Fiz uma massagem tântrica – e nada será como antes…

Vamos começar esse post com um fato muito simples: sou jornalista de formação e blogueira por paixão, e não é porque falamos de sexo abertamente aqui no blog e testamos produtos e experiências como essa, que somos consideradas fáceis, promiscuas ou qualquer outro adjetivo pejorativo. Ok, entendido? Então vamos ao texto. 😉 Tudo começou quando li uma matéria da revista Glamour há alguns anos sobre massagem tântrica. Pouco conhecida e explorada, todas as informações daquela matéria pareciam misticas e mágicas. Uma massagem em que você tem orgasmos múltiplos e suas zonas de prazer são exploradas ao limite? Oi, já podemos agendar a nossa vez?! Os meses se passaram e a ideia de fazer a tal massagem foi morrendo, até que a solteirice bateu a minha porta (o ex nunca foi muito adepto a essas “novidades”) e virei colunista do blog. O famoso juntar o útil ao agradável e sugeri o famoso “testamos” da massagem tântrica. Se você espera um texto puramente jornalístico, com informações técnicas e entrevista, acho melhor voltar pro Google. A vibe aqui é uma mistura de informação, claro, e relato pessoal. Afinal, quem lê o blog espera tirar dúvidas e se sentir próximo desse universo sexo/sexualidade e nada mais verdadeiro que contar a minha experiência para vocês. Através da conversa com alguém da área, no caso a terapeuta tântrica, e entender mais sobre a massagem, você percebe a grande muralha de preconceitos e brincadeiras infantis e ignorantes que existem ao redor do assunto. E ai você entende todo o conceito e apenas relaxa – pois é perceptível como a massagem tântrica é algo necessário para diversas mulheres e homens com disfunções sexuais, como essa técnica pode ajudar casais a se reconectar, a modificar a maneira de conhecer o corpo do seu parceiro e principalmente, como o indivíduo podem se olhar e se conhecer. No final do post dou dica de lugares bacanas e sérios para que vocês possam buscar e agendar sua massagem, além de super indicar a clínica que fiz, e a terapeuta tântrica que me atendeu. A proposta da massagem tântrica é que você conheça um pouco mais do seu corpo, seu prazer, suas vontades e limites. Ou seja, vamos a primeira curiosidade. A massagem tântrica é sobre sexualidade, e não sobre sexo. Ou seja, a massagem serve para um autoconhecimento do corpo e de cada milímetro capaz de proporcionar prazer. De maneira alguma você deve esperar ter contato sexual com o terapeuta, seja ele homem ou mulher. Eles são profissionais conceituados e devem ser respeitados. Logo, não faça nada que não for liberado, permitido ou explicado antes. Regras são regras! Sobre a massagem tântrica “A massagem tântrica é um ato egoísta e tem que ser assim”. Essa foi uma das frases mais emblemáticas e significativas da minha conversa/entrevista com a terapeuta tântrica que me fez a massagem, Erika Maya. Com mais de sete anos no meio, e aproximadamente uns três anos com especialização em disfunção sexual, a terapeuta foi um achado. Além de me explicar um pouco do neotantra, ela falou sobre as diferentes técnicas usadas nas massagens tântricas; como cada pessoa busca algo e como o tantra pode ajudar e me proporcionar momentos únicos (hahahaha). Erika falou muito sobre como a massagem tântrica, os cursos e até mesmo o sexo tântrico possuem um barreira enorme de pré-conceitos e ignorância, que fazem com que muitos considerem algo errado ou puramente sexual. Descobri que ela é especializada em disfunção sexual, ou seja, sim, a massagem tântrica pode ajudar homens e mulheres que após recorrerem aos métodos convencionais médicos não encontraram solução e buscam algo mais intenso e interior. Já pensou que a sua falta de orgasmo, ou sua ejaculação precoce pode estar alinhada a traumas antigos ou a repressões da sociedade que você internalizou? Não? Nem eu, mas depois desse papo, tudo fazia mais sentido. A filosofia tântrica tem como base os chacras – centros energéticos dentro do corpo humano, que distribuem a energia (prana) através de canais (nadis) que nutrem órgãos e sistemas. Sim, já vou contar sobre os orgasmos, esperem! Outra curiosidade da massagem tântrica é a diferença da massagem yoni (feminina) para a lingam (masculina). As duas possuem o mesmo começo, a sensitive – uma massagem em que a terapeuta praticamente não encosta na sua pele; é um toque muito muito superficial que vai energizando seu corpo. E agora o meu relato, é serio, e perceptível a energia que seu corpo exala com esse leve e sútil toque. Depois, a massagem ganha um toque firme, nada de apertar, tudo apenas com a mão, sem óleos. O toque vai ativando seus chacras e eu pelo menos, senti ondas de energia por todo o corpo, como se internamente meu corpo tivesse tendo espasmos. Uma mistura de prazer, energia e liberdade muito maravilhosa! Porém, as duas massagens tântricas se diferem no final. A minha explicação é mais simplificada e leiga, até porque ninguém aqui fez o curso de massagem tântrica – ainda! Enquanto a yoni possui um foco muito grande na estimulação do clitóris e do ponto G feminino – se assemelhando muito a uma masturbação – a masculina não foca nos movimentos de masturbação conhecidos por todos, e sim, movimentos em áreas erógenas, que podem ou não ser o pênis e a próstata. O por quê dessa diferença? Vamos a aula de história rapidamente. A mulher desde sempre vive sobre o olhar preconceituoso da sociedade patriarcal e machista, logo, seu chacra base (Chakra Raiz), que fica no períneo, é muito mais fechado e com “energia acumulada”. A mulher não aprende desde nova a se tocar e a se conhecer. Por isso, a massagem tântrica busca o orgasmo feminino, em diferentes níveis: busca o conhecimento da mulher do seu clitóris, ponto G e outras áreas de prazer. Já o homem, que foi criado de outra maneira, se conhecendo, se tocando e tendo prazer desde novos, possui o chacra base muito “aberto”. Por isso, a massagem tântrica linguan pode acarretar o orgasmo seco, ou seja, sem ejaculação e/ou sêmen – algo como uma onda muito intensa de prazer, totalmente interna. Ajudando o homem a liberar energia para outros chacras mais “fechados” como o quarto chacra (Chacra cardíaco) considerado o chacra dos sentimentos e do coração. Erika me explicou que existem tipos diferentes de clientes e de terapeutas, mas que o mais importante é entender que você não tem que chegar na massagem e fazer o que quer. A massagem acontece em etapas e a terapeuta precisa entender suas energias, chacras e vontades do seu corpo. “Existem homens que vem cansados e estressados pós trabalho e acham que eu vou fazer algo puramente sexual e não é nada disso. Aqui não é uma casa de massagem, trabalho em um centro/clínica de massagem tântrica. Somos terapeutas, não massagistas ou esteticistas.” Outra curiosidade que me deixou bem animada foi que a maioria dos seus clientes eram idosos. Sim, a terceira idade faz sexo e cada vez mais, buscam o prazer que muitas vezes não tiveram na juventude por falta de informação e outros motivos. A hora H Depois de muito pesquisar sobre a massagem em si, chegou a hora de escolher o lugar. Fui na RJ Massagem, que tem dois ambientes, em Copacabana e no Centro do RJ. Fui para o de Copacabana. Assim que cheguei fui encaminhada para uma sala. Se você está curiosa sobre o ambiente, é bem simples e agradável. Com uma sala de espera e quatro salas, além de um banheiro com chuveiro, toalha e tudo mais. O local traz elementos da cultura oriental, onde o tantra se originou, por isso, muitas velas, incenso, elefantes, budas, madeira e musica tântrica permeiam o local. Mais uma vez, nada de sexo, galera! Fui para a sala e quando entrei, vamos ser sinceras né mocinhas, porque esse é o lugar para isso, tomei um leve susto. Vi duas camas/macas de solteiro no chão, com velas pequenas no meio, luminárias no teto, uma mesa com uma vela e incenso e pensei: oi, maca no chão? Não tá faltando nada não? Tipo aquela maca alta de massagem e tal. Mas ai depois de tudo que aconteceu naquela sala eu entendi o porquê da maca no chão. Para chegar ao seu rosto, a terapeuta precisa subir na maca e ela no chão dá mais apoio. Além disso, cada um reage de um jeito, podendo ficar tonto, ter sensações de espasmos intensos e cair da maca se ela for alta. Então sim, a maca no chão foi a melhor coisa. Quando você está de olho fechado o estar no chão te dá uma segurança ótima. A massagem é feita como você veio ao mundo – ou seja, sem roupa nenhuma. Então se você tem questões com o próprio corpo, mais um motivo para se soltar e experimentar a massagem. Depois disso, você deita de bruços, fecha o olho e relaxa. Foca na sua respiração, à lá yoga, e relaxa o corpo todo. Outra frase emblemática da Erika foi: “aqui é o lugar que você pode se soltar, se quiser chorar, rir, gritar, gemer, aqui é o lugar e esse é o seu momento” – resumindo: libera geral, mocinha! Pode se soltar que o momento é esse! A massagem então é feita dos três modos: sensitive, o toque e depois a estimulação do Ponto G e do clitóris. Na sensitive eu já senti que o meu corpo todo se “animou”, era como se eu tivesse um tato muito mais apurado, mesmo de olho fechado eu sentia cada centímetro do meu corpo tendo mini espasmos (que depois eu descobri que isso são orgasmos internos – explicação da Erika). O toque vem depois e com ele, você a começa aquele estágio conhecido por muitos como o “momento preliminar”. Como se o seu corpo apenas pedisse mais e mais e você começa a se soltar corporalmente. A Erika tem um cabelo lindo, mega cacheado e volumoso, quando ela tocava meus ombros e rosto, eu sentia o cabelo dela passando pelas minhas costas. Sim, faz parte! Tem algumas terapeutas que usam penas, assopram para que você sinta calor no pescoço e em áreas do corpo (superiores) que são pouco exploradas. Orelha, pescoço, braço, lateral do abdômen, tudo pode gerar prazer. O toque, o cabelo, o sopro, o calor das mãos, tudo faz parte de um processo de estimulação do corpo. Depois de quase 30 minutos, eu ouvi a Erika colocando luvas e ai eu percebi que o “tal momento” estava pra começar. E não vou mentir, rolou aquela  tensão básica. Observação importante: como os movimentos no clítoris e no ponto G podem levar até 30 minutos, é claro que a mão da terapeuta cansa. Uma parte pode ser feita com um bulet, vibrador externo.  Todos os produtos vem lacrados e esterilizados! Ah, e se você não sabe a diferença entre os vibradores, acesse aqui o nosso texto sobre. Após ela colocar as luvas, o óleo entra em ação. É a única parte da massagem tântrica com óleo. Quando contei isso pra uma amiga ela me olhou e falou: calma ae, ela colocou a mão lá?! Tipo lá? Sim!! Essa é a proposta da massagem tântrica yoni. Se não, faríamos massagem relaxante em um SPA, hahaha. Mas o mais importante é: relaxar e curtir. Eu conversei com a Erika antes da massagem começar, e isso me deixou bem mais tranquila quanto a esse “tabu” de alguém que eu não conheço, com quem eu não tenho nenhuma relação, me tocando. É algo puramente profissional, em todos os graus e níveis. Então sim, você terá (ou pelo menos, nós esperamos que sim!), ótimos orgasmos, mas tudo com um propósito. As terapeutas são profissionais que entendem do corpo humano como ninguém. Elas sabem o que muitas mulheres nem sabem: o formato do clitóris ou onde fica o ponto G. Os movimentos são diferentes da masturbação “convencional”. São precisos, em pontos certos e de acordo com a energia que seu corpo está exalando. E sim, são sensações muito diferentes das sexuais e muito prazerosas. A massagem tântrica busca chegar ao limite do seu corpo. Sabe aquele momento … Continue lendo Fiz uma massagem tântrica – e nada será como antes…