O abuso sexual nas universidades

Acontece em universidades ao redor do mundo, mas é silenciado. Ignorado. O abuso sexual sofrido por estudantes nos campi universitários vem sendo pauta das questões de gênero. Universitárias ao redor do mundo estão manifestando contra a violência a mulher dentro das instituições de ensino. No Brasil, muitas estudantes reclamam da omissão das universidades nos casos de abuso sexual.

Foi o que levou meninas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ) a fazerem um protesto na reitoria da instituição. No ano passado, foram registrados 28 casos de estupro no local. A manifestação também teve força nas redes sociais com a criação da página Abusos Cotidianos e a criação e divulgação da hashtag #MeAvisaQuandoChegar, frase tão comum entre mulheres que se preocupam com a segurança da amiga que está indo pra casa, foi usada como uma forma pacífica, mas ativa, de contribuição para reportar os abusos cometidos na instituição.

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Imagem da página Abusos Cotidianos

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a situação não é muito diferente: as alunas do curso de Comunicação se uniram após denúncias feitas por uma das meninas de abuso sexual e do vazamento de comentários feitos em grupos privados para páginas misóginas em redes sociais. A maneira de buscar lutar contra tais injustiças foi a criação do perfil Minerva Ecoína no Facebook para que as estudantes possam saber que não estão sozinhas e como a luta feminista persiste.

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Na Pontífice Universidade Católica (PUC) do Rio também ocorreu a ocupação de um de seus espaços para debater e divulgar o feminismo entre os universitários. O coletivo de mulheres da PUC se posicionou contra ao convite feito pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) a ativista e ex-feminista Sara Winter para uma palestra que ocorreria na universidade. As estudantes novamente utilizaram as redes sociais para compartilhar as situações de assédio cotidiano que sofreram na instituição com a hashtag #NósPrecisamosdeFeminismonaPUC.

As agressões se repetem em São Paulo. No ano passado, alunas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) fizeram denúncias de abusos ocorridos em trotes e festa da instituição. Apesar de abertura de uma comissão para investigar as denúncias ocorridas na universidade, nenhum dos alunos denunciados foi punido pela universidade ou por investigação públicas. Infelizmente, os casos terminam com silêncio das instituições oficiais e com o descaso as vítimas.

São situações que demonstram o cansaço das mulheres no ambiente acadêmico em lidar com as violências cotidianas. Em um país onde quase 70% das mulheres já sofreram abuso na universidade, é normatizado situações de coerção em que os homens se aproveitem das mulheres, especialmente em momentos de festas ou trotes. Logo, é compreensível o fato de 42% das alunas participantes de uma pesquisa sobre o assunto tenham medo de sofrer alguma violência dentro do ambiente universitário.

 

abuso nas universidades

Fonte: Instituto Avon

Contudo, o diálogo didático e feminista está fortalecendo a busca por direitos e levando informação para as mulheres. O feminismo está constantemente presente nos debates sociais atuais e a redução da desigualdade histórica entre os gêneros é desejada, de preferência sendo possível alcançar a equidade entre eles.  Ainda que difícil, é possível a transformação de situações que há muito tempo incomodam. Sendo assim, colocar em pauta as lutas contra o machismo presente nas universidades é uma dessas mudanças.

Estudantes manifestando contra as situações de violência sexual sofridas no campus universitário demonstram que é possível desconstruir atos enraizados na sociedade patriarcal. Mulheres jovens estão se unindo contra o machismo no ambiente universitário, onde assédio e abuso não estão mais sendo silenciados. Através da educação e informação está sendo possível criar uma conscientização coletiva para mudar a situação vigente e os grupos de discussão e coletivos feministas estão se fazendo presentes nas lutas por direitos. Existe uma geração de jovens buscando não se deixando abater ou silenciar, mesmo quando atacadas. É o momento de ruptura do que se acredita inalterável e começa a gerar soluções e mudanças perceptíveis de comportamento social.

3 comments

  1. Carol Caldas says:

    Opa! Desculpa a demora! Muito obrigada pelo convite!! E por se interessar nos meus textos. Agradeço demais pelo contato e confiança.

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