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Sexo

Cuckolding pode ser bom para seu relacionamento

Em outubro de 2017, eu falei aqui no blog sobre cuckold. Já sabia que a prática existia, mas foi só quando li Sociedade Secreta do Sexo que descobri que ela tinha nome e uma comunidade enorme de interessados. Rapidamente, esse se tornou um dos posts mais lidos do Que Nem Mocinha. Desde então, resolvi pesquisar mais sobre o assunto e descobri que cuckolding pode ser bom para o relacionamento. Pelo menos, é o que diz um estudo publicado no fim do ano passado.

Vamos do início…

A prática do cuckold aparece na literatura desde o século XIII.  Inicialmente, ela se referida ao medo que os homens sentiam que seus filhos fossem, na verdade, resultado de uma traição por parte da mulher. Nos dias de hoje, a palavra cuckold é usada para se referir  à pessoa que se excita ao ver o parceiro ou parceira tendo relações sexuais com um terceiro. É diferente do sexo a três, pois o praticante nem sempre participa; para ele, basta ver ou imaginar.

De acordo com a Sexlog, a palavra “corno” (como os praticantes se autodenominam) foi a mais buscada pelos brasileiros em 2015. Esse não é o único estudo que comprova a crescente popularidade deste fetiche. Para seu livro “Tell Me What You Want: The Science of Sexual Desire and How It Can Help Improve Your Sex Life” (ainda sem título em português), o psicólogo Justin Lehmiller entrevistou milhares de americanos/as e descobriu que 58% dos entrevistados homens e um terço das mulheres já tiveram fantasias com cuckolding.

Antes, a prática era bem mais comum entre casais heterossexuais. No entanto, Lehmiller revelou que cada vez mais casais gays enviam suas dúvidas sobre cuckold. Para entender melhor sobre esse fenômeno, ele se uniu ao também psicólogo David Ley e ao jornalista Dan Savage. Juntos, entrevistaram 580 homens gays e o resultado foi publicado na pesquisa “The Psychology of Gay Men’s Cuckolding Fantasies. Dela, podemos tirar alguns aprendizados em relação a casais héteros e gays.

Principais pontos

Um aspecto a favor da prática – ver o parceiro ou parceira com outra pessoa: pode ser estimulante, como mostrou a 4ª temporada de Grace and Frankie – alerta de spoiler! No início, o personagem Roy era visto como uma ameaça para o relacionamento entre Sol e Robert. Mas, depois, fez com que o casal se sentisse mais atraído sexualmente um pelo outro. E isso não acontece só na ficção, como podemos ver nas casas de swing.

Para Lehmiller, que é terapeuta sexual, uma das descobertas mais intrigantes do estudo envolveu o impacto da prática nos relacionamentos de modo geral. “Nossa pesquisa mostrou que o cuckolding tende a ser uma fantasia positiva. Não parece ser evidência de distúrbio, de relacionamentos tóxicos ou de desrespeito com o parceiro”. Mas há uma advertência importante: a prática não é recomendada para aqueles que têm problemas de ansiedade ou abandono.

Quer experimentar cuckolding? A dica é dar um passo de cada vez!

Lembre-se de que, às vezes, só o fato de você compartilhar suas fantasias sexuais pode ser excitante o suficiente para seu parceiro ou parceira. Agora, se vocês conversaram sério sobre isso e decidiram dar uma chance para o cuckolding, uma das principais dicas é ir com calma. É importante ter honestidade e comunicação do início ao fim – sem medo de sofrer retaliações caso alguém desista no meio do caminho. Você pode adorar imaginar sua esposa ou marido com outra pessoa, apenas para chegar na hora H e detestar. Tudo bem, acontece. Não tem problema. Por isso é tão importante fazer as coisas com calma: o cuckoling pode trazer à tona emoções poderosas, para bem ou mal. O casal tem que estar muito bem estruturado para lidar com isso.

Agora, se o fetiche for uma tentativa de ~salvar~ o relacionamento, nem pense em continuar. Como eu disse ali em cima, a prática pode aproximar mais o casal ou arruinar de vez a união. Se o namoro ou casamento estiver passando por uma crise, procure uma/um psicóloga/o especializada/o em terapias de casal.

 

* Esse texto foi revisado pela mocinha Angélica Fontella <3

Thayanne Porto

Jornalista de coração, alma e diploma, encontrou nas palavras o melhor modo de se expressar. Feminista em eterna construção. Apaixonada por livros, séries, drag queens e sua gata Julietta. Acredita que a revolução pode (e deve!) acontecer de dentro para fora - e por que não dentro de quatro paredes? Quer mandar um e-mail? Escreva para thayanne@quenemmocinha.com

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