Cadê minha libido? Sumiu?

Olá, mocinhas. Nós ajudamos as mulheres que conseguiam gozar sozinhas, mas não com os parceiros e recebemos uma outra demanda, tão importante quanto: Falar sobre a baixa libido, ou sobre a inexistência dela. Então, esse é o assunto da vez. Vamos conversar sobre tesão, desejo e vontade.. Enfim, esse negócio que impulsiona a nossa vida em todas as esferas, principalmente a sexual.

Libido é o desejo ou impulso sexual de um homem ou mulher. No âmbito da psicologia, a libido é fundamental para entender o comportamento humano, porque o condiciona e é vista como a energia que direciona os instintos vitais. Como não está ligada exclusivamente aos órgãos genitais, ela pode ser direcionada em relação a uma pessoa, objeto, ao próprio corpo, atividade profissional e intelectual. É o famoso tesão, que começa a se manifestar na adolescência e permanece até nosso envelhecimento.

Mas nem todo mundo tem isso. Um estudo realizado pela psiquiatra, sexóloga e coordenadora do projeto da sexualidade no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Carmita Abdo, aponta que metade das brasileiras apresenta algum tipo de disfunção sexual, como falta de libido, dificuldade de manter a excitação e inibição do orgasmo. O Estudo da Vida Sexual do Brasileiro apontou que esse problema varia de acordo com a faixa etária: entre as jovens de 18 a 25 anos, a falta de desejo é queixa de 5,8%. Esse número sobe para 19,9% para quem tem mais que 60. E por que isso acontece? Existem diferentes motivos que contribuem para esse quadro de desejo sexual hipoativo, e vou dividí-los entre fatores internos e externos.

Fatores Físicos

Hormônios

O uso de anticoncepcionais também pode acarretar a diminuição da libido – não é a toa que, depois que param com a pílula, muitas mulheres ficam com aquela vontade bizarra de transar o tempo inteiro. Isso acontece devido à inibição da ovulação durante o uso de anticoncepcionais orais, além da influência direta de determinados hormônios. O uso de outras substâncias, como antidepressivos, também pode causar a perda do desejo sexual.

Doenças Mentais, transtorno de ansiedade, síndrome do pânico e depressão

O desgaste físico e psicológico proporcionados por doenças psíquicas influencia negativamente o comportamento da mulher. Somado ao uso de remédios para combater essas doenças, a vontade sexual pode ir lá para baixo. Nesses casos, a melhor solução é o tratamento com medicamentos que não causem esse efeito. Converse com seu médico para saber a possibilidade de trocar.

Stress e/ou cansaço físico

A jornada extensa de afazeres pode impactar a saúde sexual. Pouco debatida, a dupla jornada que muitas mulheres têm podem acabar com a vontade de transar e de fazer outras coisas. Quando chegam do trabalho, algumas ainda tem que se ocupar das tarefas domésticas, já que, em muitos lares, isso ainda é responsabilidade exclusiva da mulher. Dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2014 apontaram que, em 2013, 88% das mulheres ocupadas de 16 anos ou mais de idade realizavam afazeres domésticos, enquanto entre os homens este percentual era de 46%. Isso  eleva os níveis de estresse, aumentando os níveis de adrenalina e de cortisol no corpo, hormônios que provocam a diminuição da libido.

Fatores psíquicos

  • Experiências ruins. Algumas mulheres perdem o interesse pelo sexo após experiencias ruins junto com o parceiro ou parceira, como dores na relação sexual, disfunção erétil do parceiro e ejaculação precoce.
  • Educação sexual repressiva.
  • Sentimentos de magoa e rancor junto ao parceiro (mesmo que seja algo passado e tenha amor).
  • Falta de interesse sexual pelo atual parceiro.
  • Problemas de autoconfiança e autoimagem (sentimentos de inferioridade e baixa estima).
  • Vaginismo e dispareunia.
  • Medo irracional  e inconsciente de contrair DST.
  • Medo irracional e inconsciente de ter uma gravidez não planejada.
  • Dificuldade  de excitação (o desejo feminino e a excitação estão interligados, um pode favorecer o outro a ponto de não haver distinção  entre si)
  • Sentimento de obrigatoriedade e ritualização do sexo.

No caso de problemas psicológicos, o tratamento mais aconselhado é a terapia sexual. Ela vai trabalhar os aspectos ligados à educação sexual, a desmistificação das práticas sexuais, o enfoque corporal e a conscientização dos benefícios e problemas. É um processo de médio a longo prazo, que pode levar de 6 meses até 2 anos.

O maior desafio da medicina nessa área é a invenção de medicamentos que estimulem o desejo sexual feminino. Diferentemente dos homens, nas mulheres a vascularização da região vaginal não é o motivo da disfunção, pelo fato da diminuição da libido estar associada às emoções. Por isso, a psicoterapia com um especialista em sexualidade ainda é a forma mais garantida de sucesso no tratamento.

Falta de vontade ou desejo sexual hipoativo

O fato da mulher não ter vontade de fazer sexo todo dia não que dizer que ela está sofrendo da síndrome do desejo hipoativo. Para chegar a esse estágio, a mulher tem que estar muito tempo imersa no processo de recusa sexual – isso pode significar meses e até anos. As mulheres que sofrem com isso costumam demorar para perceber, já que a diminuição do desejo ocorre lentamente e silenciosa.

É necessário avaliar  quando começou a notar falta de desejo sexual. Sugiro as seguintes reflexões:

– Com que frequência eu me recuso a ter relações sexuais?

– Sinto preguiça na hora que estou com meu parceiro?

– Costumo investir ou ter vontade de investir em produtos que aumentam a energia sexual, como lingeries e objetos eróticos ou livros e revistas que tratem do assunto?

– Qual a qualidade do meu relacionamento a dois?

-Ainda tenho interesse sexual pelo meu parceiro?

– Qual é a importância que dou a minha sexualidade?

importante se abrir com o parceiro e falar sobre a falta de vontade ou até mesmo queda na libido. Se necessário, não tenha vergonha de procurar ajuda de uma equipe multidisciplinar para  tratar da questão (ginecologista, endocrinologista e terapeuta sexual) e retomar a vida sexual de forma plena, segura e satisfatória. E lembrem-se: qualquer dúvida ou insegura, estamos aqui para ajudá-las da melhor forma possível!

4 comments

  1. Liz Mega Amaral says:

    Sexo anal é um tabu pra mim…
    meu marido quer, tenta, mas não adianta, é super desconfortavel…
    é possivel “amenizar” esse desconforto e realmente não só proporcione prazer ao meu boy, mas para mim tb….

  2. Joicy Assis says:

    Parece um pouco surreal oq vou falar, eu não faço sexo, nunca fiz e nunca tive curiosidade a respeito.
    Sou super julgada por isso, e eu só queria ser feliz do jeito q eu sou….

    • Thayanne Porto
      Thayanne Porto says:

      Gata, a vida é sua!! Se você nunca fez e tá de boa com isso, ótimo! Ninguém tem nada a ver com o que você faz ou deixa de fazer entre quatro paredes.

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