Corpo,  Erika Responde

Educação sexual: como falar com crianças

Olá meninas, tudo bem com vocês? No post de hoje o tom será mais sério, pois trata sobre educação sexual e como lidar com a sexualidade de nossos pequenos. É um assunto que gera polêmica, principalmente porque muitos pais não sabem como lidar com as fases de descobrimento das crianças. Por mais que gere um desconforto, esse tópico é muito importante e precisa ser tratado de forma natural, didática e, principalmente,  esclarecedor.Tudo começou quando recebemos a seguinte pergunta de uma mãe aflita:

Eu queria fazer uma perguntinha, sou mãe de um garotinho de 4 anos e observo que ele tem mania de tocar o próprio pênis.
É normal?
Eu repreendo ou deixo?
Socorro meninas , vcs precisam me dar esse help

Sim mamãe, é normal, é saudável, faz parte das etapas do desenvolvimento de seu pequeno. A primeira coisa que precisamos entender é que a criança ao se tocar (masturbar) está conhecendo e explorando o seu corpo. Não há conotação sexual nesse momento do desenvolvimento sexual infantil.

S igmund Freud, que é, na minha opinião, um dos maiores gênios que já habitou nosso planeta, analisou o comportamento de crianças na faixa de 3 a 7 anos, e constatou que as mesmas já tinham  noção de seus corpos e no prazer com a manipulação dos órgãos genitais. Esse estudo foi o ponta pé para a criação da psicanálise. Freud descreveu o desenvolvimento psicosexual infantil  em 5 fases — as mocinhas que são mães e acompanham o blog irão recordar crescimento de seus pequenos:

Fase oral: até 1 ano e 6 meses

O bebê reconhece o mundo através da boca. Não é à toa que essa é a fase que os pequenos devem estar envolvidos com o processo de amamentação, que é inicio da alimentação. As mamães devem se recordar todos os cuidados necessários para que seu bebê não coloque objetos inadequados ou sujos na boca.

Fase anal: 1 ano e 6 meses aos 3 anos

O bebê começa a reconhecer suas vontades de urina e evacuação; essa é a fase que se inicia o processo do desfralde.

Fase edípica ou pré-fálica: 3 anos aos 6 anos

A criança começa a reconhecer  seu corpo (principalmente a genitália)  como uma unidade e possui a capacidade de reconhecer e distinguir gêneros. Essa é a fase do famoso “Complexo de Édipo”: meninas  querem se vestir como a mamãe e tem certeza que seu papai é o homem mais incrível do mundo — inclusive, é comum ter ciúmes da mamãe com o papai. Os meninos querem usar também as roupas do pai, ser igual a ele e acham suas mamãe mais lindas que  qualquer princesa da Disney  — é comum ter ciúmes do papai  com a mamãe.

educação sexual -- crianças

Fase da latência: 6 anos até inicio da puberdade

Essa fase a criança está inserida no ambiente escolar, aprendendo junto com a instituição escolar e seus pais noções de regras, direitos, deveres, responsabilidades, já possuindo capacidade para julgar pessoas e contexto.

Fase fálica: da puberdade em diante

Essa é a fase final de desenvolvimento psicossexual, em que o indivíduo desenvolve um forte interesse sexual, seja pelo mesmo sexo ou pelo sexo oposto. Esta fase começa durante a puberdade e vai por todo o resto da vida de uma pessoa.

Foi um resuminho só para entender  de forma simplista essas fases para aprofundarmos sobre a fase edípica, pois é nessa fase que está o filhote de nossa mocinha e onde as crianças passam a tocar seus genitais. Vou reforçar mais uma vez: é normal, é saudável e necessário. A questão é como explicar aos pequenos qual é o ambiente adequado para tal, bem como  explicar se deverá ter ou não a presença de um adulto.

Uma criança que se masturba na frente dos pais ou em algum lugar público certamente não tem noção de que o que está fazendo não é apropriado. A criança deve ter assegurados momentos de quietude com ela mesma, sem a presença dos pais ou de outras pessoas. Nestes momentos ela deveria poder lidar com seu corpo, suas fantasias, suas brincadeiras, à vontade. Aprender a ficar só é importante, um bom local para que as crianças possam a se conhecer em privado é banheiro. Desse modo  a masturbação fica restrita a lugar,  hora e senso de adequação.

A forma de lidar com uma situação destas depende muito da idade da criança: na faixa dos 3 a 4 anos os pais podem tentar desviar a atenção da criança com outra coisa caso esta exploração esteja sendo feita num local público ou numa situação que eles considerem inadequada.  No caso dos maiorzinhos, com 6 ou 7 anos, vale partir para uma conversa franca, já adequada para a idade.

Algo que acho super importante é falar sobre a presença de adultos quando a criança se masturba. Como disse anteriormente não há contexto sexual por parte da criança, porém sabemos que alguns adultos de caráter doentio (pedófilos) vêem nesse ato a oportunidade de se aproximar de forma covarde das crianças. Então, pais, alertem seus filhos que adultos não devem brincar  “desse jeito” com ele, expliquem e reforcem que a masturbação é algo intimo, restrito apenas a eles e principalmente estabeleça uma relação de confiança com seus filhos, incentivando sempre eles a contarem qualquer fato a vocês.

Nunca (nunca!) punam seus filhos por estarem explorando seus corpos. O ato da masturbação pode ser internalizado para eles como algo sujo, proibido e isso vai impactar na vida sexual daquela criança quando ela for adulta.

Há casos de meninas repreendidas sexualmente que, quando atingem a vida adulta, desenvolvem dispaurenias e vaginismo; já meninos repreendidos sexualmente quando adultos possam a desenvolver disfunção erétil ou ejaculação precoce.

A conversa franca e educação são elementos primordiais no desenvolvimento do caráter de seus pequenos, conceito de sexo não foge a essa regra; então mamães e papais conversem com seus pequenos!

Erika Oliveira

Psicologa e Sexóloga, por curiosidade e vocação. Quando tinha 12 anos "devorou escondida" a coleção de livros sobre sexologia de sua mãe, ali nascia o interesse por uma das temáticas mais atraentes, enigmáticas e cheias de tabu: A sexualidade Humana. Na adolescência ensinava as amigas a como colocar absorvente, que siririca não engravidava, e quais eram sintomas da gravidez. Na juventude curtiu como muitas meninas, de beijos e carinhos entre meninas e meninos, conheceu o mundo BDSM ,as baladas GLBTS e por fim se apaixonou por um dentista de esquerda. Hoje é mãe da pequenina Eva,na maternidade sentiu necessidade de engajar-se na luta de igualdade de gêneros e emancipação das mulheres. Ativista feminista, se não está trabalhando, está brincando de pintar e contar historia com a sua filha, ou tomando uma cerveja com marido (aquele dentista de esquerda) conversando sobre as mazelas do mundo e como o amor é maior ato de revolução.

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