Corpo

Porque eu parei de tomar a pílula

Desde que eu me entendo por gente, ou melhor, por mulher, sabia que a sociedade considerava meu dever evitar a gravidez. Essa obrigação está tão enraizada que a maioria dos métodos contraceptivos foram feitos para as mulheres – além da camisinha, a única alternativa masculina é a vasectomia. Por isso, quando decidi ter uma vida sexual ativa, logo corri para o ginecologista para começar a tomar a tão famosa pílula. Cinco anos depois, resolvi que estava na hora de parar.

Essa ideia já estava rondando na minha cabeça desde o ano passado, mas não foi tão fácil assim me desapegar. Na conversa com as minhas amigas, já lia alguns depoimentos dizendo que a vida delas havia melhorado depois que elas pararam com as doses diárias de hormônio. O que me travava era o meu medo quase paranóico de engravidar: E se a camisinha estourasse? E se, dos 99% de eficácia, eu fosse aquele 1% vagabundo? A culpa cairia em mim, óbvio. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu (ou disse!) “a mulher só engravida quando quer”.

Pois bem. Esse ano, depois de passar por uns momentos bem complicados e com muitos questionamentos, cheguei à melhor conclusão que uma mulher pode chegar: a vida é minha e chegou a hora de eu cuidar de mim. Chegou, então, a hora da pílula ir para o lixo.

Durante esse tempo, passei a pesquisar mais sobre os efeitos que esse método contraceptivo tem no corpo das mulheres. É importante ressaltar, porém, que cada corpo é diferente – logo, as reações também vão ser diferentes. Tem mulheres que passam a vida inteira tomando a pílula da mesma marca, enquanto outras terão sérios problemas de adaptação. Antes de tomar a Siblina, eu tentei outra marca que me fez passar mal, com constantes enjoos e tonturas. Por isso, o mais indicado antes de tomar qualquer decisão, é ir a um ginecologista de confiança.

Quando eu comecei a ler relatos de mulheres que já pararam com a pílula, a maioria das decisões foram tomadas pelo mesmo fator que me motivou: a dose bizarra de hormônios ingeridos diariamente não poderia fazer bem ao meu corpo. Comecei a pesquisar mais sobre os prejuízos e me surpreendi com a quantidade de informação que os médicos geralmente não contam para as mulheres na hora que receitam a pílula. As únicas coisas que eu sabia era que o remédio pode gerar um aumento de peso e a queda de libido – mas essas são apenas as reações mais comuns. Além delas, a mulher corre sérios riscos de desenvolver trombose e existem relatos de até mesmo causar AVC. Relatos similares podem ser encontrados na página Vítimas de Anticoncepcionais. A favor da vida, fundada pela Carla Simone Castro, que teve trombose cerebral apenas seis meses depois de começar a tomar a pílula.

perigos pílula

Então, com o crescente medo de desenvolver alguma doença e a vontade de deixar meu corpo seguir seu curso natural, resolvi parar com a pílula. Esse post não é uma campanha para todas fazerem o mesmo: o corpo é de vocês e cada mulher deve fazer o que sente vontade. O objetivo é só lembrar que muitas outras alternativas estão aí, só basta procurá-las. Daqui a um tempinho, eu volto para dizer como eu estou.

Ps: Por enquanto, a única diferença é uma tarefa a menos antes de sair de casa. Já considero isso um lucro.

Thayanne Porto

Jornalista de coração, alma e diploma, encontrou nas palavras o melhor modo de se expressar. Feminista em eterna construção. Apaixonada por livros, séries, drag queens e sua gata Julietta. Acredita que a revolução pode (e deve!) acontecer de dentro para fora - e por que não dentro de quatro paredes? Quer mandar um e-mail? Escreva para thayanne@quenemmocinha.com

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