Crave Portrait Project: Das masmorras para as ruas

O mundo BDSM é rodeado de preconceitos. Afinal, as pessoas têm medo do que não conhecem e formulam opiniões baseadas em implicâncias, para “justificar” seus pré-julgamentos. Surge a dúvida: como quebrar esta barreira e mostrar que praticantes de BDSM são pessoas normais, com gostos diferentes entre quatro paredes? O Crave Portrait Project pode ser um bom começo. O projeto surgiu na Folsom Street Fair, festival anual que leva cerca de 200 mil entusiastas do BDSM para São Francisco.

Na última edição, Michael Topolovac e Ti Chang, cofundadores da marca de brinquedos eróticos Crave, levaram uma ideia diferente. Durante a feira, eles fotografaram alguns participantes que estavam vestidos de acordo com a temática do evento. Depois, eles convidaram 50 entre eles para tirarem fotos com suas roupas do dia a dia. O resultado ficou maravilhoso e reflete a beleza da sexualidade e da autodescoberta.

que nem mocinha - Crave Portrait Project - imagem 1

Michael Topolovac com um dos participantes do projeto (Créditos: Crave Portrait Project)

Em entrevista para o Huffington Post, Michael Topolovac afirmou que o trabalho não é apenas sobre BDSM, orientação sexual ou identidade: “É sobre o que temos em comum. Havia um fio comum [entre os participantes] de ‘Ei, esses somos nós. Somos complicados. Somos diversos. Somos expressivos”. Como não amar isso? Adoramos ver iniciativas que vão além do lugar-comum, mostrando que existem várias formas de viver a sexualidade e que todas são válidas.

Sabe qual é a melhor parte? Vivendo em um relacionamento “baunilha” ou experimentando todos os sabores de sorvete, todo mundo pode aprender coisas novas com outras práticas. E você não precisa nem vivência-las, basta ter a mente aberta. Por exemplo: o BDSM ensina muito sobre consentimento. Não à toa, todas as práticas, atividades e comportamentos dentro ~das masmorras~ [sim, é entre “~” mesmo]devem ser realizadas dentro dos limites do S.S.C: são, seguro e consensual. A relação dom/sub só funciona se tiver bastante conversa e se os dois lados deixarem claros seus limites.

que nem mocinha - Crave Portrait Project - imagem 2

Stephen no Folsom (à esquerda) e nas suas roupas rotineiras (à direita). Créditos: Crave Portrait Project

Além disso, ações como essa ajudam a desconstruir estigmas do mundo BDSM, que é alvo de vários olhares atravessados de quem está de fora. “Eu acho que Michael está nos fazendo um favor”, disse Kamila, uma das participantes, para o HuffPost. Às vezes não nos sentimos livres para nos expressarmos sexualmente. Esse projeto é ótimo pra iniciar a conversa e nos libertar das limitações e dos julgamentos”.

Kamila também disse algo muito importante: “Acho que muitos de nós sofrem com inseguranças em relação ao sexo – sobre nossos corpos, nossas fantasias – e o resultado disso é sexo ruim ou a ausência do sexo”.

que nem mocinha - CRAVE PORTRAIT PROJECT - gif will smith

GENTE, SIM. Nós ficamos tão neuróticas com nosso corpo – se as celulites estão aparecendo, em estarmos 100% depiladas o tempo todo – que esquecemos o principal. Sexo é para ser curtido. É para ter gemido, beijo, suor.. É para acabar com todo mundo bagunçado, despenteado e ofegante. Quanto mais nos preocupamos, menos aproveitamos. Esse é um dos motivos pelos quais me apaixonei pelo Crave Portrait Project (CPP). Ele é a prova de que as pessoas são mais felizes, quando aproveitam o seu eu sexual de forma livre.

Então, mocinhas, que esse post e as fotos do CPP inspirem vocês a explorarem sua sexualidade. Não tem nada de errado em curtir algo diferente do que a sociedade considera comum. Contanto que todo mundo tenha condições de consentir e o faça, não tem porquê ter vergonha. Precisamos nos libertar desse medo e começar a aproveitar. Troquem as amarras da sociedade pelas de couro – ou pelo que te faz feliz – e se jogue!
Quer saber mais sobre o projeto? Clique aqui!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Deixe uma resposta