Estupro não é sexo

Estupro não é sobre sexo. É sobre poder e violência. É sobre acreditar que o corpo do outro pertence a alguém que não a própria pessoa. Esse texto não é para falar sobre o caso da menina de 16 anos que sofreu estupro coletivo no Rio de Janeiro. Esse texto é sobre uma das muitas faces da cultura do estupro enraizadas na sociedade patriarcal. É para falar que a violência contra mulher é a norma, e não a exceção.

Ouvi de alguns homens que conheço que a situação ocorrida foi fora do padrão, o exagero de homens fora de seu estado psicológico saudável. Primeiro, não é possível que todos os trinta e três homens envolvidos sejam psiquiatricamente doentes. Segundo, acho muito fácil colocar a culpa dos atos cometidos em uma possível psicopatia presente nesses homens, porque tira a responsabilidade da culpa deles sobre o que aconteceu e, ao mesmo tempo, distancia a violência. Afinal, se nenhum homem saudável faria o mesmo, não é preciso temer os homens.

Acredito que tenham homens completamente indignados com o estupro da jovem e que estão enojados com toda essa história. O problema é quando se torna normal, situações em que homens forcem beijos na balada, puxem as mulheres para elas não ignorem você no bar, piadas feitas com teor machista e violento, programas de televisão banalizando cenas de estupro e justificando relacionamentos abusivos como se fossem demonstrações de amor. Quando se soma todos esses fatores como a norma, nós temos a cultura de estupro, uma violência de graus diferentes que justifica o medo aos homens.

É preciso respeitar que o outro te diz, entender quando a esposa ou namorada não está afim de sexo e não forçar – ela não tem que transar só porque vocês estão em um relacionamento. Entender que ser homem de verdade não tem nada a ver com violência, mas com respeito aos direitos e liberdades de cada um. Respeitar a mulher não é apenas não violar o seu corpo, mas respeitar sua integridade física e moral. Aceitar que ela é um ser humano com direitos como todos os outros. Quando exatamente os homens passaram a enxergar a mulher como um ser inferior, apenas a ser usado para saciar o prazer sexual? Quando deixaram de ver sua humanidade?

Enquanto as mulheres continuarem a serem vistas como seres inferiores aos homens, enquanto não compreenderem a dimensão da luta diária do feminismo em diminuir as desigualdades sociais históricas presentes entre os gêneros, nós, mulheres, continuaremos a sofrer com as violências cotidianas. Infelizmente, soluções para mudar esse quadro só chegam a longo prazo, com a educação de gênero presente nas escolas, combatendo o machismo todos os dias.

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Rainha Olivia Benson

Sem ignorar jamais que essa luta é feita por mulheres e para mulheres. É preciso educar, discutir, denunciar, punir para mudar toda cultura que se mostra contra os direitos da mulher. Enquanto estivermos juntas somos mais fortes para lutar e alcançar a equidade social, histórica, econômica, cultural necessárias para que vivermos em uma sociedade justa.

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