que nem mocinha - mulheres e pornô - capa
Nossa Opinião,  Sexo

Mulheres e pornô: uma relação complicada

Olá, mocinhas, voltamos! Sei que estávamos sumidas, mas até as melhores relações podem precisar de um tempo, né? Durante esse tempo, nós organizamos nossas vidas pessoais e profissionais, e agora voltamos mais criativas do que nunca. E como a gente adora uma polêmica, já chegamos com o pé na porta: vamos falar de pornô? 

Mas, Bianca, você é feminista e o filme pornô objetifica a mulher! Mas, Bianca, você namora e acha legal seu namorado ver pornô? Mas, Bianca, você não acha que pornô faz com que os homens tenham ideias absurdas e até mesmo ridículas de sexo? Mas, isso, mas aquilo… Concordo com muitas coisas e discordo de outras tantas. Por isso, vamos por partes? 😉

Sobre o universo pornô e sexual

Esse texto é uma mistura de desabafo para as minhas amigas que nunca viram um pornô por nojo, medo ou culpa; com uma análise pessoal da vibe, levando em conta os dois lados: o bom e o ruim. E por que o pornô também não teria? O que, antes, era tabu, hoje, se bem entendido e interpretado, pode ser visto com a mente aberta; se bem filtrado, pode ser mais uma fonte de informação.

A indústria do sexo tem crescido e é uma das mais lucrativas no mundo, junto com a indústria de armas e drogas. Apesar do aumento da bancada religiosa no governo brasileiro e da ausência de debate sobre algumas (muitas) questões relacionadas à sexualidade, estamos no século XXI. 2018. Além disso, o movimento LGBTTQQIAAP ganha cada vez mais letras e espaço. Então, sim, podemos dizer que o universo está fazendo algum movimento de mudança e para melhor. E o mercado do sexo e pornô também. Finalmente!

quenemmocinha-feliz

Por isso, vamos sentar e repensar sobre esse tabu. Afinal, a relação da mulher com o filme pornô é um tanto ambígua.

Lado deprê e ruim do pornô

O pornô fake – com vaginas “rosas”, gemidos intermináveis surreais e posições que só um atleta do Cirque du Soleil consegue fazer – ainda existe. Esse é um dos principais problemas quando falamos dessa indústria. Fora os diversos casos de atrizes mal pagas e exploradas física, psicológica e sexualmente falando. Nos filmes, elas passam a maior parte do tempo fazendo oral no “macho alfa dominante”,  aquele “personagem” interpretado com muito puxão de cabelo, tapa e xingamento. Nada contra quem gosta desse tipo de sexo, mas não podemos partir do princípio de que isso é unânime ou de que representa a maioria.

Mas, Bianca, elas são pagas pra isso e é o trabalho delas. Sim, mas não podemos negar que a maioria delas não escolheu tal profissão. Outro ponto a ser levado em conta é que esse pensamento interfere diretamente na mente machista e cheia de esteriótipos do seu parceiro e passa a ser um problema maior. Quando a gente acessa um site com vídeos pornôs para ver sozinha ou a dois e a lista tem apenas esse “tipo” de pornô, a gente fica mais seca que o deserto do Saara.

quenemmocinha-deserto

Resumindo: a indústria pornô precisa entender que, enquanto tivermos diretores homens, produtores homens e uma industria machista que utiliza o sexo apenas como algo automático, o número de mulheres fugindo desses canais só vai aumentar.

Não dá para, em pleno século 21, termos um mercado pornô que mantém o mesmo formato desde a década de 1970, só mudando o figurino e melhorando a resolução das imagens. Mulheres que seguem o mesmo padrão de beleza, pênis enormes, uma meteção sem fim e zero química. Queremos mais cenas reais, olho no olho, suor, gemidos reais… Se o pessoal do cinema consegue passar o romance nos filmes, por que não podemos ter o mesmo no pornô?

quenemmocinha-sex

De onde vem isso tudo?

Muitas vezes culpamos os nossos companheiros quando eles chegam na cama querendo três horas de oral sem te tocar de volta. Ou dizemos para as migas que o babaca do peguete que você levou pra casa nem esperou você estar afim e foi forçando as coisas. Sim, eles estão errados. Mas isso não deixa de ser um reflexo da nossa sociedade machista e da masculinidade tóxica. Nossa sociedade entende como macho o menino que, desde cedo, se masturba, vê porno, etc. E se a gente fizesse um exercício com nossos digníssimos?

Um dia, fiz o experimento de assistir com o meu namorado um pornô desses que passa em canal de TV de motel.  Ele via tranquilo e eu só pensava: “Sério? É só isso? Ela vai fazer oral pra sempre, depois ele vai meter nela e acabou”. E foi isso mesmo. Comentei isso com meu namorado e ele falou, sem nem pensar duas vezes, que nunca tinha parado para pensar nisso. Sabemos que não estamos aqui para sermos professoras de homem, mas, de vez em quando, alguns toques são necessários. Se o seu sexo com o digníssimo está nessa vibe mete, mete e acabou… Miga, corre que é cilada.

Lado bom e bacana do pornô

Tem lado bom e educacional do pornô? Sim. Mulheres que não sabem quais são seus desejos e fantasias sexuais podem usar os filmes como uma ferramenta para essa descoberta. Ou até mesmo para ter algumas ideias de fantasia, lingerie, posições diferentes e até mesmo de locais inusitados!

A solução para ver esse mundo com bons olhos é: colocar filtros e saber escolher o filme que você vai ver sozinha ou acompanhada. Ou melhor, pornô feminista, mocinhas!

que nem mocinha - mulheres e pornô - gif 1
“Wow, o poder das mulheres”

Você sabia que as mulheres representam 25% do público que acessa os sites pornográficos?

E tem mais: as pessoas estão cada vez mais interessadas no porn for women (PFW), ou seja, “pornô para mulheres”. Esses são os dados do PornHub, um dos maiores sites de vídeos +18 do mundo. Eles entendem o PFW como um modelo que coloca a mulher no centro, com mais atenção a estética e aos detalhe – que, convenhamos, fazem toda a diferença!

Outro dado interessante é a busca pelo tema “lésbico”. E, não, ter prazer assistindo a um vídeo pornô com duas mulheres não faz de você lésbica ou bissexual. É que esses vídeos dão ênfase para o sexo oral, aquilo que dá mais prazer para nós, mocinhas.

Tá, mas onde eu procuro isso?

Se você quer se aventurar por esse universo e não sabe por onde começar, chega mais! Nós do Que Nem Mocinha indicamos muito a diretora e magnifica Erika Lust. Sabe por quê? Ela percebeu o que muitas de nós percebe, mas não fala: o pornô sempre foi feito para o homem, dando prazer ao homem, para o final ser o homem feliz. E a mulher? E o nosso prazer? A Erika Lust propõe que o pornô pode ser bom sem objetificar a mulher. Quem quiser saber mais é só conferir nosso texto sobre pornô feminista aqui.

É isso mocinhas, que tal chamar aquele contatinho e ligar um pornô? Ou, quem sabe, ver um sozinha para se conhecer? #ficaadica!

que nem mocinha - mulheres e pornô - gif 2
“Nós vamos transar”

Esse texto foi revisado pela mocinha Angélica Fontella <3

Bia Silveira

é jornalista, escritora nas horas vagas, louca das redes sociais e, como vocês vão descobrir através dos mil textos, super ultra tagarela. Sabe que veio sem aquele botão do resumo e do silêncio na sua fabricação. Ligada no 320volts, com a mente sempre em busca de algo novo, pode parecer meio curta e grossa, mas jura que tem um coração grande e paciência pra ouvir os problemas dos amigos. Se descobriu feminista em 2010, quando viajou sozinha para um intercâmbio e percebeu que seus pensamentos e suas ações incomodavam muita gente preconceituosa. Não gosta de começar discussões, mas se chamar para falar de assunto tabu, sai de baixo! Apaixonada por viagens, livros de romance água com açúcar, seriados do Netflix e gastar um dinheiro considerável com coisas de farmácia. Acredita que ninguém tem apenas uma metade da laranja nessa vida e que amor e relacionamento dão trabalho, mas valem cada segundo gasto! Confira as matérias escritas por ela aqui. Para entrar em contato com ela, envie um e-mail para bianca@quenemmocinha.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *