1° de dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

Hoje, 1° de dezembro, é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Essa data foi criada pela Assembleia Mundial da Saúde, em outubro de 1987, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é estabelecer o entrelaçamento de comunicação, promover a troca de informações e experiências, e criar um espírito de tolerância social com pessoas que vivem com o HIV. No Brasil, a data foi adotada em 1988, a partir de uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.

Nessa e na próxima semana, vamos ter posts aqui no blog para falar sobre a doença. Estima-se que, só no ano passado, tenham ocorrido mais de 40 mil contaminações do vírus. Esse número soma as 830.000 pessoas que já vivem com a doença. Hoje, o foco é a AIDS: como surgiu e seu histórico. Na semana que vem, vou falar sobre os sintomas, transmissão, tratamento e como você pode evitar a doença. 

Diferença entre AIDS e HIV

Antes de começarmos a falar sobre a AIDS, é importantíssimo saber a diferença dela para o HIV. Os dois, muitas vezes, são confundidos — mas eles não são a mesma coisa. O HIV é um vírus que se espalha através de fluidos corporais e afeta células específicas do sistema imunológico, conhecidas como células CD4. Sem o tratamento antirretroviral (tente falar isso quatro vezes rápido), o HIV destrói células específicas do sistema imunológico e torna o organismo incapaz de lutar contra infecções e doenças. Quando isso acontece, a infecção por HIV leva à AIDS.

Vocês entenderam? Ser portador do HIV é diferente de ter AIDS. A AIDS é como se fosse a consequência do HIV, mas ela não acontece com todos os portadores. Por isso o tratamento é tão importante. O “coquetel de remédios”, como nós conhecemos, prolonga e dá mais qualidade de vida para quem vive com a doença.

Como a AIDS surgiu?

Os cientistas identificaram um tipo de chimpanzé na África ocidental como a fonte de infecção por HIV em humanos. Acredita-se que a versão do vírus da imunodeficiência (chamado “vírus da imunodeficiência símia”, ou SIV) dos chimpanzés provavelmente foi transmitida aos seres humanos e se transformou em HIV quando os homens caçavam esses chimpanzés e se alimentavam de sua carne, o que levou ao contato com o sangue infectado. Estudos mostram que essa transmissão de macacos para humanos pode ter acontecido ainda no século XIX. Durante décadas, o vírus se espalhou lentamente pela África e mais tarde por outras partes do mundo.

Em 2014, para o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde fez um vídeo super legal e ilustrativo sobre a doença:

Um (longo) histórico de tabu e preconceitos

Até a sociedade levar a AIDS à sério, foi um longo caminho. Até meados dos anos 80, ela era conhecida como “câncer gay”, devido ao grande número de contágio entre homens homossexuais. Como as DSTs não eram estudadas, eles transavam sem camisinha e, sem saber, acabavam passando para frente o HIV. Só que, sempre bom reforçar, os gays não são responsáveis pela AIDS, ok? Eles eram (e ainda são) grande parte dos portadores porque, durante muito tempo, se propagou que camisinha era apenas para mulheres que não queriam engravidar. Foi só de alguns anos para cá, com o aumento da transmissão de DSTs, que a camisinha ganhou popularidade entre todos os tipos de casais, por ser o único método contraceptivo que previne as DSTs.

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Manchete de um jornal britânico dizendo que o país estava sendo ameaçado pela “praga do vírus gay”.

Um filme que retrata a luta para expor a verdade sobre a doença é The Normal Heart, lançado em 2014. O filme é dirigido por Ryan Murphy (de Glee) e escrito por Larry Kramer, baseado em sua própria peça teatral de 1985 de mesmo nome. No elenco, grandes nomes como Mark Ruffalo (crush eterna desde De Repente 30) e Julia Roberts se encontram para retratar um grupo de ativistas de Nova York que começaram a lutar por políticas de saúde pública e atenção do governo para a epidemia que matava milhares de pessoas, mas que ninguém fazia nada. Para ver esse filme, eu recomendo preparar seu coração e comprar vários lenços de papéis, porque vocês vão chorar e não vai ser pouco.

Vamos falar de números

Em 2014, líderes mundiais assumiram o compromisso de acabar com a AIDS até 2030. A meta é ousada: existem mais de 35 milhões de pessoas vivendo com o HIV hoje, sendo que 19 milhões não sabem que contraíram o vírus. Esse desconhecimento é o grande inimigo, porque pessoas que acham que estão saudáveis acabam passando o vírus para frente ao transarem sem camisinha.

Nós, mulheres, somos vulneráveis em muitos países com alta prevalência de HIV. No Brasil, o número de infecção entre as mulheres cresceu 44% entre 1995 e 2005. Para quem quiser dar uma olhada, o Ministério da Saúde disponibiliza os dados básicos da doença dos municípios do Brasil.

Porém, há esperança. Em 2015, o Brasil bateu recorde de pessoas em tratamento contra AIDS e HIV: foram 81 mil brasileiros que começaram a se tratar, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Quer outra notícia boa? De 2009 a 2015, o número de pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 97%, passando de 231 mil para 455 mil pessoas. Isso significa que, em seis anos, o país praticamente dobrou o número de brasileiros que fazem uso de antirretrovirais!

Para atingir a meta e acabar com a AIDS até 2030, foi aprovada uma declaração política sobre ações para enfrentar a doença. O documento, assinado em junho desse ano, definiu metas específicas que devem ser atingidas até 2020 (ou seja, menos de quatro anos) para acabar com a epidemia de Aids na década seguinte. Além disso, outra meta foi estabelecida: reduzir as mortes relacionadas a doença para menos de 500 mil em todo o planeta até 2020 e eliminar, também nesse período, a imagem negativa e a discriminação contra pessoas portadoras do HIV.

E você, cara mocinha, também pode fazer sua parte para ajudar a combater a doença. Primeiro, use camisinha em todas as relações sexuais. Se você e seu parceiro quiserem parar de usar o método porque querem ter filhos, façam seus exames, ok? Não é porque vocês estão juntos há anos que não tem problema. As pessoas traem, e às vezes fazem isso sem camisinha. Então, faça seus exames regularmente (de seis em seis meses é uma boa opção), e ajude a combater o estigma que muitos portadores da doença carregam. Muitos casos poderiam ser evitados com mais conhecimento, então ajude a espalhar a notícia por aí.

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