Dicas para entrar no mundo BDSM

Fala, mocinhas! Não é de hoje que eu gosto de escrever sobre BDSM e desmistificar esse mundo que une dor e prazer. Sim, ainda existe muito preconceito e bobagens ditas sobre essa prática – ainda mais com a explosão de livros que dizem ser sobre BDSM, mas que na verdade romantizam relações abusivas. Para equilibrar essa balança, o post de hoje vem com dicas para casais que querem entrar nesse universo. Não, não é só pegar umas amarras e voilá! Quem está inserido no meio pode passar uma vida inteira estudando sobre as técnicas. Afinal, tem que ter muito conhecimento e cuidado para não passar da linha e acabar machucando de verdade a outra pessoa. 

Antes de tudo… Conversem!

Antes de você encomendar aquele modelito todo trabalhado no látex, sente com seu parceiro ou parceira e conversem. Essa é uma regra que vale para todos os aspectos do relacionamento, ok? Vocês precisam entender quais são as expectativas, seus limites, as coisas que topam e o que não topam fazer. E isso deve ser discutido antes, para que nenhuma linha seja ultrapassada. Sugiro que vocês também conversem sobre os motivos dessa nova fase: é apenas curiosidade ou vocês querem entrar nessa para valer? Claro que uma coisa pode levar a outra, mas é importante que o casal esteja na mesma página.

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A importância do consentimento

Muita gente confunde BDSM com abuso, então vamos colocar os pingos nos is. O abuso sexual e/ou emocional e agressões físicas são formas de violência. Eles acontecem sem o consentimento da vítima, e devem ser denunciados o mais rápido possível. A pessoa agredida não escolhe estar naquela situação, e deve ser acolhida em um ambiente seguro e receber todo o apoio (jurídico e psicológico) necessário.

No BDSM, toda e qualquer relação é estabelecida sob consentimento responsável e esclarecido de todos os envolvidos. Não é a toa que os preceitos da prática são SSC: São, Seguro e Consensual. Não só todos os participantes devem ter idade e capacidade para consentir, mas também devem entender sobre as práticas e seus riscos. Por isso eu disse ali em cima que tem gente que passa uma vida estudando sobre: quanto mais a pessoa sabe sobre o assunto, mais base ela terá para decidir se topa determinada proposta ou não. Ninguém é forçado a nada e a sessão pode ser parada a qualquer momento com a palavra ou gesto de segurança, que é o assunto do próximo tópico.

Não se esqueçam da palavra de segurança!

Antes de começarem, combinem uma palavra ou gesto de segurança. Ela é usada para indicar que se atingiu determinado tipo de limite (físico ou psicológico), que alguma coisa não está bem, como tonturas e dificuldade na respiração, ou para dizer que a pessoa não está sentindo prazer e quer parar. A “safeword” não é sinal de fraqueza e deve ser respeitada, sem qualquer tipo de julgamento ou ressentimento.

A palavra de segurança é de escolha pessoal do casal e, de preferência, fácil de ser memorizada. Ela deve ser relembrada antes de qualquer atividade, ok? Para evitar confusão, o ideal é que sejam palavras que normalmente não são usadas no sexo, como “caneca” ou “amarelo”. Evitem palavras e expressões como “não” ou “pára”, que podem escapar “sem querer”, ou que são usadas em “jogos de resistência”, porque nessas situações elas não são uma ordem que revela a verdadeira vontade.

As palavras ou gestos de segurança são para assegurar as partes, mas não significa que o “bottom”, ou submisso, leva toda a responsabilidade. O “top”, ou dominador, deve ficar atento aos sinais do parceiro ou parceira que podem denunciar que algo está errado, como respiração e contrações musculares. Por fim, lembrem-se que se a pessoa não respeitar a “safeword”, ela está quebrando o consentimento. A partir daí, deixa de ser BDSM e passa a ser abuso/violência, ou seja, crime punível por lei.

BDSM tem diversas práticas – por que não experimentar?

BDSM é um acrônimo para “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”. Ou seja, são várias práticas e expressões eróticas. Na sua subcultura, os praticantes podem realizar todos os tipos de fantasias – contanto que os envolvidos deem seus consentimentos, é claro. Uma das práticas mais comuns é o spanking, que basicamente envolve uma pessoa batendo na outra. Existem métodos que deixam marcas, que doem menos ou mais, e alguns que tiram até sangue. A pessoa pode usar as próprias mãos ou acessórios como chicotes e palmatórias.

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Cena retirada do filme “An Appointment with My Master”, disponível no XConfessions

Outras opção para quem está começando é experimentar diversas vestimentas! Vocês podem brincar de role play sexual e interpretarem papéis, ou usarem tecidos mais diferentes, como couro e látex. Muita gente acha que é preciso ter contato com outra pessoa para se sentir excitado, mas nem sempre é assim. Tem pessoas que são muito estimuladas por sensações causadas por determinados tecidos. Por que não ver se esse é o caso de vocês?

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Não se esqueçam do aftercare

Se vocês entrarem em algum jogo de BDSM, lembrem-se do “aftercare”. São os cuidados depois das sessões, importantíssimos para que os dois lados (principalmente o submisso) saiam da zona de violência. Seja passar um creme nas áreas machucadas ou abraçar a pessoa e dizer palavras de carinho, o aftercare é essencial em um relacionamento BDSM saudável.

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