Exibicionismo: muito mais do que um fetiche….

Olá, meninas, tudo bem? Na coluna de hoje irei responder uma pergunta de uma leitora que está na dúvida sobre suas práticas sexuais. Vamos aproveitar esse momento para falar sobre fetiches, que, originalmente, era um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. Inicialmente, este conceito foi usado pelos portugueses para referir-se aos objetos empregados nos cultos religiosos dos negros da África ocidental. Já na psicologia, o fetiche é uma parafilia, ou seja, um padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não é o ato em sim, e sim em outra atividade. Curiosa? Vem com a gente. 

Na última semana, recebemos a seguinte pergunta:

Eu tenho um fetiche estranho….eu adoro Fazer sexo em lugares públicos
Isso é normal?

fetiche

Vamos por tópicos e de modo didático para que não haja nenhum tipo de julgamento ou preconceito de nossa parte para nossa querida mocinha. Antes de mais nada, o ato sexual  em locais públicos acontece  com maior frequência entre adolescentes e jovens adultos (até 25 anos) por estarem iniciando se sexualmente. É um período de muitas descobertas, onde o ato sexual simplesmente aconteceu por si só no local nas famosas “rapidinhas” ou até mesmo como forma de ter a adrenalina com o medo de ser descoberto.

Sobre o fetiche

Existe  dentro da  população um pequeno grupo de pessoas que realmente só conseguem ter prazer sexual se o ato ocorrer em locais “menos apropriados aos olhos da sociedade”, digamos assim. Esse tipo de comportamento causa muito sofrimento a essas pessoas (por questões morais e legislativas) e a outras que não participam diretamente, mas acabam presenciando sem querer o ato sexual do outro.

Esse grupo de pessoas estão dentro das parafilias, antigamente chamadas de “perversões sexuais”. Como explicamos por alto no primeiro parágrafo, as parafilias são atitudes sexuais “diferentes”, que fogem do padrão aceito pela sociedade. Tais atitudes (exceto a pedofilia) podem estar presentes em pessoas com vida sexual normal, apenas sendo uma variação da maneira de se obter prazer, sem que se caracterize um transtorno. Para se tornar patológica essa preferência deve ser de grande intensidade e exclusiva, isto é, a pessoa não se satisfaz ou não consegue obter prazer com outras maneiras de praticar a atividade sexual.

Esse fetiche trazido pela nossa leitora é conhecida como exibicionismo. É quando a pessoa mostra seus genitais a uma pessoa estranha ou comete atos sexuais, em geral em local público. A reação desta pessoa a quem pegou de surpresa lhe desperta excitação e prazer sexual, mas geralmente não existe qualquer tentativa de uma atividade sexual com o estranho. As pessoas que abaixam as calças em sinal de protesto ou ataque a preceitos morais não são exibicionistas, pois não fazem isso com finalidade sexual.

No caso de nossa leitora não consigo analisar se está dentro ou não dos “padrões de normalidade”, pois não sei se o que mais a excita é que um estranho a veja em ato sexual, ou se o local público é o fator principal de excitação. Pesquisando sobre o tema na rede, identifiquei a existência de grupos em redes sociais, na qual adeptos ao sexo em  locais públicos. Os chamados Dogging dividem suas experiências e até marcam encontro em determinados locais para compartilharem o ato sexual.

O termo “dogging “nasceu em meados da década de 1970, na Inglaterra, e é uma prática que combina voyeurismo e exibicionismo,mas como uma característica diferença: o ato sexual é realizado sempre ao ar livre. Isso mesmo! Em áreas públicas ou semi públicas. Os casais adeptos dessa tendência costumam ir para alguma área pública tarde da noite e com pouca circulação (como praças, parques e até estacionamentos) e começam a ter relação ou se exibir para desconhecidos – na maioria, homens – que se masturbam ao redor do veículo enquanto assistem tudo.

Ok, mas a questão é: onde isso é excitante?

Bem, assim como o próprio voyeurismo, a excitação desse fetiche vem justamente da exposição diante estranhos e da quebra de regras que é transar num lugar completamente inusitado. O dogging, em específico, se baseia no prazer do sexo alcançado com mais intensidade devido ao fato de desconhecidos estarem olhando tudo de muito perto. As pessoas são encorajadas a ficarem olhando, o que aumenta a excitação sexual de quem está fazendo sexo. A única distinção do voyeurismo convencional é que a observação acontece mais de perto e há possibilidade de participar do sexo, como ocorre nas casas de swing.

Existem regras sim!

O fetiche, seja qual for, também possui regras. No caso do dogging, já mencionado, por ser uma atividade ilegal sujeito a penalidades como privação da liberdade. Os praticantes marcam encontros pela internet através sites ou fóruns voltados ao tema, e escolhem o lugar. As pessoas geralmente optam por carros ou banheiros públicos, pois, além de mais prático, é um espaço mais “íntimo” no ambiente urbano.

As regras são simples e bem definidas:

  • Se as luzes do carros estiverem acessas, significa que as pessoas ao redor podem se aproximar e assistir;
  • Se as janelas estiverem abertas, significa que é permitido tocar no casal e vice-versa;
  • Se as portas estiverem abertas, significa que a participação no sexo é permitida.

Existem exceções, claro, mas isso vai de cada casal e dos limites que são estabelecidos entre si e os outros envolvidos.

Não costumo ditar regras para dizer o que é ou o que não é adequado sexualmente, porém acredito em dois conceitos:

  • Consensualidade: onde todas as partes querem participar por livre espontânea vontade , e tem a clareza psíquica a respeito.
  • Não sofrimento psíquico: Todos os envolvidos tem maturidade emocional  para assumir a responsabilidade não só por esse ato, mas por qualquer ato tomado em vida!
  • Camisinha: Meio óbvio, mas é sempre bom lembrar que a camisinha é o único dos métodos contraceptivos que previne a transmissão das DSTs. Ah, ela vale também para o sexo oral, já que você também pode ser contaminada nessa hora.

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Porém…

Cada um é livre para fazer o que bem entender, desde que respeite as vontades do próximo. É normal que a sensação do proibido e o medo de ser descoberto provoca a libido e pode proporcionar um prazer mais intenso. Porém, seria irresponsabilidade não atentar para um fato muito importante. Quando você faz sexo no meio da rua — ou em qualquer local público — você está praticando o crime de “ato obsceno”, previsto no artigo 233 do Código Penal Brasileiro. Na verdade, esse crime vai além do sexo em si: é toda e qualquer ação de cunho sexual em que se ofenda o puder e a moral da sociedade. Nessa linha entra também, por exemplo, ficar pelado no meio da rua. Porém, não é porque alguém que está nu na rua que ele se enquadre no crime: se tiver um motivo por trás, como um trabalho artístico, existe a possibilidade da pessoa não ser enquadrada. Também tem a questão de alguém ver o fato; se ninguém ver, tá “tranquilo”. Agora, se houver uma denúncia formal, isso pode acabar em cadeia. A pena é de detenção (de 3 meses a 1 ano) ou multa.

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