Minha experiência com o DIU de cobre

Quase um ano após parar com o anticoncepcional, resolvi que, além da camisinha, iria usar mais um método. Depois de muito pesquisar, elegi o DIU de cobre como minha nova forma de contracepção. Estamos juntos há quase cinco meses e eu, que estava pronta para ter uma experiência digna de filme de terror, me surpreendi muito. Percebi que o dispositivo é cercado de mitos, o que faz com que minhas mocinhas o dispensem logo de cara. Por isso, nesse texto, vou compartilhar minha experiência e dar dicas.

Primeiramente…

que nem mocinha - aprendi com diu - primeiro

Não resisti, HEHE

Ao contrário da pílula, que você nem precisa se esforçar muito para começar a tomar, o processo para usar DIU é mais complexo. Além do transvaginal, para saber se meu útero poderia “receber” o dispositivo, foi necessário um exame de sangue para comprovar que eu não estava grávida ou com clamídia. Quem está grávida é “barrada” porque o DIU pode prejudicar o desenvolvimento do feto. Se o exame vier positivo para clamídia, você e seu parceiro/parceira vão ter que tomar um remédio. Você vai ter que esperar uma semana entre tomar o remédio e colocar o DIU, ok? Como a clamídia, que é a DST mais comum do mundo!, causa uma infecção na região, a inserção do dispositivo poderia piorar a situação.

Já que estamos nesse assunto, começo agora a desmistificar algumas coisas. Por muito tempo, acreditou-se que as usuárias do DIU eram mais propensas a terem doenças inflamatórias pélvicas, que é uma complicação das DSTs, especialmente clamídia e gonorreia. Porém, um estudo de 2012 desmentiu isso. Notícia boa, né?

O grande dia

Não vou mentir: eu estava nervosa para caralho. Faço parte de um grupo no Facebook de meninas que querem colocar/já usam o DIU de cobre, e lá tem vários relatos. Como Murphy tá aí para acabar com a gente, no dia anterior eu tinha lido um relato terrível. Uma mocinha disse que parecia que ia morrer de tanta dor que ia sentir, o que quase me fez desistir da ideia. Até minha mãe estava me desanimando, porque ela também teve uma experiência terrível com o dispositivo.

Mas… Lá fui eu. Coloquei no consultório mesmo, na Policlínica de Botafogo (RJ). O trâmite com o plano de saúde foi bem tranquilo, minha médica enviou o pedido e eu não precisei me preocupar com nada. Lembrando que todos os planos de saúde são obrigados a oferecer o DIU, seja ele de cobre ou hormonal. Meia hora antes de chegar ao consultório, tomei um comprimido de Deocil, conforme orientação médica. Alguns profissionais indicam esse ou outros remédios para evitar desconforto na hora da colocação. Ele é realmente poderoso, e só consegui comprar com receita.

A hora H

Entrei na salinha, troquei minha roupa por aquele roupão e sentei inclinada naquela maca que já conhecemos bem. A médica conversou comigo e recomendou que eu tomasse a anestesia, porque quando ela colocou, foi no seco e doeu bastante. Se a própria médica falou, não tinha como negar. Ela abriu minhas pernas, pediu para eu tossir forte duas vezes e, tcharam!, anestesia aplicada. Não senti nadinha. Isso me deixou muito aliviada, porque eu odeio agulha e tremi na base só de pensar em sentir algo picando meu útero. Primeira barreira ultrapassada sem grandes dificuldades. Chega, então, o momento de colocar o DIU.

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Ela abriu minha vagina com o espéculo (aquele que já conhecemos bem pelo papanicolau) e depois pinçou o colo do útero. Nessa hora, vou confessar, senti uma cólica mais forte do que eu costumo sentir – mesmo assim, nada insuportável. Minha médica disse que era um “bom sinal”, o que me deixou mais tranquila. Ela fez a medida do colo do útero e depois colocou o DIU de cobre com o aplicador. Tudo no seu devido lugar, ela retirou o espéculo e pediu para eu sentar aos poucos, porque a pressão costuma baixar durante o procedimento. Sangrei um pouco, o que é super comum, e depois fui liberada para trocar de roupa.

Simples assim! Ela disse que, se eu sentisse cólicas fortes (normal nos primeiros dias), eu poderia tomar o Deocil, mas meu processo de adaptação foi meu tranquilo. Tive alguns escapamentos (manchas aleatórias de sangue) entre a colação e minha primeira menstruação, mas nada que um absorvente diário não resolva. Saí do consultório e fui para o trabalho, e meu dia correu super de boas. Senti um leve incômodo na região, mas acho que era mais psicológico, já que tinha algo novo dentro de mim.

Menstruação com DIU

Enquanto eu pesquisava sobre o DIU de cobre, uma das coisas que eu mais lia era que ele aumentava as cólicas e o fluxo da menstruação. Não vou mentir: teve um mês que eu fui parar na emergência com dor. Mas foi um ciclo bem ruim, o que não era novidade para mim. Antes de tomar a pílula, vira e mexe eu tinha umas TPMs bem fortes, com enjoo pesado, cólicas terríveis e por aí vai.

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“Tudo dói e eu estou morrendo”

Mas não é para vocês entrarem em pânico. Como eu disse, é algo que eventualmente acontece comigo. Para acalmar vocês, vou dar uma boa notícia: não é de lei o DIU de cobre causar sangramentos, maior fluxo e cólica horrível. Sim, isso pode acontecer, mas é mais provável que seja só pelos primeiros meses, chamado de “período de adaptação” (que dura de 3 a 6 meses). Não acreditam em mim? Se vocês olharem a bula do OPTIMA DIU TCu 380A, que é o que eu uso, vão ver um dado impressionante. Apenas 11% das usuárias reclamam de dor e sangramento. Quer mais? Isso é só pelo primeiro ano de uso, depois reduz.

E na hora do sexo?

Depois que você coloca o DIU, vai ter que ficar alguns dias sem fazer sexo (oral ou vaginal). O tempo recomendado varia de acordo com a profissional: a minha disse uma semana, enquanto a de uma amiga falou que o ideal era de 20 dias. Passado esse tempo, o sexo deve ser o mais tranquilo possível. O DIU não causa desconforto na hora do sexo, nem pra você, nem para seu parceiro ou parceira. Se você estiver sentindo algum incômodo, procure uma médica de confiança para descobrirem a causa.

Muco

No começo, o DIU de cobre pode estimular uma maior produção de muco. Só que… A vagina é mucosa, né. Ela já produz muco por si só, e não tem problema nenhum, pelo contrário! Os métodos hormonais tendem a deixar as coisas secas, mas em condições normais de temperatura e pressão, nossa pepeca fica úmida sim, com muco. E vocês sabem por quê? Porque o muco é sensacional para a vagina: ajuda na limpeza, nas barreiras contra doenças e assim vai. Muco é só amor! ❤

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Durante o processo de adaptação, o muco ganha uma aparência esquisita, com cor e textura diferentes. Mas isso passa depois de  um tempo, geralmente após a primeira menstruação depois da inserção. Lembrem-se: se não coça, não arde, não tem cheiro estranho ou cor fora do comum (”comum” = bege, branco, transparente, meio rosado, meio turvo”), tá tranqs. E nada de achar nojento, viu? O muco é essencial para a nossa vagina e é sinal primário de fertilidade. Não é a toa que existem métodos contraceptivos que se baseiam nele, como o Método Billings.

Outras preocupações

1. Exames

Quando me liberou do consultório, minha médica passou um pedido de transvaginal (o mesmo exame que eu fiz antes da inserção) para ver se o DIU estava posicionado certinho. De modo geral, as mulheres são orientadas a fazerem uma avaliação em casos de febre, dor abdominal, cólicas muito fortes e que não apresentam melhora, sangramento excessivo, suspeita de expulsão do dispositivo e de gestação. Se a usuária não apresentar esses problemas, ela só deve fazer uma revisão nos primeiros três meses com o DIU de cobre e depois nas consultas ginecológicas de rotina. Ah, e algumas médicas pedem que o transvaginal seja feito pelo menos uma vez ao ano para conferir se está tudo certo com o dispositivo.

2. CADÊ A MALDITA CORDINHA?

Um dos ”surtos” que eu mais leio nos grupos do DIU de cobre é de meninas que não conseguem achar a cordinha. Só que vocês não precisam dar essa conferida todo dia, ok? Acalmem essa pepeca. Lembrem-se que nosso ciclo tem várias fases e o colo do útero se comporta diferente em cada uma delas. Ele sobe, desce,  fica mais rígido ou mais mole. E isso influencia na posição da cordinha. Durante a menstruação, por exemplo, tem-se a impressão que ele está maior; no período fértil, parece que sumiu! Por isso é preciso conhecer o seu corpo e suas alterações antes de surtar. Se você acha que tem mesmo algo errado, procure sua médica, que vai poder te orientar melhor.

Viu, meninas? O DIU não é esse bicho de sete cabeças. É um método contraceptivo bem seguro, que não depende da usuária para ser eficaz. Por isso, suas taxas de eficácia podem superar a do anticoncepcional, que varia conforme o tipo de uso. Para saber mais sobre métodos contraceptivos ou outros assuntos relacionados ao nosso corpinho e sexualidade é só conferir o Mapa do Blog!

2 comments

  1. Sabrina says:

    Olá Thayanne Boa noite
    Moro no RJ e gostaria de colocar i DIU
    Poderia me enviar o.contato da sua Médica?
    Fica perto de onde eu moro !

    • Thayanne Porto
      Thayanne Porto says:

      Oi, Sabrina! Coloquei na Policlinica de Botafogo, com a doutora Aline. So ligar que eles passam para o setor de ginecologia 🙂

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