É, nem tudo são flores

Já dizia a minha avó, naqueles conselhos sábios que parecem de livros de autoajuda, mas que realmente ajudam: “na vida, menina, nem tudo são flores”. E essas últimas semanas em casa, doente e carente, eu percebi que isso é a mais pura verdade. Nesse momento, escrevendo esse texto eu só lembro da frase da música da Tassia Reis, uma cantora de rap paulista, “pois quem me vê agachar no baile não sabe de nada”. Não sabe mesmo. A vida de solteira tem lá seus problemas, dificuldades e, às vezes, você apenas respira e pensa, “está difícil, hein?”.

Estar solteira é viver em uma montanha-russa; às vezes no bom sentido, às vezes no ruim. Vou  explicar porquê: o namoro tem suas questões também, mas traz calmaria, rotina, mesmice. Por mais que você seja uma pessoa criativa e queira experimentar coisas novas com o boy, uma hora o fim de semana de frio + Netflix + edredom + vinho chega. A solteirice não. Ser solteira ou solteiro traz nos primeiros meses uma euforia sem igual. Você quer sair o tempo todo, curtir tudo, conhecer gente nova, beijar outras bocas, dormir com outros corpos. Mas a euforia passa. E ai você olha pro lado e suas amigas estão com os namorados, ou ocupadas, a night do final de semana está ruim e você não tem companhia nem pra ir na padaria. E os boys? Não tem obrigação de te dar atenção, né? Afinal, você não quis tudo sem compromisso! Como diria vovó… Nem tudo são flores.

Você deve estar se perguntando onde eu quero chegar. Numa afirmação muito simples. A bad vai chegar na sua vida. Você pode substituir o ex por um novo peguete, os finais de semana em casa por nights sem fim, e a mesma boca por mil bares, saídas e transas sem compromisso. Mas a verdade é que a bad sempre chega. Pode não ser nos dias após o termino, em que você está chorando agarrada em um rolo de papel higiênico e manchando a fronha de rímel e batom. Pode não ser logo na semana seguinte, que era o aniversário do ex ou aniversário de namoro e bate aquela saudade. Pode não ser quando você resolve ser forte e tirar as fotos dos porta-retratos e guardar todos os presentes trocados entre vocês em uma caixa. Mas uma hora, quando você menos esperar, e estiver achando que as coisas estão caminhando bem, ela chega porque… Nem tudo são flores.

que nem mocinha - nem tudo são flores

E é forte. É intenso e te derruba. Bate aquela dor lá no fundo do peito, um aperto, uma falta de ar e você se sente a última das últimas. Parece que a sua vida perde um pouco o prumo e você se vê confusa e duvidando de si mesma. Porque a bad nunca vem sozinha, ela vem com companheiras assustadoras: a dúvida – um eterno “e se…” E se eu tivesse agido diferente, se tivesse falado diferente, se tivesse reclamado menos? Depois vem o ego, aquele sentimento de não querer que o ex ache um amor “melhor” que você. Sim, nós sabemos que ninguém é melhor que ninguém, mas o nosso ego não tá nem aí, e ele vem atazanar você. E quando você vê está difícil sair daquele misto de sentimentos que você se enfiou. Está difícil perceber se você fez a coisa certa e, mais difícil ainda, está em atribuir a culpa – que antes sempre foi do outro – a você também. É, querida leitora ou querido leitor, te avisei lá no início que… Nem tudo são flores.

E eu podia aproveitar e te dar aquele conselho fajuto de, não deixa a bad bater, procura uma amiga para sair, vai beber, se divertir, liga pra algum esquema do final de semana, vai dançar, relaxa a cabeça. Mas não. Sabe porquê? Porque se você não passar por isso, você não descobre a força foda que você tem dentro de você. Você não iria perceber que depois de muito choro, tudo seca e você se vê pensando em outras coisas. Você não iria perceber como você é uma pessoa incrível e completa por si só, e pessoa nenhuma vai te definir, seja ex, atual ou futuro. Você não iria perceber que aquela notícia do ex namorando outra já não te causa mais dor no estômago e que aquele menino que você saia uns meses atrás segue sendo o mesmo, ele só mudou pra te agradar.  E ai uma luz acende dentro de você: a única que você tem que agradar é você mesma! Não o ex, o peguete, os meninos do tinder, nem aquele amigo da amiga que te viu na night! Não mesmo. A bad te prova que os outros podem não mudar, mas você sim. Mas a bad vem e vai! Essa é a força da coisa.

que nem mocinha - nem tudo são flores

Então meu conselho é outro: deixa a bad bater! Se olhe, se entenda, perceba o que é verdade e o que é lembrança boa guardada na memória. Relembre o porquê você está sozinha (o), perceba tudo que você ainda quer fazer da sua vida e levante. Não viva em uma eterna euforia, enganando a si mesmo e aos outros. Fazendo algo porque todo mundo faz, indo pra nights e blocos de carnaval porque a galera vai e você não quer sobrar, fazendo foto e cena na frente dos amigos para se provar, postando foto na night com mulheres ou homens novos a cada mês para dizer que está bem. E não finja que está feliz o tempo todo, esse mundo de Poliana não é real para quem vê, para quem vive e para quem está ao seu redor. Porque a euforia passa e uma hora a bad chega para provar que… nem tudo são flores.

E ai está um dos grandes ensinamentos da vida de solteira, você vê que o pior passou e a vida seguiu. Que você tinha uma vida antes daquela pessoa que te deixou mal e principalmente que você é um ser completo, com qualidades e defeitos. Que você precisa agradar apenas a você mesma, tipo pensamento vibrador sabe – esta ali, disponível, lindo e pronto pra te fazer feliz. Assim tem que ser as coisas da sua vida, feitas pra te fazer feliz. E ai, você apenas segue o baile porque… nem tudo são flores, mas às vezes a vida te ensina de uma maneira muito melhor que você não precisa mais daquele jardim perfeito e bem cuidado e que comprar um cacto pode ser a sua vibe agora. 😉

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