Juliette Society e o poder de Sasha Grey

A ex-atriz pornô Sasha Grey enlouqueceu o mundo editorial ao lançar, em 2013, seu livro Juliette Society. Sim, nós sabemos: já foram lançados vários outros livros eróticos nesse meio tempo. Mas eles não têm o mesmo peso que esse – e vamos te explicar o porquê.

Só um aviso: o texto contém trechos do livro com grande conteúdo sexual. Se não se sente confortável lendo, melhor parar por aqui.

Primeiro: nenhum livro desse gênero é assinado por um nome tão poderoso quanto Sasha Grey. Ela já participou de 217 filmes pornôs em apenas 5 anos de carreira. Em 2008, ela se tornou a pessoa mais jovem a ganhar o AVN (Adult Video News, considerado o Oscar da indústria pornográfica) nas categorias “Artista Feminina do Ano” e “Melhor Cena de Sexo Oral” para uma cena. No ano seguinte, ela foi eleita a número 1º no ranking das 100 atrizes pornôs mais quentes na edição anual da revista Genesis.

Logo, se tem alguém que entende de sexo, é a Sasha (sim, já me sinto íntima). Por isso, quando eu soube que ela ia escrever um livro erótico, sabia que eu tinha que ter uma cópia. Uma amiga foi na sessão de autógrafos e descolou um para mim. Deixo aqui a foto para vocês morrerem de inveja antes de continuarmos:

juliette society

Suspiros eternos

Juliette Society conta a história de Catherine, uma personagem claramente inspirada na autora. Estudante de cinema, ela namora Jack e o relacionamento deles é como tantos outros: comum e em alguns pontos, clichê, mas que muitas podem se identificar. Jack não é nenhum mestre do sexo e Grey usa um termo excelente para descrever o personagem: diretor do próprio pornô. Sabe aquele cara que, quando transa, fica prestando atenção nos próprios momentos e, se tiver um espelho por perto, vai ficar se olhando para ver a própria performance? Pois é. Acho que muitas já conheceram um cara assim.

Um belo dia, Catherine conhece Anna e a vida da nossa querida protagonista muda completamente. Ela é apresentava a um novo mundo, um clube altamente secreto, cujos membros pertencem à alta classe. Eles são milionários, banqueiros, magnatas, CEO’s, todos unidos pelo poder, dinheiro e desejo. Catherine se vê no meio dessas pessoas e no centro de um jogo sexual incrível, que vai te deixar toda arrepiada. Recomendo ler com um copo de água gelada do lado, porque não é fácil.

A capa do livro diz que ele é o “próximo 50 Tons de Cinza”. Bem, E.L James que me perdoe – eu nunca li nenhum de seus livros -, mas Juliette Society está acima de qualquer livro erótico. Sasha Grey usa uma linguagem crua e direta para falar do sexo, não se importando com sentimentalismos ou eufemismos. Ela fala de sexo da mesma forma como o assunto é tratado em um filme pornô: direto, puro e extremamente excitante. Não acredita? Confira alguns trechos:

(…) Essas pessoas, os Executivos, e não vamos usar eufemismos, são fodedores profissionais. Eles vão te foder para trepar contigo.  Eles vão te foder para ficar por cima. Eles vão foder com o seu dinheiro, sua liberdade e seu tempo. E eles vão continuar te fodendo até você estar a sete palmos do chão. E então vão te foder um pouco mais (…)

Achou pouco? Tem mais:

Ele tira o pau da minha buceta e bate-o contra ela, cobrindo- com meu gozo branco e doce, para ficar bem molhado e engordurado e entrar com facilidade na minha bunda apertadinha. Ele coloca as mãos no meu bumbum para se equilibrar enquanto pressiona a cabeça do pau contra meu ânus. Ele se retrai de ansiedade. A cabeça do seu pau parece muito grande quando ele mete dentro da minha bunda. Deixo escapar um suspiro.

Tudo bem se você quiser parar para respirar um pouco.

E é isso que Juliette Society faz: tira seu fôlego. Além da parte sexual, que consome boa parte do livro, o enredo conta com um mistério que vai se desenrolando ao longo das páginas. Confesso que achei o final um pouco decepcionante, mas vamos combinar: ninguém vai ler esse livro com grandes expectativas sobre o mistério, né? Ainda mais porque essa não é a especialidade de Sasha Grey. Mas ela escreve bem, e acho que um pouco de prática ajuda nesse caso.

No campo sexual, o livro não deixa nada a desejar. Sasha Grey sabe muito bem conduzir o leitor por um mundo fantasioso e sexual. Em vários momentos, me vi na Catherine, totalmente encantada e seduzida pelas possibilidades.

Dentro e fora das câmeras, Sasha sabe atiçar homens e mulheres com suas palavras ágeis e um modo bem franco de falar sobre sexo. Espero que ela lance outros livros com a mesma temática, porque eu com certeza quero conhecê-las mais enquanto escritora. Enquanto isso não acontece, encerro esse texto com um pequeno momento de sabedoria:

“Você não deveria ter vergonha da sua sexualidade”

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