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Erika Responde: estímulo visual, maternidade e gêneros

No Erika Responde da semana, trazemos assuntos muito interessantes: o estímulo visual como “fonte” do orgasmo, mais mamães tendo que lidar com a vida sexual e a maternidade, e uma mocinha que quer saber a diferença entre orientação sexual, identidade de gênero e como as escolas pretendem abordar esse tipo de assunto nas aulas. Vem com a gente!

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É comum a mulher ter orgasmos apenas vendo cenas de sexo sem ao menos se tocar?

É possível sim! Para entendermos melhor como isso acontece, tentarei ser breve e explicar como funciona as fases do pré e pós orgasmos. Os sexólogos e psicólogos chamam isso de Resposta Sexual:

A resposta sexual é dividida em: Incentivo Sexual (estimulo físico ou psíquico); Intimidade/Neutralidade Sexual, Desejo Espontâneo (pode ser o próprio Incentivo Sexual), Desejo/Excitação Sexual e a Satisfação Sexual (Orgasmo).

1ª. Fase: Início da atividade sexual com motivação/estimulo não necessariamente sexual. O estimulo ele pode ser físico ou psíquico. Esse último pode ser de ordem imaginária (fantasias/ sonhos), auditivas (disque-sexo, músicas, sons de gemido) e visuais (filmes eróticos, voyeurismo, revistas pornográficas, sexting)

2ª. Fase: Receptividade ao estímulo sexual em contexto adequado, identificação da excitação sexual potencial (excitação subjetiva e resposta física), desencadeando a responsividade biológica (inicio da lubrificação e enrijecimento do clitóris)

3ª. Fase: Vivência da excitação subjetiva, que também pode desencadear a consciência de desejo sexual (O desejo e fantasia de estar participando daquilo que se está assistindo). Fisicamente a mulher estará mais ofegante, ruborizada, bicos dos seios enrijecidos e popularmente falando…. molhadinha!

4ª. Fase: Aumento na intensidade da excitação e do desejo responsivo, podendo ou não ocorrer o alívio orgástico.

5ª. Fase: Satisfação física e emocional, aumentando a receptividade para iniciar a atividade sexual na próxima vez, o que fecha, portanto, um modelo circular. É frequente casos de mulheres que chegam ao orgasmo dormindo, através de sonhos eróticos e imagens quase que reais.

Então, meus amores, ledo engano, daqueles que acham que apenas com o pênis as mulheres poderão chegar ao orgasmo (tanto porque as lésbicas têm mais orgasmos do que as héteros). Além, do tato, a audição, paladar; o estimulo visual para algumas mulheres tem um peso maior para Excitação e Orgasmo.

A mulher que não se assusta com sua natureza e usufrui  seu potencial de imaginação consegue fazer loucuras em seus pensamentos mais secretos.

Então mocinha se liberta e vê o que te deixa feliz: seja vendo um filme, ouvindo uma música mais sensual..

Meu nome é Estella tenho 35 anos e tenho 3 filhos: 5, 3 e 8 meses; confesso que depois do ultimo filho meu tesão foi embora, tenho dó do meu esposo, me esforço e nada. Antes eu era muito fogosa, meu marido pedia arrego. Em minha ultima consulta a ginecologista disse que estava tudo OK que era coisa da minha cabeça, eu fui até pq queria algum remédio para secar meu leite ( amamento os 2 menores) Vc acha que devo procurar um psicólogo? Já pensei até separação, mas amo meu marido.

Como disse na semana passada, é comum que algumas mulheres tenham diminuição da libido devido a maternidade, isso por questões físicas, psicológicas e culturais.

A maternidade é uma jornada fisicamente exaustiva: até que o bebê complete os 3 meses de vida, ela irá amamentar a cada 2 ou 3 horas, inclusive no período da madrugada; essa privação do sono, além da fadiga e mal humor, é um dos fatores importantes relacionados com a queda da libido.

Além disso, amamentar a cada duas ou três horas, mais ou menos, assim como acalentar, ninar e trocar o bebê, pode deixar a mulher menos receptiva aos carinhos do parceiro.

A amamentação também pode suprimir a ovulação por meses após o parto. Isso significa que há menos estrogênio no seu corpo, e a falta desse hormônio deixa a vagina mais seca e inibe o impulso sexual. É como se o corpo soubesse que é cedo demais para ter outro bebê e naturalmente desestimulassem o sexo.

A mulheres, no momento que passam a ser mães, carregam uma série de esteriótipos: ser zelosa/cuidadosa; paciente; amorosa,”santa”. Ela deixa de ser mulher e passa ser a “mãe de alguém”.

A participação do parceiro nessa fase é muito importante: o homem deve auxiliar numa troca de fralda, participar na preparacao dos banhos junto ao bebe, ajudar a preparar uma mamadeira, ninar o bebê. Dividir as atividades para que essa mulher não se sinta tão sozinha e cansada.

É preciso ter dialogo aberto com o parceiro sobre as angustias e tensões que envolvam a maternidade, até para compreender que esse período é apenas uma fase.

Caso os problemas com a falta da libido continuem depois de 1 a 2 anos de vida do bebê, o casal deve buscar ajuda de profissionais, como terapeuta/psicólogos especializados em atendimento a casais. Às vezes, a vinda de uma terceira pessoa foi apenas o gatilho de um problema já existente.

Oi, eu tenho 15 anos e tenho muita dificuldade em entender o que é identidade de gênero e orientação sexual. É a mesma coisa? O que seria ideologia de gênero nas escolas? É aula para homossexual? Já li muitos textos na internet, mas ainda não está claro. Poderia me ajudar? Obrigado!

Mocinhas, vou explicar quatro temas interligados entre si, mas que se divergem em seus conceitos e que confundem muitas pessoas.

Sexo biológico

Em traços simples, o sexo biológico de um ser humano é definido pela combinação dos seus cromossomos com a sua genitália. Em um primeiro momento, isso infere se você nasceu macho, fêmea ou intersexual. No caso dos intersexuais, a mudança se caracteriza pela indeterminação do sexo biológico, se pensado no binarismo “macho” e “fêmea”. A intersexualidade pode se manifestar de formas diferentes, seja por conta das gônadas apresentarem características intermediárias entre os dois sexos, ou o aparelho genital não condizer com o tipo cromossômico.

Orientação sexual

A orientação sexual (e não opção sexual!) diz respeito à inclinação da pessoa no sentido afetivo, amoroso e sexual. Ou seja, ela sente atração por qual gênero/sexo? Confira algumas orientações sexuais abaixo e lembre-se: todo ser humano merece nada menos do que respeito.

Homossexuais: é a atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo gênero/sexo. As lésbicas, nesse contexto, são mulheres que gostam de mulheres e os gays são homens que gostam de homens.

Heterossexuais: é a atração afetiva e sexual por pessoas do gênero/sexo oposto.

Bissexuais: seria a atração afetiva e sexual por qualquer pessoa do binarismo de gênero: “homens” ou “mulheres”.

Assexuais: a assexualidade diz respeito às pessoas que não sentem atração sexual por nenhum gênero. Mas vale ressaltar que ainda é uma “sexualidade” em construção.

Pansexuais: é a atração afetiva ou sexual que não depende de gênero ou sexo.

Identidade de gênero

As últimas discussões no parlamento, que suplantaram as referências ao gênero nas escolas, mostraram a falta de preparo e conhecimento dos políticos no debate sobre o assunto. Constantemente, essas pessoas não sabiam diferenciar suas referências à identidade sexual, orientação sexual e gênero. Principalmente, não acreditam na existência de categorias de gênero. Pensadoras como Simone de Beauvoir e Luce Irigaray teorizaram o papel e a figura da mulher na sociedade. Com isso, abriram portas para novas discussões sobre gênero – discussões essas que continuam exaltadas, dando um caráter indefinido para o conceito de gênero.

No cerne das teorias feministas e da teoria Queer, atualmente, o gênero é tido como categorias que são historicamente, socialmente e culturalmente construídos, e são assumidos individualmente através de papeis, gostos, costumes, comportamentos e representações.

As identidades de gênero abrangem a complexidade humana, não se deve limitar ao binarismo “homem” e “mulher”.

Incluir a discussão de gênero nas escolas é a oportunidade de conscientizar as nossas crianças sobre questões que envolva machismo e LGTBFobias.

É mostrar que existe uma pluralidade de pessoas; que não há problemas em ser diferente e principalmente ensinar o respeito,amor e tolerância por cada um.

Erika Oliveira

Psicologa e Sexóloga, por curiosidade e vocação. Quando tinha 12 anos "devorou escondida" a coleção de livros sobre sexologia de sua mãe, ali nascia o interesse por uma das temáticas mais atraentes, enigmáticas e cheias de tabu: A sexualidade Humana. Na adolescência ensinava as amigas a como colocar absorvente, que siririca não engravidava, e quais eram sintomas da gravidez. Na juventude curtiu como muitas meninas, de beijos e carinhos entre meninas e meninos, conheceu o mundo BDSM ,as baladas GLBTS e por fim se apaixonou por um dentista de esquerda. Hoje é mãe da pequenina Eva,na maternidade sentiu necessidade de engajar-se na luta de igualdade de gêneros e emancipação das mulheres. Ativista feminista, se não está trabalhando, está brincando de pintar e contar historia com a sua filha, ou tomando uma cerveja com marido (aquele dentista de esquerda) conversando sobre as mazelas do mundo e como o amor é maior ato de revolução.

3 Comentários

  • Ana Isabelle

    Muito bom…..
    Amei todas as explicações….
    O blog é lacrador, fala de todos os assuntos.

    Queria perguntar se é possível gozar através do beijo grego?
    Existem técnicas para tal?
    Tenho muita curiosidade a respeito, mas confesso que morro de vergonha em fazer e em receber TB.

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