Corpo

A primeira lição do pole dance

A primeira coisa que me falaram antes de começar as aulas de pole dance foi “tira uma foto no primeiro dia e registra sempre a evolução”. O que eu não compreendia ainda na época era o quanto a palavra evolução pode ser abrangente.

 

Evoluir tecnicamente é uma fórmula até bastante simples: tempo + esforço + respeitar o seu corpo. E é com esse último item dessa fórmula nada mágica, mas ainda assim incrível, que eu mais tive evolução. Entenda, a técnica vem, uma hora ou outra; ela pode até tardar, pode ser cansativo, mas ela sempre chega. E quando ela vem, a pergunta que fica é: como você traçou o seu caminho?

Eu já me quebrei muito no pole. Ombro, cotovelo, pé, dedos do pé, coluna, pulso, joelho. A carteirinha de sócia na fisioterapia está com a anuidade paga e a verdade é que vai doer mesmo. Cada movimento era um problema. E isso não me fazia o menor sentido, afinal, como alguém que passou a adolescência toda dançando jazz como eu passei poderia ter tantos problemas? Fui uma criança de tapete da sala, de apartamento, nunca usei gesso na vida (aquela experiência dos amiguinhos todos do colégio assinando o gesso? Nunca tive) e ainda assim me ferrei para aprender o que eu quero passar hoje para vocês: Respeita o seu corpo, mana!

O pole dance traz uma consciência corporal absurda, não importa o seu estilo, ele traz uma realização pessoal libertadora. Você aprende a dominar, entender, ouvir, ler, aceitar e principalmente amar o seu corpo. Se você não o ama, você não dança, é simples. Para dançar é preciso se amar, não tem jeito. Mas fica aqui um segredo que é para geral saber mesmo: nunca antes um aprendizado fora tão gostoso. Pensa comigo nas infinitas possibilidades que passam a existir agora que você ama o seu corpo! Pensa nesse horizonte se expandindo sem fim.

Claro que o pole dance não é a única forma de você se amar, graças a deusa, mas esse texto é sobre ele, então eu vou puxar o saco mesmo. Afinal, devemos ser pessoas gratas as coisas boas que acontecem em nossas vidas.

Olha aqui comigo, eu não estou te dizendo que será um caminho fácil ou rápido, definitivamente ele será longo, mas é um caminho que vale a pena, sabe? Até porque, quando vamos acordar para o fato que ninguém é capaz de realizar nosso caminho por nós? É só a nossa cara a tapa mesmo!

Esse rodamoinho que é a vida, ele quer que você aprenda algumas coisas, principalmente coisas que estão tão envolvidas na tua existência. E quando o rodamoinho gira o pole, a lição que fica é: Se ama gata, você é incrível! Revolucionário, não é? Dá até vontade de rir quando esse pensamento chega, como se a realidade tivesse dado um estalo e de repente as cores são mais vibrantes, a experiência de ouvir música não é mais a mesma (música boa para o pole x música ruim para o pole: é assim que a sua cabeça divide agora). Então ria, gata! Ame seu corpo, ame o que ele faz, o que ele aprende, o tempo que ele precisa, se veja e tenha certeza de como você é incrível mesmo.

Joga fora a armadura, teus pensamentos ruins, as críticas; joga fora todo o lixo que tacaram em você, tudo o que cuspiram em você, todas essas coisas não valem de absolutamente nada. Veste o top, pega o menor shortinho possível, pois o que te veste de verdade é esse amor próprio todo, lindo, que brilha e faz do mundo um lugar melhor.

Eu poderia tomar mil caminhos para tratar a relação da mulher com seu corpo e o pole dance. Poderia falar sobre liberdade sexual, afirmação da sensualidade, a quebra de tabus, o companheirismo das suas “polefriends” e como isso é um tapa na cara do patriarcado, bem como um grande “foda-se” que é ligado para os dedos cheios de preconceitos da sociedade. Mas tudo isso vem depois: é só a continuação de um caminho incrível. A lição número 1 é sempre o amor.

Então me diz: Já se amou hoje? Não? Sim? Então vem dançar e o resto aprendemos no caminho.

pole dance

Raissa Souza

Carioca sim, ariana também. Quem nasce em casa militante, militante também é. Ta todo dia jurando para si mesma que rola fazer mais uma coisa porque dá tempo (não dá não). Historiadora da arte (só falta o diploma), ta tentando aprender como se historia a vida. Bailarina por sonho, Pole Dancer também. Bichos sempre. Agora tem um vlog: Projeto Avalon. Quem sabe não põe as ideias em ordem por lá.

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