Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano

Domingo a tarde, aquele momento de bobeira em casa, deitada na cama olhando o teto… Resolvi reler textos antigos, algo como uma nostalgia de uma época em que escrevi sobre tudo que aparecia na mente. Entrei no meu falecido blog e encontrei textos que falam sobre liberdade sexual, sexualidade e mulheres desde 2013. É, acho que eu estou predestinada a viver e escrever esses assuntos.

Então, o texto foi escrito por mim em 2014, último ano de faculdade, um status civil diferente do atual. Menos histórias, lembranças e situações sexuais na bagagem… E olha que 3 anos depois, a sociedade segue igual e minha insatisfação também. Mocinhas, o que eu tenho para “aconselhar” é…. Libertem-se! Porque o tempo passa, a nossa vida muda, mas a sociedade machista continua querendo nos podar – e nós mulheres seguimos permitindo! Já deu né?

Como diria o jornalista, cronista, escrachado e não pudico Nelson Rodrigues: “A liberdade é mais importante do que o pão”. Nós tentamos. Juro que tentamos! Queremos sair na rua de batom vermelho – ou sem maquiagem nenhuma – e usar a saia do tamanho que preferimos. Queremos sentar na mesa de um bar, com outras mulheres e falar sobre sexo, sem receber olhares masculinos ao redor.

O preconceito velado, o machismo explícito e o julgamento precipitado me cansam. Cansam porque muitas gostam de um 50 Tons de Cinza, de um filme à lá Ninfomaníaca, de um homem com pegada ou uma mulher sensual. Mas deixar isso claro – ai não!

O prazer tem que estar escondido embaixo de saias comportadas, posturas femininas e risos discretos. Não tem problema em ser assim se quiser, o problema é quando a sociedade nos obrigada a ser assim. Palavras “vulgares” não podem passar pelos lábios pintados de vermelho. “O que vão pensar de você?”, essa é a frase que mais ouvimos quando pensamos em nos libertar. Seu pai se preocupa com a sua imagem perante os outros, o namorado com sua postura e o que vão falar de você, e as outras meninas do quanto você pode chamar atenção. Ou será que eles, todos eles, apenas pensam em si?

“Deixa a menina dançar”, já dizia a minha mãe quando eu era criança e queria mostrar pra todos a minha fantasia nova de bailarina. “Qual o problema da roupa? Elas são novas!”, dizia a minha avó quando via as roupas curtas das meninas saindo para a noite, bem diferentes das roupas de sua época.

Por que em pleno século XXI ser sexóloga ainda é motivo de piadas? Por que uma mulher não pode entender, estudar e falar de sexo normalmente? Por que o homem acha normal falar sobre a última transa e você mulher, em uma roda de amigas, não pode falar sobre vibradores sem ser julgada ou considerada fácil? E aí eu respondo: sexo é tabu porque nós o fizemos assim. Porque nós, mulheres, não conseguimos nos soltar e ainda deixamos a opinião alheia nos afetar.

Nelson Rodrigues, em algumas coisas você foi maravilhoso, já em outras… “A mulher ideal é uma dama na mesa e puta na cama.”, discordo! A mulher ideal é aquela livre pra ser o que ela quiser.

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A mulher ideal é feliz com seu próprio corpo e satisfeita na cama a ponto de falar sobre sexo sem meias verdades, sinônimos ou pudor. Deixe o pudor para os jantares em família, o aniversário da tia-avó da sua mãe ou no dia que for conhecer a sogra. Depois disso, se solte!

A mulher ideal se olha no espelho e se ama. Às vezes errada, às vezes errante. Feliz vivendo da sua maneira. Fala alto em alguns momentos, chama atenção. Não se importa em falar um palavrão quando der na telha, ou  até mesmo tocar em assuntos que são tabus. Lembrando que isso não te dá passe-livre para ser mal educada, tá? Educação em primeiro lugar.

A mulher ideal faz as coisas que lhe agradam e quando quer – não quando alguém se sente no direito de opinar! Culpa de ser livre? Essa palavra não cabe no seu dicionário! E se, por alguns segundos, essa palavra aparece, é tipo um verbete que ninguém liga muito.

A mulher ideal, mesmo perdida na rua, sem rumo nem hora, anda decidida, com uma pisada firme e calculada. Ela é segura e isso, infelizmente, assusta os outros! Ser livre, moderna e destemida, faz você ainda melhor. E esses tais outros? Ahh… Eles que resolvam suas neuras!

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