Meu amor não é fetiche

Entre as dez categorias mais procuradas no site Pornhub, lésbicas se encontra na primeira colocação. Aparentemente, cenas de sexo entre mulheres excitam diferentes públicos, incluindo o feminino, independente da sua sexualidade. Ainda assim, como homens são os maiores consumidores de pornografia, é fácil compreender que a pornografia lésbica mainstream é feita para o male gaze, ou seja, sua narrativa busca contemplar a perspectiva do olhar (e prazer) masculino e não se importa em objetificar as mulheres em cena.

Infelizmente, o sexo lésbico ainda é visto como um fetiche e não uma experiência a ser vivida entre duas pessoas com tesão. Enquanto nas narrativas ficcionais televisivas, o romance entre mulheres continua quase inexistente, na pornografia, esse sexo existe para homens se divertirem.  Sem querer ofender, mas é de deixar qualquer pessoa exausta a forma como algumas pessoas conseguem fetichizar a sexualidade entre mulheres. A sexualidade é uma commodity a ser distorcida da realidade e utilizada para o prazer dos outros. É um reflexo direto de como a indústria midiática trata os relacionamentos entre as pessoas do mesmo gênero.

Enquanto buscam alguém para dividir suas experiências sexuais (e amorosas), muitas lésbicas acabam encontrando casais heterossexuais interessados em uma noite de prazer com mais uma amante ou mulheres que procuram mulheres apenas para o prazer de uma noite só. Parte dessas pessoas não se importa com os sentimentos delas, querem apenas o prazer sexual e voltar a sua zona de conforto heternormativa.

Lembrando que falar sobre isso não é ignorar a existência de mulheres bissexuais ou pansexuais que se sentem atraídas por outros gêneros além do feminino, apenas reforçar que a vivência lésbica pode ser muito claustrofóbica por existir pessoas que não conseguem compreender como ser uma minoria, no campo afetivo e sexual, ainda é uma forma de resistência.

Ainda pior, existem pessoas que acreditam em questionar como é o sexo entre duas namoradas, quais tipos de brinquedos são usados na relação, quais posições gostam e não gostam na cama. Sua vivência e afeto só existem enquanto sexo, não como amor. É público para alguns aproveitarem suas fantasias e curiosidades, mas não para ser aceito no âmbito de direitos sociais ou na individualidade afetiva.

Como dizia Jenny Schecter, homens não conseguem compreender como mulheres podem ter ótimos orgasmos sem que um pau esteja envolvido. A vida sexual entre as mulheres não é apenas o fetiche de muitos homens, mas também a realidade de diversas mulheres. Compreender que a vivência sexual delas não é apenas para o tesão de homens é um ótimo caminho para encontrar a igualdade social que lhes é de direito.

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