em Orlando fui preenchida por angústia, tristeza, desespero e medo. Foram 50 vítimas dentro da boate Pulse. O maior massacre ocorrido dentro do EUA, aconteceu numa boate LGBT, tão parecida com várias que existem na minha cidade e frequento com meus amigos. As boates são para muitos membros da comunidade LGBT, um dos poucos locais onde é possível se expressar livremente sem temer a vida. Infelizmente, Omar Mateen, decidiu acabar com a vida de quem tinha decidido apenas se divertir.

tumblr_o7aazo8XSK1vqg028o1_400

Não é difícil compreender o desespero da comunidade LGBT nesse momento. Ele decidiu que pessoas não heterossexuais não tinham direito a viver. No mesmo mês que os Estados Unidos celebra o orgulho LGBT. O momento em que pessoas da comunidade tem para se orgulhar e celebrar o direito de existir. Para ele, o direito de amar e ser amado são exclusividade de heterossexuais e cisgêneros. Ao contrário de que muitos tentaram argumentar, ele não odiava nada além da sexualidade delas. Não era religioso ao extremo. Era violento e maltratava a esposa. Era um homem. Completo de ódio e homofobia.

tumblr_inline_o8oxgrZydj1sxsn8i_540 (1)

“E isso foi um ataque a comunidade LGBT. Isso foi um ataque homofóbico”

A violência aconteceu porque existe a intolerância. Homens e mulheres morreram apenas porque Omar Mateen decidiu odiar a forma que elas viviam suas vidas. É a face mais trágica da cultura que exclui as minorias, é o capítulo final das muitas nuances diárias de homofobia. O extremo de situações que acontecem a todo o momento. Tudo isso entristece. E cansa.

Membros da comunidade LGBT são mortos na vida real e mortos na televisão. Apenas porque não querem nos deixar ter o direito de pertencer a sociedade. Ainda não podemos andar de mãos dadas com a pessoa que amamos, temos medo de falar para os nossos pais os nomes de quem estamos namorando, ir a público e dizer ‘sou gay. lésbica. bi. pan. trans’ sem medo, logo se assumir ainda é um ato de coragem. Porque existir é parte da resistência diária que enfrentamos num mundo homofóbico e perigoso.

Mas não podemos desistir. É fundamental lembrar que são atitudes que constroem um mundo melhor, mais igualitário, tolerante e respeitoso. É preciso lutar contra o preconceito nas ruas. Seja indo a parada gay, local de celebração da nossa existência, seja nos orgulhando de quem somos, resistindo contra o preconceito e lutando diariamente e democraticamente pelos nossos direitos.

Naquela festa, onde ocorreu o massacre, poderia ser eu. A verdade é que fomos todos nós.

 

Deixe uma resposta