Laranja é o novo fetiche

Tinha me prometido que não ia mais escrever grandes reclamações sobre a fetichização da mulher lésbica. O último texto era o suficiente para deixar clara minha visão sobre o tema, para informar os leitores de como essa situação é problemática e para explicar como é possível parar com essa atitude ao entender e respeitar as diferenças da sexualidade de cada um. Mas aí a nova temporada de Orange Is The New Black chegou ao Netflix e coisas aconteceram.

A série é uma ótima mistura de comédia e drama, sendo capaz de divertir e informar quem a assiste. Não é preciso comentar sobre o fato de possuir a mais diversa representação de mulheres na atualidade: o elenco é composto por mulheres negras, latinas, asiáticas, gordas, trans, lésbicas, ou seja, vai além do estereótipo de atriz em Hollywood.

Dançando na cara do patriarcado

Dançando na cara do patriarcado

Isso sem contar que todas as personagens afirmam sua própria identidade e não ignoram as dificuldades ou privilégios de sua existência. Seu maior acerto é colocar em evidência as mulheres que são invisíveis na sociedade. A série não é perfeita, mas seus acertos devem ser lembrados. Ainda assim, OITNB consegue ser muito amada por heterossexuais. Senão fosse, seria reclamação dia e noite de como os autores buscam doutrinar os espectadores as causas deles.

Não tem problema, boas histórias conseguem alcançar o mais diverso público. Porém, descobrir que a série aumenta a busca pelas categorias lésbica e pelas palavras prisão e cadeia no site de pornografia Pornhub foi um tanto decepcionante. Sendo simples, mas categórico, nem toda cena de duas mulheres se pegando é feita para as pessoas se excitarem ao assistir. Essas cenas existem apenas para representar histórias que também existem na vida real e não para dar tesão aos espectadores. Apenas nas primeiras 24 horas após a nova temporada ser liberada, as categorias lésbica e prisão tiveram um aumento de 59% de procura. Enquanto as categorias prisão e cadeia aumentaram 21%.

Gráfico com os dados da pesquisa

Durante o fim de semana, os dias de pico de pesquisa, as categorias lésbica e prisão combinadas subiram 67% entre as mulheres e 33% entre os homens. A pesquisa aponta que os termos que mais cresceram durante o período foram guarda de prisão lésbica com aumento de 475%, lésbica prisioneira (+ 399%) e prisioneiras lésbicas negras, com aumento de 40%.

pornhub-insights-orange-new-black-lesbian-prison-searches-1

Gráfico com dados da pesquisa

Querida leitora, se você é espectadora de OITNB e buscou vídeos de pornografia temáticos após ver a série, você não entendeu nada do que a série te diz. A história não é sobre lésbicas se pegando para o seu prazer. A história é sobre como sobreviver nas mais adversas circunstâncias, sobre aprender lidar com as diferenças e, até mesmo, sobre como lidar com a própria sexualidade. Não é para assistir e querer buscar prazer instantâneo, mas tentar enxergar o mundo por outra perspectiva do que a do privilégio de homens brancos, heterossexuais, cisgêneros, classe média alta.

Deixe uma resposta