Crônicas

Sim, mulher também fode!

Uma mesa de bar, uma quinta-feira a noite, pós trabalho, pré-feriado, dois dedos de álcool com gelo, um olhar aqui, outro ali e muita conversa sobre a vida. Até que o bendito assunto chega na mesa. Chegou sem avisar, entre uma frase e outra, meio tímido e corriqueiro. Mas chegou aos meus ouvidos e aí foi mais forte, eu juro. “Fazer amor, alguém ainda usa essa expressão? ” Soltei assim, como quem realmente está confusa com tudo aquilo.

Que me perdoem os delicados, as amigas pudicas criadas sob a forma machista de não falar “baixaria” ou “palavrão”, mas fazer amor não dá pra mim. Amor é o conjunto da obra, é o carinho na manhã de domingo, o telefonema nos dias de TPM, a presença no jantar de família, é o beijo longo quando você está carente, é o cafune vendo Netflix e sim, a foda do sábado a noite. E se você voltou pra ler a palavra foda, senta aqui que lá vem texto.

Sim, mulher também fode. E fode bem, fode gostoso e fode com tesão! Sim, somos animais. Comemos com talheres, falamos vários idiomas, somos seres pensantes e filosofamos na mesa de bar, mas somos carnais, sexuais e vivemos de tesão e de vontade. Se você ainda não entendeu, eu repito: mulher fode e gosta muito! Se você é mulher, está lendo isso e não pensa assim, volte 3 casas nesse jogo e faça de novo, você definitivamente não encontrou o parceiro ou parceira certo/certa.

Que sexo é tabu todo mundo já sabe. Mas o que nós mulheres fazemos para mudar isso, se na hora da cama estamos mais preocupadas em fazer amor do que sexo? Deixa o amor para o pós, pro telefonema do dia seguinte e pro carinho de saber como foi o dia estressante de trabalho; entre quatro paredes, meu bem, deixa a foda existir. Deixa o arranhado, o tapa, a mordida, o som, o gemido, e todos os outros desejos saírem de você e ganharem forma. Deixa ele chamar de piranha (se você achar valido – se não gostar, está proibido!), deixa ele ter as fantasias sexuais e se permita ter as suas. Fantasie, curta cada momento, goze e foda com vontade! Se libertar é a palavra-chave de um sexo bem feito. Até porque ter prazer e dar prazer com alguém que você gosta é mais que uma digna forma de amor, se não a mais real e simples de todas as formas. Não há no mundo chocolate belga 75% cacau importado que ganhe de um orgasmo bem feito, daquele que você fecha o olho e agradece o parceiro com um riso solto.

que nem mocinha - mulher fode

E vou além, “fazer amor” existe sim. Não sou coração de gelo, nem insensível ou seca. Amor é lindo, é puro e deve ser cultivado com a pessoa certa. Mas o amor existe na liberdade de deixar o seu parceiro ser quem ele é, e olhar pra ela de calcinha bege num domingo a tarde e ter tesão, de deitar de conchinha pra ver TV, e sabe como é, né? Acabar rolando ali mesmo no sofá no meio do edredon e jogando a pipoca no chão. Mas tem momentos da vida, que nós mulheres precisamos entender que sexo é sexo. Foda é foda. E prazer é prazer. Sem mimimi, sem tabu, sem regras e principalmente, sem amarras sociais e machistas.

E ai, ali naquela mesa de bar, em meio a outras vozes eu parei e apenas falei: “gente, fazer amor é bonitinho, até tem momentos que você faz isso, mas tem momentos que a mulher fode e ponto final.” Segui bebendo meu drink e comendo batata frita, assim como quem fala algo muito normal.  Mas achei que ia ser repreendida e já estava me preparando para rebater as críticas quando na verdade vi um riso tímido na boca dos amigos e diversos olhares de aprovação. Sim, mulheres bem resolvidas existem e queremos mais delas no mundo. Não precisa sair por ai gritando o que você faz entre quatro paredes, nem ficar desmerecendo aquelas mulheres que ainda não se sentem a vontade pra falar sobre o assunto. Não estou aqui pra julgar ninguém, longe disso, e se você acha que sexo só existe se for “fazendo amor”, ok, espero que encontre um parceiro que pense como você.  Mas não me venha com aquele papo machista de que existe mulher pra casar e mulher pra transa pós night ou que mulher na cama tem que ser puta e fora dela ser santa e delicada. Ou pior, que com a namorada você faz amor e com as mulheres que você pegava quando estava solteiro era sexo – acredite, já ouvi essa barbárie. Dá pra fazer amor e ser feliz em um relacionamento, sem deixar de lado o tesão da foda! É isso, claro, nítido e simples como aquele chope gelado tirado na hora. E tenho dito!

Bia Silveira

é jornalista, escritora nas horas vagas, louca das redes sociais e, como vocês vão descobrir através dos mil textos, super ultra tagarela. Sabe que veio sem aquele botão do resumo e do silêncio na sua fabricação. Ligada no 320volts, com a mente sempre em busca de algo novo, pode parecer meio curta e grossa, mas jura que tem um coração grande e paciência pra ouvir os problemas dos amigos. Se descobriu feminista em 2010, quando viajou sozinha para um intercâmbio e percebeu que seus pensamentos e suas ações incomodavam muita gente preconceituosa. Não gosta de começar discussões, mas se chamar para falar de assunto tabu, sai de baixo! Apaixonada por viagens, livros de romance água com açúcar, seriados do Netflix e gastar um dinheiro considerável com coisas de farmácia. Acredita que ninguém tem apenas uma metade da laranja nessa vida e que amor e relacionamento dão trabalho, mas valem cada segundo gasto! Confira as matérias escritas por ela aqui. Para entrar em contato com ela, envie um e-mail para bianca@quenemmocinha.com

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