Pílula do dia seguinte: chega de dúvidas!

Muitas mulheres, depois que transam sem camisinha ou a mesma estoura, correm para a farmácia mais próxima para comprar a pílula do dia seguinte. Mas a maioria não sabe exatamente como ela funciona ou o que ela faz com seu corpo para prevenir a gravidez. Por isso, perguntamos na nossa página do Facebook quais as dúvidas que vocês, nossas lindas leitoras, têm acerca da pílula e as enviamos para uma ginecologista. Se quiser saber mais, só continuar a leitura!

Como já foi tratado no blog, existem vários métodos contraceptivos para prevenir a gravidez e a pílula do dia seguinte é um método hormonal. Ela é feita com levonorgestel, uma progesterona sintética, para inibir a ovulação e evitar a gravidez. A pílula do dia seguinte é considerada uma contracepção de emergência, para quando a relação sexual for feita sem o uso de preservativos – ou quando esses falharem e o casal perceber na hora.

Para tirarmos as dúvidas que vocês nos enviaram, nós conversamos com a médica Bel Saide, formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e especializada em ginecologia da infância e adolescência pela Universidade de São Paulo (USP). Ela atende na Tijuca, zona norte do Rio, e, quando possível, tira as dúvidas das pacientes por Skype. Bel também é especialista em ginecologia natural e, quem quiser saber mais sobre essa modalidade, é só se inscrever para receber as novidades do site dela, o Ginecologia Natural, que em breve estará no ar. Se você quiser marcar uma consulta com a fofa da Bel, pode entrar em contato com ela pelo Facebook ou através do número (21) 99812-6640.

Então vamos começar. Para quem não sabe, existem dois tipos de pílulas do dia seguinte: a que apresenta uma dose única (com 1,5 mg) e a que vem com dois comprimidos (0,75 mg em cada). Quem é boa em matemática já percebeu que a dosagem é a mesma, só que, no segundo tipo, ela é dividida em duas. Não há diferença entre a pílula de dosagem única e a com dois comprimidos, ok? A única coisa que você deve prestar atenção no segundo tipo é que, diferente do que se fazia antigamente, você deve ingerir os dois comprimidos de uma vez, e não mais com uma pausa de 12 horas entre um e outro. Sobre as diferentes marcas que existem por aí, a médica disse não ter preferência.

Como a pílula do dia seguinte funciona?

O método funciona interrompendo o ciclo reprodutivo da mulher, ou seja, alterando os fenômenos biológicos que culminam na concepção. A pílula atua principalmente na inibição ou retardamento da ovulação, por isso seu efeito é anterior à fecundação – o que significa que a pílula do dia seguinte não é um remédio abortivo. Se o ovo já está implantado, a pílula não tem efeito algum.

O mecanismo de ação que atua na prevenção da gravidez acontece de acordo com o momento do ciclo menstrual que a mulher utiliza o método de emergencia. Como o processo de fertilização, devido a sobrevida dos espermatozoides, se dá até 120 horas após a relação sexual, a pílula deve ser ingerida em até cinco dias. Porém, é recomendado o uso o mais rápido possível após a relação desprotegida: quanto mais tempo passa, mais a eficácia diminui. Estudos demonstram que, se utilizada no quarto ou quinto dia após a relação sexual, o método ainda apresenta sucesso, porém com uma eficácia em torno de 15%. Se usada nas primeiras 12 horas sua eficácia se mostrou 50% maior do que se usada após 24hs, reduzindo mais 50% em 48hs e assim por diante.

Resumindo: Se a mulher ainda não ovulou, a pílula retardará ou inibirá a ovulação. Caso ela ja tenha ovulado a pílula agirá diminuindo a mobilidade dos espermatozóides no interior do útero, dificultando seu encontro com o óvulo. Se a gravidez já tiver iniciado, a pílula do dia seguinte não fará efeito algum.

Leia também: Um mês sem a pílula anticoncepcional

Risco de falhas

Vou aproveitar esse momento para passar uma mensagem muito importante: nenhum método contraceptivo é 100% eficaz. O único jeito de garantir que você não irá engravidar é não fazendo sexo. A pílula do dia seguinte, mesmo sendo usada corretamente, pode falhar em cerca de 2% dos casos. Para vocês terem uma referência, o DIU e a pílula anticoncepcional têm índice de falha de 0,1% e a camisinha, de 8 a 20%.

Bel disse que não há como precisar de modo correto quantas doses repetidas da pílula do dia seguinte podem ser usadas de forma segura, mas o índice de gravidez se mostrou maior em usos repetidos da contracepção de emergência do que com o uso de outros métodos porque há um índice de falha cumulativo. O Ministério da Saúde enfatiza (e nós também!) que esse método não é recomendado para o uso frequente por apresentar maiores índices de falhas e efeitos colaterais (já já vamos falar disso). O nome fala o que vocês precisam saber: é uma contracepção de emergência. Ela foi criada para casos de estupro e para quando a camisinha estourar – não para ser um método usado regularmente.

Ah, os médicos não tem conhecimento de nada que possa “cortar o efeito” da pílula. Ela pode falhar, independente de qualquer coisa.

Sobre o impacto na fertilidade

Uma das dúvidas mais comuns sobre a pílula do dia seguinte é se o uso da mesma interfere na fertilidade da mulher. Podem ficar mais tranquilas: a Bel disse que a contracepção de emergência não tem efeito na sua capacidade de ter filhos. Também não existem estudos que comprovem a relação desse método com gestação ectópica, que é a gestação que se desenvolve fora do útero e que pode ser fatal para o feto.

A pílula do dia seguinte dá efeito colateral?

Quando usada de maneira adequada (apenas esporadicamente e em situações de emergência por falha no método regularmente usado), a pílula do dia seguinte não tem efeitos colaterais graves e tem raras contraindicações para a sua utilização. Já o uso frequente (várias vezes por ciclo) pode acarretar em vários efeitos secundários, já que o corpo ingere grandes quantidades de hormônio em um curto espaço de tempo. Dessa forma, podem acontecer irregularidade menstrual, náuseas, vômitos, dor de cabeça, tontura e sensibilidade nos seios.

Falando em contraindicações…

Algumas leitoras mandaram perguntas sobre o uso da pílula em meninas com SOP, ou seja, com síndrome do ovário policísticos, que provoca alterações dos níveis hormonais, levando à formação de cistos nos ovários que fazem com que eles aumentem de tamanho. Bel garante que não há nenhum problema ou contraindicação no uso desse método em meninas com SOP.

Existe relação entre o efeito da pílula e a fase do ciclo menstrual?

Oficialmente, não. Mas, de forma lógica, podemos pensar que, se ela é usada no período fértil da mulher, há uma chance maior de falha do que se a pílula for tomada fora do período fértil. Para calcular qual é esse período, é só subtrair 14 dias do primeiro dia de menstruação. Não é possível prever quando será a ovulação de maneira exata, mas essa conta ajuda a ter uma noção da última vez que a mulher ovulou e, assim, se programar para a próxima.

O que acontece com a menstruação se eu tomar a pílula?

Não se preocupe: de modo geral, a menstruação vem próxima da data prevista. Porém, ela é adiantada para 25% das mulheres – então é melhor você andar com um absorvente ou com seu coletor menstrual na bolsa.

Pílula do dia seguinte x outros métodos contraceptivos

Como já foi fito ali em cima, nenhum método contraceptivo é 100% garantido e isso é algo que vamos ter que lidar – a não ser que vocês optem pela abstinência sexual. Toda vez que transamos com um homem, estamos correndo risco (pequeno ou grande) de engravidar. A médica falou que não há estudos que mostram benefícios no uso combinado de diferentes métodos, como a pílula + anticoncepcionais ou pílula + DIU. O único combo que a Bel recomenda é o anticoncepcional ou DIU + camisinha, já que o preservativo é o único método que protege contra as DSTs. Porém, no caso do DIU, não causaria grandes efeitos colaterais, podendo ser utilizado caso a mulher deseje.

No caso da pílula anticoncepcional, haverá certamente uma desregularização hormonal que não será nada saudável – e nem vai valer a pena, já que não reduz as chances de gravidez. Caso você queira fazer isso por ter esquecido de tomar o anticoncepcional em muitos momentos do mês, a médica recomenda o uso da camisinha até o início da próxima cartela. O uso da contracepção de emergência é possível nesse caso, mas os efeitos colaterais tendem a ser maiores.

Para encerrar esse textão, é sempre bom lembrar que, desde 2012, o Ministério da Saúde dispensou a exigência de receita média para a entrega da pílula do dia seguinte nos postos do Sistema Único de Saúde (SUS). Como o medicamente deve ser utilizado o mais rápido possível após a relação sexual desprotegida, esperar por uma receita médica poderia colocar em risco a eficiência do remédio. Também é bom reforçar que a pílula é uma contracepção de emergência, então sugiro que você marque uma consulta com seu médico ou médica de confiança para discutir métodos de uso regular para evitar a gravidez.

Quaisquer dúvidas a mais sobre esse ou outros assuntos podem ser enviadas para nosso e-mail, o contato@quenemmocinha.com ou enviadas através da nossa caixa de comentários e inbox no Facebook. Ah, também estamos abertas a críticas e sugestões!

4 comments

  1. Nathália says:

    Engraçado, a pílula que tomei eram 2 comprimidos e na bula dizia que era pra tomar o primeiro e 12h depois tomar o outro. Foi inclusive a mesma informação que recebi da farmacêutica.

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