Qual o limite da beleza?

As frases ‘meu corpo, minhas regras’ ou ‘meu corpo, minhas escolhas’ são mensagens feministas que propagam liberdade individual e escolhas pessoais de cada mulher. Numa sociedade que julga as decisões das mulheres sobre seu próprio corpo, faz muito sentido difundir essas ideias. Afinal, é preciso compreender que os receptores dessas mensagens estão inseridos numa sociedade patriarcal que busca controlar os direitos individuais de mulheres. Não acredito ser possível viver numa sociedade igualitária quando os direitos e liberdade de pessoas do gênero feminino estão em jogo, mas foi impossível não questionar os limites das mudanças no corpo quando se fala na necessidade de se encaixar em padrões estéticos.

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Ao ler artigos que falam sobre o aumento do número de cirurgias plásticas íntimas feitas por adolescentes, no último ano houve um crescimento de 4.6%, fica perceptível que estamos distante de uma sociedade que abraça a diferença nos corpos. Nenhuma vagina é igual à outra, afinal cada pessoa é única e isso inclui órgãos genitais. Não existe corpo perfeito, existe estar perfeitamente satisfeito com seu próprio corpo.

Mudar o corpo para se satisfazer e demonstrar seu valor é algo comum a diversas sociedades, a existência de tatuagens e piercings há milênios comprovam esse fato. Agora, dizer para mulheres que todo o corpo dela precisa corresponder a um padrão estético social, de forma a fazer com que busquem cirurgias plásticas para sua vulva já me parece exagero. A ideia de modificar os lábios vaginais para se adequar a algo que acreditam ser modelo é algo muito complexo a ser decidido por mulheres entre 17-19 anos. Compreender que existem motivos de saúde que façam necessários a utilização de cirurgias na vagina e que, por isso, elas não causem grandes desconfortos ou danos as pacientes é algo maravilhoso. Porém, em que momento a sociedade começou a julgar o que seria correto em termos de tamanho, cor, formato da pele ao redor vulva?

Parece que a vontade de estar dividindo o prazer com alguém se tornou indiferente se não houver a perfeição do corpo feminino. Os pelos pubianos há muito tempo foram proibidos, os seios precisam ser redondos e perfeitos e, agora, os grandes lábios também foram padronizados. Desde quando o tesão de alguém se resume a forma do corpo do parceiro sexual? O toque, o carinho, a vontade de estar com alguém é muito maior do que a visualização de um modelo de sexualidade e corpo.

Se as produções audiovisual e publicitária são as maiores incentivadoras ao padrão feminino de beleza, aparentemente a indústria pornográfica é a responsável pela expectativa de uma forma correta de vagina. Fica então a importância de colocar mulheres no comando de produções audiovisuais (pornográficas ou não) ou em propagandas publicitárias que mostrem e enalteçam a beleza de diferentes corpos. Para mantermos assim a crença no prazer compartilhado, onde padrões não são necessários, apenas a vontade de satisfazer as vontades entre os envolvidos, indiferente de como cada corpo seja.

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