Câncer de mama: Tratamentos e o recomeço

Olá meninas, mocinhas, amadinhas. Hoje finalizo a coluna especial sobre o câncer de mama trazendo informações sobre tratamentos, acompanhamento psicológico e o recomeço dessas mulheres maravilhosas. Foi muito bacana ter esse espaço aqui, para falar dessa doença que deve ser levada muito a sério. Vamos lá?

Tratamento

O tratamento irá depender muito do tipo e estágio do tumor. Assim, a definição terapêutica é determinada caso a caso. Vale lembrar que, quando mais cedo for descoberta a doença, maiores serão as suas chances de cura. Por isso é muito importante fazer o autoexame regularmente, ok?

Vamos dividir essa etapa em duas: terapia local e sistêmica.

1. Terapia Local

Cirurgia e radioterapia visam tratar o tumor no local, sem afetar o resto do organismo.

Cirurgia: é a modalidade de tratamento mais antiga e, quando o tumor encontra-se em estágio inicial e em condições favoráveis para a retirada, a mais efetiva.

Radioterapia: utiliza a radiação ionizante. É muito utilizada para tumores localizados, para os quais não há necessidade de retirada de grande parte da mama ou para tumores que não podem ser retirados totalmente por cirurgia, ou quando se quer diminuir o risco de que o câncer volte a crescer.

2. Terapia Sistêmica

São medicamentos administrados via oral ou diretamente na corrente sanguínea para atingir as células cancerosas em qualquer parte do corpo. A quimioterapia, a terapia hormonal e a terapia-alvo são exemplos de terapias sistêmicas.

Quimioterapia: Tratamento que utiliza medicamentos, orais ou intravenosos, com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes.

Terapia Hormonal: Tem como objetivo impedir a ação dos hormônios que fazem as células cancerígenas crescerem. Age bloqueando ou suprimindo os efeitos do hormônio sobre o órgão afetado.

Terapia-alvo: Denomina-se de terapias-alvo drogas anti-cancerígenas relativamente novas e que têm como alvo uma determinada proteína ou mecanismo de divisão celular apenas (ou preferencialmente) presente nas células tumorais.

O tratamento é escolhido pela equipe médica levando em consideração todas as características da paciente.

Psico-oncologia cuidando das feridas da alma

A psico-oncologia é uma especialidade da Psicologia e uma subespecialidade da oncologia que procura compreender as dimensões psicológicas presentes no diagnóstico oncológico, tais como o impacto do câncer no funcionamento emocional do paciente, de sua família e dos profissionais de saúde envolvidos em seu tratamento. Antes de fazer as considerações necessárias acerca da Psico-Oncologia, faz-se necessários a definição de alguns conceitos básicos.

A confirmação do diagnóstico oncológico e a realização de procedimentos invasivos durante o tratamento podem desencadear um desequilíbrio emocional no paciente e na sua família. Ocorre uma mudança significativa na vida das pessoas após o diagnóstico de câncer, e tudo isso pode ser concebido como algo ameaçador à integridade física e mental desses indivíduos. O câncer é uma enfermidade ainda repleta de estigmas, associada à morte, e apesar de todo o conhecimento e informações, o diagnóstico do câncer costuma ter um efeito devastador.

Em maior ou menor número, em diferentes momentos do processo da enfermidade, o paciente apresentará algum desconforto frente à essa nova realidade — independentemente de ter uma rede de apoio (família, amigos, associações, igreja) fortalecida ou uma crença religiosa. O psicólogo, juntamente com a equipe competente, precisam prontamente atender as demandas desses pacientes a fim de obter melhores resultados durante o tratamento. Ou seja, o ponto de união desta área é o paciente de câncer. Suas dificuldades, necessidades, problemas precisam ser atendidos, seja facilitando um melhor enfrentamento da doença e permitindo uma convivência melhor com ela, seja melhorando o estado psicológico e levando a um melhor estado geral orgânico, auxiliando na recuperação e na cura, se possível.

Na atuação do psicólogo juntamente com a equipe de saúde, existe ainda um desafio do trabalho do profissional de psicologia em uma equipe multidisciplinar. A chegada da psico-oncologia no hospital é recente e sua função ainda é frequentemente desconhecida ou distorcida. Mas já existem situações em hospitais onde o psicólogo não é só é muito valorizado como também é requisitado pelo corpo médico e equipe de saúde.

Mesmo com todo o avanço da medicina, não se sabe ainda quais são todos os fatores que podem desencadear o processo cancerígeno e quais os fatores curativos. Os mesmos tratamentos não surtem os mesmos efeitos em pacientes com os mesmos diagnósticos e prognósticos, atravessando a mesma fase da doença. A priori, o que se pode fazer é o investimento no tratamento e o fortalecimentos das redes de apoio bem como a assistência pessoal, psicológica a esse paciente.

O impacto psicológico causado pelo câncer de mama traz uma significativa repercussão na vida da paciente. Quando esse momento é vivido com conhecimento e compreensão, através de um apoio psíquico, torna-se possível o entendimento dos seus medos e angústias que podem interferir em uma resposta ao seu tratamento terapêutico. Desta forma, é importante que o acompanhamento multidisciplinar e especializado seja promovido à paciente com dedicação e confiança, oferecendo assim, o restabelecimento da saúde em seu sentido mais amplo.

A presença da depressão e estado de dor e angústia é perfeitamente aceitável na descoberta da doença. É patológico se a mulher apresentar uma outra postura, isso significaria a negação do câncer. Para que esse cenário seja menos doloroso, a equipe de saúde pode, também, ser participativa positivamente nesse cenário psicoterapêutico, o que possibilitará uma maior tranquilidade e apoio durante todo o processo de tratamento, assim como de seus familiares.

O temor ao câncer de mama acomete a retirada de parte do corpo da mulher, que, em muitas culturas, desempenha função significativa. Sua estética, fantasias e intimidade ficam comprometidas. Aceitar sua nova condição e adaptar-se à nova imagem do seu corpo exige um esforço muito grande para o qual, muitas vezes, a mulher não está preparada e por isso ela precisa de um apoio próximo, de alguém confiável.

O apoio do companheiro ou companheira é muito importante, embora, seja uma situação de dificuldade e aceitação também para ele ou ela. A mulher, na maioria das vezes, apresenta um sentimento de isolamento, se torna fria e distante e se recusa a ter relações sexuais, por acreditar que não é mais atraente para o marido ou esposa, e que não é capaz de trocar experiências que antes eram compartilhadas. O suporte psicológico deve ser oferecido ao casal, para que os dois saibam como lidar com essa nova fase.

O amadurecimento, cumplicidade e a confiança estabelecida nesse relacionamento também será um fator de peso para a condução psicoterapêutica do problema.

Depois do câncer

O cabelo volta a crescer e a angústia (felizmente!) é superável, mas o tempo não cura todas as marcas deixadas pelo câncer de mama. Para as mulheres que passam por mastectomia há a possibilidade de reconstrução do seio e até mesmo do bico do mamilo, mas a pigmentação característica acaba sendo perdida. Alguns cirurgiões plásticos realizam a micropigmentação da aréola e do mamilo, mas os tatuadores são cada vez mais requisitados, pois dominam melhor a técnica artística do desenho.

Do ponto de vista médico, não há contraindicações para esse tipo de procedimento. “Mas é muito importante que a mama esteja totalmente cicatrizada”, alerta o Dr. Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Para ele, o ideal é que haja o intervalo de um ano entre a mastectomia e a tatuagem reparadora.

Além da espera pela cicatrização total, a escolha de um tatuador entendido no assunto também é superimportante. Por isso, o preço pode sair salgado e chegar a R$1.300 em alguns estúdios — mas há profissionais gabaritados que oferecem esse trabalho gratuitamente. É a junção de muito talento com uma grande vontade de fazer o bem!

No Rio de Janeiro, o tatuador Roberto Santos já realiza esse trabalho há cinco anos e já atendeu voluntariamente cerca de 400 sobreviventes do câncer de mama. Hoje, ele se dispõe a tatuar entre quatro e cinco mulheres mastectomizadas por semana, sem cobrar nada. O estúdio Beto Tatto Leblon fica na Av. Ataulfo de Paiva, 1174 – Leblon, Rio de Janeiro, e o telefone para contato é (21) 983-461-172.

câncer de mama

Divulgação BettoTattoo

O tatuador Miro Dantas, de São Paulo, também é um desses artistas e desde 2014 comanda o projeto “Uma Tatuagem por uma Vida Melhor”. Há seis anos ele vem aperfeiçoando uma técnica própria de redesenho realista de mamilos, e tatua gratuitamente uma mulher por semana. Miro já atendeu mais de 160 mulheres de forma voluntária e a agenda do projeto está lotada até agosto de 2017. Atualmente, o tatuador não está realizando novos agendamentos e busca patrocínio para continuar atendendo gratuitamente. É possível entrar em contato pelo site www.mirodantas.com e através do WhatsApp pelo número (11) 984431264, ou pelo telefone do estúdio WaW Tattoo (Rua Fradique Coutinho, 1225 – Vila Madalena – São Paulo): (11) 3360-3609.
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Divulgação / Miro Dantas

Também na capital paulista, o estúdio Led’s Tattoo conta com dois profissionais que realizam esse trabalho específico há mais de dez anos. Esse mês o estúdio está atendendo gratuitamente mulheres encaminhadas pelo SUS e também fechou uma parceria com o Instituto Quimioterapia e Beleza. Através dessa ação, mulheres que passaram pela mastectomia poderão fazer o redesenho do malilo com 15% de desconto. Para ter direito ao desconto, basta acessar o site www.quimioterapiaebeleza.com.br e anotar o código promocional. Em seguida é só agendar uma sessão direto no Led’s Tattoo. O estúdio fica na Av. Ibirapuera, 3478 – Moema – São Paulo, e os telefones são: (11) 5561-2351 ou (11) 942-289-204.
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Divulgação / Led’s Tattoo

Já no interior do estado de São Paulo, em São José dos Campos, a tatuadora Tati Stramandinoli coordena o projeto Reviva, que visa atender gratuitamente mulheres que fizeram mastectomia. A técnica que ela utiliza é a de micropigmentação, específica para esse tipo de trabalho (e que deve ser retocada a cada dois anos). O estúdio de Tati fica na  Av. Aclimação 205 – São José dos Campos/SP e é possível agendar horários através do telefone (12) 3931-8033

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Reprodução/Facebook Reviva

A partir de hoje acontece o Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária. O intuito da ação é, além de acelerar a fila de pacientes que aguardam na fila para reconstrução, ajudar a recuperar a autoestima da mulher que acaba ficando abalada após a mastectomia. Cerca de 840 que passaram por mastectomia serão atendidas gratuitamentes. O mutirão deve  contar com a participação de mais de 800 profissionais da área. As pacientes que vão participar do mutirão já foram selecionadas e realizaram previamente todos os exames necessários para a cirurgia.

Uma coisa é certa: para as mulheres mutiladas pela mastectomia, esse tipo de trabalho vai além da estética. É um sorriso no rosto de quem já passou por momentos de dor profunda e é uma etapa importante na reconquista da autoestima fragilizada. Parabéns por esse trabalho maravilhoso, seus lindos! Quem luta contra o câncer de mama agradece e todas nós aplaudimos de pé. ❤

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