HIV: Transmissão e sintomas

Olá, mocinhas! Na semana passada, falei aqui sobre o Dia Mundial Contra a AIDS e um pouco mais sobre a doença que já atinge mais de 800.00 pessoas só no Brasil. Então se liguem que hoje vou falar sobre as formas de transmissão do HIV e os sintomas mais comuns, além de como fazer o teste.

Transmissão

Para a doença se desenvolver, o vírus do HIV precisa ter contato com a circulação sanguínea. Logo, o simples contato com a pele não é suficiente para a transmissão da doença. Isso significa que você pode abraçar uma pessoa que tem o HIV sem o menor problema, ok? Elas não são intocáveis. Outra coisa para se desmitificar: o contato com o sangue contaminado na pele não é suficiente para se contrair o HIV. A transmissão só tem chances de acontecer se a pele em questão apresentar feridas, que são a porta de entrada para a corrente sanguínea.

Agora, se a pele é uma excelente barreira, o mesmo não podemos dizer das mucosas, que possibilitam a entrada do HIV no organismo. A principal via de transmissão do HIV é através das mucosas dos órgãos sexuais e oral, que frequentemente apresenta feridas. Toda relação sexual causa pequenos traumas nessas mucosas, muitas vezes invisíveis ao olho nu, o que facilita a contaminação pelo vírus que está presente nas secreções genitais.

Sample blood collection tube with HIV test label on HIV infection screening test form.

A pessoa também está suscetível ao vírus se faz qualquer perfuração na pele (como piercings ou tatuagens) com material contaminado, então preste bem atenção e pesquisa as referências do estúdio antes de marcar o seu horário. Ainda nessa vibe de agulha, o HIV pode ser transmitido por meio de transfusão de sangue contaminado — por isso que o sangue doado passa por uma triagem. Usuários de drogas que compartilham agulhas também correm sérios riscos.

Por fim, mas não menos importante, as gestantes infectadas podem passar o vírus para o feto durante a gravidez, no parto ou durante a amamentação, se não fizer a prevenção da transmissão vertical.

Sintomas

Depois da transmissão do HIV, o portador começa a apresentador alguns sinais de que está com o vírus. Importante ressaltar que tais sintomas não significam necessariamente que você está com o HIV e que eles variam de acordo com a fase e não aparecem em todos os portadores. A única forma de saber 100% se você está com o vírus é fazendo o teste (próximo tópico). Por enquanto, vamos aos sintomas mais comuns de cada fase:

Infecção aguda

Também chamada de “síndrome retroviral aguda”, é um quadro que muito se parece com a gripe. Surge de duas a quatro semanas após o paciente ter sido contaminado – mas nem todos os recém-infectados apresentam essa fase. A infecção aguda é o período logo após o contato com o vírus, momento em que a multiplicação do HIV é muito rápida. A grande quantidade de vírus no sangue é chamada de “carga viral”, e ela é muito alta porque o corpo não teve tempo de se defender. Os sintomas mais comuns incluem febre (a partir dos 38,3ºC), cansaço, dor de garganta, muscular e de cabeça, náuseas, suores noturnos e diarreia. Lembrando que: não é porque você tem esses sintomas que tem HIV. Eles podem significar gripe, mononucleose, infecção na garganta e outros tipos de doenças virais.

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Período assintomático

Esse período pode durar muitos anos e é marcado pela forte interação entre entre as células de defesa e as constantes (e rápidas!) mutações do vírus. No entanto, isso não gera sintomas (daí o nome), uma vez que o organismo não fica debilitado o suficiente para ser infectado com novas doenças.

Sintomática inicial

Com os ataques frequentes, as células de defesa “perdem sua força”, ou seja, começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. O organismo, por sua vez, fica mai fraco e vulnerável a infecções comuns. Essa fase é caracterizada pela redução quase drástica dos linfócitos T-CD4 (que são os glóbulos brancos do sistema imunológico). Eles ficam abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue, sendo que, em adultos saudáveis, esse valor varia entre 800 a 1.200 unidades. Os sintomas mais comuns são semelhantes ao da infecção aguda: febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento.

Casos avançados

A baixa imunidade dá brecha para que as chamadas doenças oportunistas apareçam. Elas levam esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Quando isso acontece, atinge-se o estágio mais avançado da doença: a AIDS. Doenças como hepatites virais, pneumonia, toxoplasmose e tuberculose são comuns nessa fase. Nas mulheres, a baixa imunidade e doenças oportunistas podem também interferir no ciclo menstrual, pois o corpo entende que está havendo alguma dificuldade e corta funções menos vitais para se preservar, como a atividade reprodutiva. Se a pessoa não se tratar nessa fase, o seu quadro só vai piorar, podendo levar a complicações graves que podem ser fatais.

…Okay, agora fiquei preocupada. Como eu posso saber estou com o vírus do HIV?

Se você transou sem camisinha ou passou por alguma situação de risco, aguarde 30 dias e faça o teste. Esse período é chamado de “janela imunológica”, e é o intervalo de tempo entre a infecção e a produção de anticorpos anti-HIV no sangue. Na maioria dos casos, a sorologia positiva (quando você está com o vírus)  é constatada de 30 a 60 dias após a exposição ao HIV. Porém, existem casos em que esse tempo é maior: o teste realizado 120 dias após a relação de risco serve apenas para detectar os casos raros de soroconversão – quando há mudança no resultado.

O teste é bem simples e é feito a partir da coleta de sangue. No Brasil, temos os testes laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em até 30 minutos, a partir de uma gotinha de sangue da ponta do dedo. Esses testes estão disponíveis de forma gratuita no SUS, nas nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento. E não se preocupe: os exames podem ser feitos de forma anônimas. Você também pode saber onde fazer o teste pelo Disque Saúde (136).

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