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Eu engravidei com o DIU de cobre

Olá, mocinhas, tudo bem com vocês? Hoje vim dar meu relato pessoal sobre métodos contraceptivos. Sabe aquele 5% de chance de engravidar? Pois é. Eles acontecem de verdade. 

O início

Em 2011, eu tive uma gravidez não planejada. Na época, tomava o anticoncepcional Yasmin, mas, graças a uma gastroenterite, tomei antibióticos por dez dias consecutivos. Cheguei a avisar ao médico que tomava pílula e nada foi falado sobre a possibilidade do remédio cortar o efeito, desde um simples vômito ou até como consequência da “mistura” dos medicamentos.

Esse bebê não vingou, tive um abortamento espontâneo com 10 semanas de gestação. Foi meu primeiro episódio de depressão, mas essa história fica para outro relato.

No final de 2012 engravidei da minha filha Eva. Foi uma gestação milimetricamente planejada: parei com o anticoncepcional, minha menstruação era super regulada, estava ovulando maravilhosamente e de férias. Ou seja, ambiente perfeito para planejar a concepção! E assim ocorreu: minha pequena foi concebida dia 29 de dezembro de 2012 e nasceu dia 9 de setembro de 2013.

Pensei muito na possibilidade de engravidar novamente entre 2014 e 2016 – e em diversos momentos tentava. Cheguei a ficar grávida em outubro de 2016, mas tive outro aborto espontâneo com sete semanas de gestação. O ano era de crise, mudança profissional e reestruturação financeira, então não me permiti entrar em luto com mais essa perda. Foi difícil, mas segui normalmente com minha vida.

Manifesto do luto e a escolha pelo DIU de cobre

Passado alguns meses, já em 2017, percebi que a cada menstruação, ficava triste, deprimida e reflexiva. Era o luto se manifestando e então conversei com meu marido sobre usar o DIU, um método contraceptivo mais seguro. Dessa forma, controlaria melhor minha natalidade e, assim, me defenderia de possíveis frustrações futuras relacionadas à gestação. Eu já havia me “conformado” que teria uma única filha, e passei a ler muito sobre rituais do sagrado feminino, como plantar a lua, para desenvolver uma relação melhor com a minha menstruação.

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Coloquei o DIU de cobre em fevereiro de 2017, com a explicação de que se tratava de um método contraceptivo quase com 100% de eficácia. Ele passou a ser procurado por muitas mulheres que, como eu, não queriam mais usar o anticoncepcional. Nos primeiros meses, senti muita cólica, tanto na menstruação quanto na ovulação. Em junho, senti uma dor mais forte no lado esquerdo do ventre e resolvi tocar meu colo uterino pra ver se tava tudo ok. Quando não senti o fiozinho, retornei ao ginecologista e descobri que o dispositivo tinha mesmo saído do do lado. Nenhuma explicação plausível foi me dada, simplesmente falaram que “às vezes pode acontecer” e que era para eu “relaxar”.

Passei a usar preservativo em dias que ovulava, ou simplesmente não tinha relações sexuais.

Reposição do DIU feita, vida seguindo normalmente. Trabalhava, estudava, cuidava da minha filha e curtia com meu marido. Depois de um ano muito agitado, tirei minhas tão sonhadas férias. Viajamos por 10 dias e foi incrível! Voltando para São Paulo, em janeiro, atualizei meu diário de constelação uterina e percebi que minha menstruação estava três dias atrasadas.

Na mesma semana, tive uma crise alérgica e foi para o pronto socorro. Por insistência do médico, fiz exame de gravidez e, para minha surpresa, deu positivo. Estava com cinco semanas de gestação e um mundo de incertezas na minha cabeça. Depois de três semanas, fiz meu primeiro ultrassom para detectar se era gravidez ectópica. Para quem não sabe, é quando o embrião se desenvolve nas trompas, colocando em risco não só a gestação, os órgãos reprodutores e a vida da mulher.

O bebê estava se desenvolvendo normalmente no saco embrionário e o DIU estava no colo uterino, e retira-lo antes das 12 semanas poderia resultar em um novo aborto espontâneo. Mudei de ginecologista, pois o que colocou o DIU não era obstetra, e minha maior preocupação era como levar essa gravidez a diante. Afinal, não foi planejada como minha filha, mas já era muito desejada por mim.

Meu ginecologista obstetra falou algumas coisas que considero importante dividir com vocês. Na primeira consulta, falei sobre meu histórico de miomas, cólicas, abortos e abolição da pilula anticoncepcional. Ele me disse que o fato de ter cólica mesmo ovulando já era indicativo de uma grande movimentação uterina. O DIU de cobre não atenderia perfeitamente o meu perfil e que eu deveria ter usado um combo de métodos contraceptivo de forma constante. Ou seja, o dispositivo com diafragma ou preservativo para tentar alcançar a tão sonhada eficácia de 100%.

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Minha cara quando ouvi isso…

Conclusão

Já era um pouco tarde para ouvir tais informações, mas fica aqui a dica pra vocês, mocinhas. Naquela consulta, foram traçadas medidas para manter a gestação segura. Ou seja, abstinência sexual (no sentido penetração vaginal), uso de progesterona liquida e retirada do diu após 16 semanas.

Tive que antecipar a retirada do DIU, pois a medida que o bebê crescia, o dispositivo machucava meu colo uterino e passei a ter sangramentos. Isso me deixava em pânico, pois revivia os meus dois abortos anteriores. Quando retirei, fiquei 10 dias afastada das minhas atividades, acompanhando com muita atenção o fechamento do meu colo uterino. Agora, cá estou eu, indo pra 21ª semana de gestação, dividindo mais um capítulo da minha vida com vocês. ❤

Hoje não me indago mais sobre como aconteceu, nem me pergunto se fui negligente em algum momento. Apenas resgato os porquês de optar por esse método, e cheguei a sincera conclusão que nunca foi para de fato não engravidar, mas para me defender de mais uma frustração por não engravidar.

Mas essa é minha historia, e acredito que a maioria busca esse procedimento acreditando na sua quase 100% de eficacia. Mocinhas, nenhum método é 100% eficaz. A única maneira de garantir com toda a certeza que não vai engravidar é não transando com homens. Então, não aceitem respostas como “acontece” ou “é assim mesmo”. Questionem! Leiam, procurem informações sobre diversos métodos contraceptivos e pesem os efeitos que você pode sentir. Você é conhecedora de seu universo particular, seu próprio corpo. Você é quem deve fazer a escolha final e deve poder fazer isso com todos os recursos e conhecimentos possíveis.

Ps: É um meninão, e assim que nascer venho aqui contar essa novidade. ❤ ❤ ❤

Erika Oliveira

Psicologa e Sexóloga, por curiosidade e vocação. Quando tinha 12 anos "devorou escondida" a coleção de livros sobre sexologia de sua mãe, ali nascia o interesse por uma das temáticas mais atraentes, enigmáticas e cheias de tabu: A sexualidade Humana. Na adolescência ensinava as amigas a como colocar absorvente, que siririca não engravidava, e quais eram sintomas da gravidez. Na juventude curtiu como muitas meninas, de beijos e carinhos entre meninas e meninos, conheceu o mundo BDSM ,as baladas GLBTS e por fim se apaixonou por um dentista de esquerda. Hoje é mãe da pequenina Eva,na maternidade sentiu necessidade de engajar-se na luta de igualdade de gêneros e emancipação das mulheres. Ativista feminista, se não está trabalhando, está brincando de pintar e contar historia com a sua filha, ou tomando uma cerveja com marido (aquele dentista de esquerda) conversando sobre as mazelas do mundo e como o amor é maior ato de revolução.

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