Bora falar da endometriose?

Cólicas que não a deixavam sair da cama, menstruação de quase duas semanas e muita, muita dor na relação sexual. O que  Flávia Najar sempre ouviu que era “frescura”, na verdade, era doença. Ela tinha endometriose, que afeta cerca de 176 milhões de mulheres no mundo, sendo seis milhões só no Brasil. Mesmo com esses números assustadores, a doença é pouco conhecida. Por isso, março é conhecido internacionalmente como o “mês de conscientização sobre a endometriose” – e não poderíamos deixar de contribuir e falar sobre isso.

A endometriose

Nessa doença, o endométrio (tecido que reveste o interior do útero) está presente fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve: trompas, ovários, intestinos e bexiga. Ninguém sabe ao certo porque isso acontece, mas a teoria mais conhecida é a “menstruação retrógrada”, em que o fluxo sanguíneo volta pelas tubas uterinas, sendo derramado nos órgãos próximos. Também existem outras duas teorias bem consideradas: falhas no sistema imunológico ou transformação de células, que assumem as características do endométrio, fora do útero.

que nem mocinha - bora falar de endometriose

Fonte: Minuto Biomedicina

Além da doença ser pouco conhecida, existe uma grande dificuldade dentro da comunidade médica de identificar e diagnosticar. Uma pesquisa feita com 956 médicos, de dez estados brasileiros, mostrou que embora a maioria (78%) dos profissionais conheça os principais sintomas (vamos falar disso mais para frente), e saiba como identificar a endometriose (82%), 67% dos médicos acreditam que os centros disponíveis para tratamento da doença não são capazes de atender à demanda brasileira e 93% gostariam que houvesse mais centros de tratamento. Quando perguntados quais os maiores desafios para diagnóstico precoce da doença, 49% dos profissionais responderam falta de tratamento específico e dificuldade de acesso aos recursos e exames para diagnóstico preciso da doença. Difícil, né?

A endometriose acomete mulheres que estão no período reprodutivo, que vai desde a primeira menstruação até a menopausa. Grande parte de mulheres começa a ter os sintomas da doença inicial ainda na adolescência, então a doença pode surgir nos primeiros anos de menstruação.

Sintomas

Os sintomas mais comuns são dor e irregularidades menstruais, mas a mulher também pode ter:

• Dor (leve, forte o aguda) na parte inferior das costas, parte inferior do abdômen, pélvis, reto ou vagina;
• Dor durante a relação sexual;
• Menstruação anormal, dolorosa ou irregular;
• Prisão de ventre, náusea ou quantidades excessivas de gases.
• Dor ao defecar ou sensação de estufamento abdominal

“O problema da endometriose é que muitos dos sintomas dela tratados como normais ou frescura: ‘Cólica extremamente forte? Você que está sendo fresca, todo mundo tem cólica. Dor na relação? Sempre vai doer, deixe de drama. Talvez o seu parceiro (ou você) não saiba fazer direito’. Foram coisas que eu ouvia, então o maior problema é que as mulheres que tem muitas vezes demoram muito para descobrir que tem”, afirmou Flávia Najar.

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Endometriose x Infertilidade

A endometriose pode causar a infertilidade. Isso acontece quando há acometimento das trompas, órgão que conduz o óvulo ao útero, além de poder se associar a alterações hormonais e imunológicas que dificultariam a gestação. O que não significa que todas as mulheres que têm endometriose vão ficar inférteis, ok? A doença diminui a chance de gestação, porque faz com que o número de óvulos seja melhor e menos eficiente.

Se a mulher for diagnosticada com a endometriose e quiser ter um filho, ela pode ser encaminhada para um Centro de Reprodução Humana, pois muitos médicos consideram que, nesses casos, a melhor alternativa é a fertilização in vitro. Isso porque a presença da endometriose não afeta as taxas de gravidez quando escolhido esse método.

Tem como tratar?

Existem dois tipos de tratamento: medicamentos ou cirurgia. Só sua médica pode avaliar a gravidade do seu caso e, assim, recomendar o que for melhor para você. Dependendo da situação, os dois procedimentos são feitos de maneira integrada.

Medicamentos

Nesse caso, o objetivo é reduzir o estímulo do estrógeno produzido pelos ovários sobre as lesões que caracterizam a doença. Isto pode ser alcançado diminuindo a produção hormonal ovariana ou a ação do estrogênio sobre as lesões endometrióticas na pelve. Muitas mocinhas tomam o anticoncepcional para “tratar” a doença, como a Ana Beatriz Fernandes, que emenda uma cartela na outra desde que descobriu que tinha endometriose – claro que isso foi recomendação médica, viu? Ela disse que o AC resolveu bem seu problema: “Fico sem dor nem fluxo e, também, controla a endo evitando a formação de novos focos”.

Cirurgia

O médico também pode encaminhar a paciente para fazer uma cirurgia chamada laparoscopia, procedimento em que a a endometriose é removida. Em alguns casos, é possível eliminar apenas os focos da doença ou as complicações que ela traz – como cistos, por exemplo. No entanto, em situações mais sérias, o procedimento precisará até remover os órgãos pélvicos afetados pela enfermidade.

Juliana Magrini foi uma das muitas mulheres que passaram pela cirurgia e disse que o procedimento foi tranquilo por causa da anestesia geral e que saiu do hospital no dia seguinte. O chato, segundo ela, foi a recuperação: “São quatro buraquinhos na região do abdômen, então precisava de ajuda em coisas simples, como levantar da cama e sentar na privada. Quando fazemos isso, colocamos coloca força na barriga e nem percebe. Eu só percebi quando parecia que meus pontos iam estourar quando fazia”. Para tirar os pontos, demorou entre duas semanas e um mês. Hoje, ela tem três marquinhas mais claras na linha do biquíni e seu umbigo ficou com marca de queloide (uma cicatriz saliente, causada pelo excesso de proteína na pele durante a cicatrização).

Por enquanto, a doença não tem cura, mas pode ser muito bem administrada.

É isso, meninas! Temos que ficar atentas para qualquer sinal que o nosso corpo mandar – não importa se os outros acham que é frescura ou não. Se você se identificou com um ou mais dos sintomas, procure sua médica rápido, tá bom? 

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