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Furry: Conheça o fetiche que é um modo de vida

Já imaginou um fetiche que envolve fofura? Nada de fazer cara feia, mocinha! Estamos falando do furry, que nada mais é que “peludo” em inglês. A tradução já adianta bastante: é o fetiche envolvendo textura e todos os estímulos de roupas e acessórios peludos. Ainda assim tá achando estranho? Realmente, não é algo que a maioria das pessoas tem contato. E, infelizmente, a falta de conhecimento pode levar ao preconceito. Por isso eu trago um convite. Leia este post com calma, deixando de lado seus julgamentos. Quem sabe você não se surpreenda?

Começando do começo: O que é Furry?

Para muitos, o Fandom Furry (pessoas que compartilham esse gosto) surgiu em uma convenção de ficção científica na década de 80. Porém, outros entusiastas consideram que o fandom surgiu na mesma época das revistas com personagens animais, livros e desenhos animados. Por exemplo, o filme Robin Hood, lançado pela Disney em 1973. Não é surpresa que o grande boom veio com a Internet. Os mecanismos de busca foram fundamentais para que os fãs e fetichistas pudessem se conhecer, compartilhar e ampliar seus gostos. Foi só em 2000 que surgiu o primeiro fórum brasileiro sobre o assunto: FurryBrasil, que existe até hoje.

Basicamente, podemos dizer que furry é a pessoa que curte a sensação de fantasias e acessórios peludos, seja usando ou tocando em alguém que esteja usando. Uma consequência indireta é que associamos o fetiche ao universo dos desenhos, pois muitas pessoas se fantasiam de personagens de animais para este fim. A fantasia também se estende para figuras do imaginário popular. Como o PornHub mostrou neste estudo de 2016 sobre a Páscoa, pesquisas com bunny (“coelho” em inglês), costumam têm um aumento de quase 900% durante o feriado. Os resultados mostram vídeos de pessoas transando fantasiadas de coelhos. Não estou falando apenas de arcos de orelha, à lá coelhinha da Playboy, estou falando de pessoas realmente fantasiadas, dos pés à cabeça.

que nem mocinha - furry - pesquisa 2016

É mais que um fetiche, é um estilo de vida

O jornalista George Gurley definiu furry como “sexo, religião, um modo totalmente novo de viver a vida”. Em matéria escrita para a revista Vanity Fair, o jornalista acompanhou o Midwest FurFest, a maior convenção do gênero. Os pensamentos que ele traz para o leitor são muito interessantes, que nos fazem refletir sobre o impacto dos animais humanizados na nossa vida. É bem mais do que você pensa, mocinha. Olha só: os ícones da Disney são ratos, patos e cachorros que falam e agem como pessoas. Tigre Tony nos dizia qual cereal comer e Scooby Doo era (e ainda é!) um verdadeiro fenômeno. Não estou falando que todo mundo que cresceu convivendo com esses personagens tem esse fetiche, e sim que muitos dos furries que apareceram na reportagem indicaram que esse foi o início.

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Jesse Bering tem um livro para lá de interessante chamado Perv: The Sexual Deviant in All of Us (“Pervetido: O Desvio Sexual em Todos Nós”). Para ele, o furry é uma forma inofensiva de expressão sexual. “Ele nos perturba porque é estranho para a maioria de nós. Mas, se houver um contexto de desenvolvimento para isso, como parece ser com a maioria dos fetiches, talvez mais de nós tenham segredos, há muito enterrados, sobre os animais de pelúcia da nossa infância, do que gostaríamos de admitir”. Ainda de acordo com Bering, tornar-se um furry “oferece uma maneira segunda e libertadora de explorar identidades sexuais” e pode ser entendido como uma “resposta única e subversiva à repressão sexual ocidental”.

O reflexo do Furry nas sexshops

A Internet tem duas regras importantíssimas. a 34 diz que se algo existe, foi feito uma pornografia sobre isso. E, se não há pornô de algo, a regra 35 prevê que ele será criado. Bônus pra 39, que conversa diretamente com este post: “Há pornô de tudo no estilo furry, sem exceções”. Posso dizer que a 34 conversa (e muito!) com o universo das sexshops. Hoje, existe vários produtos que brincam com esse fetiche e que envolvem pelúcia.

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Então, caras mocinhas, porque não dar uma chance ao furry? Se vocês ficaram curiosas, não tem motivo para deixar o preconceito impedir vocês de experimentarem. Se joguem!

Thayanne Porto

Jornalista de coração, alma e diploma, encontrou nas palavras o melhor modo de se expressar. Feminista em eterna construção. Apaixonada por livros, séries, drag queens e sua gata Julietta. Acredita que a revolução pode (e deve!) acontecer de dentro para fora - e por que não dentro de quatro paredes? Quer mandar um e-mail? Escreva para thayanne@quenemmocinha.com

Um comentário

  • Rafael

    Boa tarde!! O conteúdo que vocês postam sobre fetiches é bem vasto e interessante. Já postaram sobre Capnolagnia ou Smoking Fetish?

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