Sexo

Desvendando as casas de swing

Casa de swing é algo que desperta a curiosidade de muitas pessoas. É um local em que as pessoas podem se libertar sexualmente, sem medo de serem julgadas e com a certeza que tudo que acontece ali dentro, fica ali dentro. Mesmo assim, nem todo mundo se sente confortável em ir a uma casa por diversos motivos: preconceito, tabu e até mesmo o medo do desconhecido. Para tentar tirar algumas dúvidas e derrubar mitos, eu tive a ajuda do Danillo, que trabalha no Mistura Certa Clube, uma das casas de swing mais conhecidas do Rio de Janeiro. 

Para quem não sabe, swing é o que acontece quando dois ou mais casais se encontram em determinado lugar para “trocarem de par” e fazerem sexo. É uma prática que gera muitas dúvidas e um certo estranhamento. Não é porque um casal faz swing que a relação deles é aberta. O swing só acontece quando o casal está presente e os dois participam da brincadeira. Na teoria, é um “troca-troca” entre casais, mas, nas casas, podem entrar solteiros, que procuram ménages e até mesmo orgias.

O que eu posso encontrar em uma casa de swing?

Você tem muita curiosidade, mas o medo e o receio ainda falam mais alto? Vou tentar fazer um raio X no que acontece lá dentro para você ver que não é esse bicho de sete cabeças. Claro que existem diferentes tipos de casa, mas esse é o panorama geral, certo? Pois bem. De acordo com Danillo, não tem um perfil certo de quem frequenta: são delegados, juízes, cantores de pagodes, atletas olímpicos, ambulantes.. A maioria vem em casal, mas solteiros ou solteiras são um público cada vez mais crescente, atraídos pelo sexo fácil e sem compromisso. Grande parte dos solteiros são homens, com média de um homem para cada três ou quatro casais e uma solteira para cada três solteiros.

Ao contrário do que muitos pensam, as casas de swing não são um antro de pegação desenfreada e onde tudo é liberado.

— A regra básica é respeito. Não pode tocar ninguém sem permissão — afirma Danillo. No Mistura Certa, existem áreas onde solteiros, que recebem uma pulseira de identificação na entrada, não podem entrar. Elas são próprias para casais, deixando tudo bem divido. Danillo garante que, nesse tipo de ambiente, é bem raro ter qualquer tipo de confusão e que nunca vão te tocar ou paquerar sem permissão. A segurança é levada bem a sério: a casa tem segurança na porta e nos salões, que fazem a revista total dos visitantes, além de oferecerem armários com chave para guardarem pertences de valor. Agora, onde essas chaves são guardas é outra história..

Para deixar todo mundo no clima, algumas casas oferecem atrações. As mais comuns são os strippers, tanto homens quanto mulheres, mas o pessoal pode ser mais ousado e colocar shows de sexo ao vivo.
Antes de procurar no Google qual a casa mais perto de você, sente com seu parceiro ou parceiro e discuta a ideia. É algo que os dois querem? Se sim, ótimo. Se não, melhor deixar essa ideia para lá. Você não é obrigada a nada, ainda mais se colocar em uma situação desconfortável apenas para agradar outra pessoa. Agora, se vocês estão mega empolgados, aqui estão três dicas de ouro:

Conheçam o local primeiro

Vocês não têm que partir para a ação logo de primeira. Como nem sempre a expectativa corresponde à realidade, sugiro que vocês conheçam a casa sem maiores compromissos, apenas para sentir a “vibe” do local. Não vai adiantar muita coisa vocês irem prontos para ação e, quando chegarem lá, perceberem que é uma festa estranha com gente esquisita. A maioria das casas tem um “espaço neutro”, que é praticamente uma boate: tem uma pista de dança, música ao fundo e um bar à disposição. Vocês não vão precisar ver nada se não quiserem, já que o sexo tem local para acontecer, que pode ser em um espaço ao lado ou no segundo andar. Na Mistura Certa, por exemplo, nas laterais das pistas de dança, tem as cabines fechadas e abertas, além dos labirintos, glory holes e camas coletivas.

Ah, se você é leiga nesse assunto como eu, o Danillo explica:

—  Labirintos são corredores apertados, próprios para causar atrito corporal em quem passa. — As cabines fechadas, como o próprio nome já diz, não tem nenhuma conexão com o mundo externo, quase como um quarto de motel, enquanto as cabines abertas possibilitam a visão de quem está do lado de fora. Outro termo que pode causar estranhamento é o glory holly, porque a prática não é muito conhecida aqui no Brasil, mas tem grandes fãs pelo mundo inteiro – inclusive, a maioria dos sites pornôs tem categorias só disso. Trata-se de um buraco na parede em que o homem insere o pênis e espera para que a pessoa do outro lado “brinque” com ele, o que pode incluir sexo oral e penetração. É uma interação “às cegas”, já que as partes envolvidas não sabem com quem estão se envolvendo.

Viu? Nem todas as casas tem essas especificações e vocês não têm que conhecer tudo de uma vez só. Então, antes de irem para os “finalmente”, deem uma olhada no ambiente para saberem onde estão se metendo – literalmente ou não.

Façam acordos

Vocês foram na casa, fizeram uma ronda pelo lugar, gostaram do que viram e decidiram voltar para participar? Ok, então sentem e conversem. Sei que estou batendo muito nessa tecla de conversa, mas ela é fundamental. Casa de swing não é lugar para ficar com ciúmes. Tenham isso em mente, senão a diversão pode virar uma grande dor de cabeça que pode resultar em término. O que vocês podem fazer lá? Está tudo liberado? Tudo tem que ser feito como casal ou vocês podem participar individualmente dos atos? São esses tipos de coisas que devem ser acordadas, para ninguém sair de lá magoado.

Usem camisinha!

Sei que parece uma dica meio óbvia, mas é sempre bom reforçar a importância de usar camisinha em todas as relações sexuais, principalmente em um ambiente como a casa de swing. Não estou afirmando de modo algum que quem frequente esse tipo de ambiente tem DST, apenas dizendo que é muito mais difícil saber se alguém ali tem algum tipo de doença. Então, antes de chegarem no local, passem em uma farmácia e comprem todo o estoque de camisinha. Sim, elas devem ser utilizadas até mesmo na hora do sexo oral – e nem adianta vir com aquele papinho de “ninguém chupa um pirulito com a embalagem”. Comprem aquelas com sabores diferentes, texturas, enfim, qualquer coisa para deixar a brincadeira mais divertida. Para vocês terem uma noção, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que a sífilis, gonorreia e clamídia estão se tornando intratáveis. Então não vamos nos tornar estatística, ok?

Thayanne Porto

Jornalista de coração, alma e diploma, encontrou nas palavras o melhor modo de se expressar. Feminista em eterna construção. Apaixonada por livros, séries, drag queens e sua gata Julietta. Acredita que a revolução pode (e deve!) acontecer de dentro para fora - e por que não dentro de quatro paredes? Quer mandar um e-mail? Escreva para thayanne@quenemmocinha.com

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