Pornô feminista: muito além do mito

Você está sozinha em casa, de bobeira e resolve ver um pornô para tocar uma. Você entra em um desses grandes sites e procura por algum vídeo que parece ser interessante. Está tudo preparado, porta trancada, e então você dá o play.

Só que o vídeo te faz querer fechar as pernas em vez de abrí-las.

Isso pode acontecer por vários motivos, mas um dos principais é que a maior parte da pornografia produzida hoje é voltada para o público masculino, ignorando que quase um quarto dos acessos são de mulheres. Seja com seus enredos mega clichês (quando existe um), a objetificação das mulheres e zero preocupação com o prazer feminino, as grandes produtoras focam só no que o homem quer, deixando de lado um público que tem tudo para ser lucrativo.

Pesquisa feita pelo PornHub mostra que 24% dos visitantes do site são mulheres.

Pesquisa feita pelo PornHub mostra que 24% dos visitantes do site são mulheres.

Conscientes desse problema na indústria pornográfica, algumas mulheres resolveram dar um basta nessa situação e colocar o corpo feminino em destaque. Surge, então, a pornografia feminista.

UÉ, MAS TEM COMO PORNOGRAFIA E FEMINISMO ANDAREM JUNTOS?????

Tem sim. Nem toda feminista é a favor da pornografia – e elas têm esse direito. Porém, existe uma vertente do movimento que acredita que, através desse tipo de material, as mulheres podem explorar seu corpo e se descobrir sexualmente. Uma dessas mulheres é a Erika Lust, um dos maiores nomes da pornografia feminista. Para entenderem melhor o que é esse novo fazer pornográfico, só dar uma olhada na palestra que ela deu no TED de Vienna:

A pornografia feminista não é só um mito. Ela é possível sim, e, creio eu, que é o futuro de uma indústria que sofre para se manter rentável. As pessoas pagam por coisas que elas querem ver ou ter – e as mulheres querem se ver representadas na hora do prazer. Elas querem que o seu corpo esteja na tela, sentir o que a atriz está sentido. E isso não acontece quando as atrizes seguem um padrão de beleza e gemem com qualquer toque. Uma vez eu vi um vídeo que a mulher parecia estar quase gozando, sendo que o homem estava beijando a COXA dela. Fechei na hora a janela porque aquilo era demais para a minha cabeça. Eu quero que meu corpo seja valorizado, que meu prazer não seja vinculado ao do homem. Eu quero ter minha própria sexualidade e vê-la na tela.

É por isso que eu assisto pornografia feminista.

One comment

  1. Edna Conceição F. Peixoto says:

    Parabéns, Thayanne, pela ousadia do site!
    O tema sexo entre mulheres, principalmente as mais “velhas” sempre foi um tabu. Era necessário que as jovens mulheres abordassem o tema com inteligência e coragem. Como você o fez! Que venham muitos artigos interessantes…

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