Não apaguem minha bissexualidade

Hoje, dia 23 de setembro, é celebrado o Dia da Visibilidade Bissexual em todo o mundo. Se você não sabe o porquê dessa data ter tanta relevância, eu explico: a bissexualidade ainda é tratada como uma “fase”, de alguém que ainda “não se decidiu” se é hétero ou gay/lésbico. E isso, minhas caras, é uma grande palhaçada. A bissexualidade existe sim e o post de hoje é totalmente dedicado a ela. Primeiro, é importante dar nome aos bois. A bissexualidade é uma orientação sexual, ou seja, a forma de como algumas pessoas se sentem atraídas por outras. Não tem nada a ver com escolha; é apenas como as pessoas são. Da mesma forma que alguém nasce loiro ou com olhos castanhos, alguém nasce bissexual. E quem é bissexual tem atração (sexual e amorosa) tanto por homem quanto por mulher. Muito cuidado para não confundir com pansexualidade, que é a atração (também sexual e amorosa) entre pessoas, independente do sexo ou da identidade de gênero. Nós já falamos sobre as diferenças entre pan e bi aqui. O site inglês The Bisexual Index tem uma página bem legal que tira algumas dúvidas bem comuns sobre a bissexualidade. Se você sabe ler bem em inglês, super recomendo. Essa data específica foi criada em resposta ao preconceito e à marginalização das pessoas bi. Isso acontece até mesmo nas comunidades LGBTQ+, por incrível que pareça. Mesmo que o B da sigla represente justamente a bissexualidade, existe muita bifobia dentro da comunidade – eu mesma já ouvi muitos gays e lésbicas dizendo que “bi é quem não se decidiu ainda”. Então a data foi criada para todos os bissexuais e aliados levantarem a voz e fazer com que a bissexualidade seja reconhecida e os bissexuais, respeitados. Por isso essa data é tão importante: ela vem para reforçar que a bissexualidade existe e para espantar muitos mitos em relação a essa orientação sexual. Se ser bissexual já é difícil, experimente ser uma mulher bi, que também tem que enfrentar o machismo. Ela é sempre a promíscua, que nunca está satisfeita e que faz um ménage por semana. Esse esteriótipo só ajuda a perpetuar o mito que a mulher bissexual não é capaz de ter um relacionamento sério com alguém, porque ela ficará eternamente procurando por outras formas de sentir prazer. Na televisão, isso se repete em várias personagens. Pare e pense quais são os personagens bi que você conhece; aposto que pelo menos 80% são mulheres jovens, bonitas e que seguem o padrão de beleza. Não só isso, mas elas também são as mais soltas sexualmente, que sempre falam de sexo e que tem uma vida sexual muito apimentada. Ah, me corrija se eu estiver errada, mas quando elas têm um relacionamento fixo ou sério, é com um homem. Não estou dizendo que são todas assim, mas ninguém pode negar que a maioria é assim sim. São personagens não muito confiáveis, com tendências autodestrutivas e que tem um senso perturbado da moral. Uma excelente quebra de padrão é o personagem Darryl Whitefeather, interpretado por Pete Gardner, na série Crazy Ex-Girlfriend. Na série, tem essa cena incrível que ele canta sobre a sua bissexualidade. Ela não tem nenhum spoiler da trama, então pode dar play a vontade: Crazy Ex-Girlfriend, por si só, é uma excelente série: ela encara sexo de uma maneira excelente e é feminista. Claro que tem seus defeitos, mas qual série não tem? Poderia fazer um post só sobre ela, mas vou me ater ao assunto. Darryl, um homem de 40 e tantos anos, se assume bissexual em uma das cenas mais legais que eu já vi na TV, que desconstrói muitos dos esteriótipos já mencionados nesse texto: ele não está confuso, não é uma fase e não é um “garanhão”. A música não faz sentido traduzida porque tem alguns trocadilhos que só fazem sentido em inglês, então peço desculpas se você não entende muito bem a língua. Então, meus caros amigos e amigas bissexuais: vamos falar com orgulho que nós existimos e merecemos respeito. Vamos usar essa data para mostrar que temos muito orgulho de sermos quem somos e o que somos. Você também pode gostar de…Erika Responde: sobre DP e bissexualidadeE elas viveram felizes para sempreSobre rótulos, gênero e orientação sexualLaranja é o novo fetiche Leia também: